quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Embaixo da luz de neon / Come See Me in the Good Light (2025)

Belíssimo e emocionante documentário, indicado ao #oscar2026.

Gostei mais que os concorrentes A vizinha perfeita e Mr. Nobody against Putin

Como sempre apareceu alguém para lacrar na tradução do título... good light é um neon no quarto da protagonista...

A finitude é a síntese da condição humana. Falar disso é sempre delicado e o documentário faz isso de uma maneira absolutamente sincera, leve e lúcido, sem cair no sentimentalismo ou otimismo forçado.

O filme acompanha o último ano de vida da poeta e ativista estadunidense Andrea Gibson, diagnosticada com um câncer incurável, e sua relação com a esposa, também poeta, Megan Falley. 

Andrea faleceu em julho de 2025, o que fiquei sabendo depois de assistir.

A direção aposta em uma estética de proximidade, com câmeras que parecem respirar junto às protagonistas, criando uma atmosfera que mistura leveza e dor, riso e despedida. Essa recusa de um tom solene privilegia o humor como pacto de sobrevivência, como forma de resistência diante do inevitável. 

A narrativa se desenvolve como um mosaico de momentos íntimos, registros cotidianos e reflexões profundas sobre amor, mortalidade e legado. O riso se torna ferramenta de resistência e, como a poesia,  funciona como ponte entre o presente e o que está prestes a se perder. 

A vida com um diagnóstico terminal como ela é: dias bons e ruins, momentos de leveza e de colapso, sem grandes heroismos. Aliás uma das cenas mais legais é quando a protagonista recita a lista das pequenas coisas que ela quer fazer antes de morrer. 

Aqui no blog tem alguns resenhados que dialogam com esse: Viver, O quarto ao lado, Paddleton

Nota 9. Recomendadíssimo.

Disponível prime video.

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