domingo, 22 de fevereiro de 2026

A meia irmã feia (2025)


Eu não curto horror corporal, mas esse até que não exagera tanto, começa espremendo uma simples espinha no nariz.

Entrada da Noruega para a categoria de melhor filme internacional, foi indicado merecidamente na categoria de melhor penteado e maquiagem no #Oscar2026.

Na leva do #oscar2026 deixei para assistir por último porque também não gosto muito de remake e/ou releitura, mas devo admitir que mesmo sendo baseado na cinderela, se sai bem, pelo gênero horror mas principalmente pelo roteiro que é bem razoável e consegue subverter, explorar e desenvolver vários arcos da fábula dos Grimm.

O filme revisita o conto clássico das irmãs de Cinderela sob uma perspectiva profundamente perturbadora, visceral e de certa forma, feminista. Uma crítica à obsessão pela beleza, que se transforma em um mecanismo de tortura, autodestruição física e psicológica. 

Sem dúvida dialoga com A substância, que ganhou o #Oscar2025 nessa mesma categoria. Em alguns aspectos até supera, pois tem menos sangue e pus na tela... Conversa também com Sick of myselftambém da Noruega Titane, Men, Saint Maud

Esse também propõe o horror corporal como lente para expor o machismo e a pressão estética imposta às mulheres. Como sempre digo por aqui é sempre uma escolha perigosa, anda no fio da lâmina e corre o risco de reforçar o discurso que queria criticar...

Como o título indica, o roteiro se concentra em Elvira, a meia-irmã que, obcecada por superar a beleza da cinderela, recorre a métodos extremos para conquistar o príncipe. Dessa forma joga o holofote nos temas de rivalidade feminina construída socialmente, padrões inalcançáveis de beleza e depressão decorrente da escravização a tirania do corpo em uma sociedade que transforma corpos femininos em objetos de disputa e controle.

Pensando que os tamborins do carnaval ainda estão quentes, dá para fazer esse roteiro com uma rainha de bateria como personagem principal, hein.

A fotografia e o figurino não deixam nada a desejar. Mas a trilha sonora se destaca, pois combina temas contemporâneos com releituras de músicas barrocas, criando um diálogo sonoro entre passado e presente que reforça a atmosfera estética da narrativa:

Dou nota 7 e recomendo, mas não sei se vai cair no gosto dos brasileiros, pois esse não tem a Demi Moore...

Disponível em vários streamings.

https://www.imdb.com/pt/title/tt29344903/
















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