domingo, 8 de fevereiro de 2026

Depois da caçada (2025)


Filme passado na universidade com as tretas dos professores arruinando as carreiras uns dos outros e saindo no tapa com os alunos? Vou gostar disso??? Que isso...

Esnobado no #oscar2026 e pela crítica em geral, indicação merecida da Julia Roberts no #Globodeouro2026, fui assistir dando nada pelo filme é depois de ver quase todos chego a conclusão que era um dos melhores...

Ótimo ver a atriz num papel que foge do lugar comum. Igualmente o Andrew Garfield. Michael Stuhlbarg está muito bem de coadjuvante.

Não gostei da atuação da Ayo Edebiri, achei que não deu conta do papel, que é central na trama, acaba ancorando o filme.

Eu não gostei muito do anterior do diretor  Luca Guadagnino, Me chame pelo seu nome, mas esse tenho que elogiar.

Sem preocupação de entreter, mas sim de incomodar, drama psicológico transitando entre suspense moral e crítica social, muito bem filmado, gostei muito dos planos focados em partes do corpo, p. ex. nas mãos, movimentos da câmera e a trilha sonora distorcida e dissonante gera um clima de Hitchcock - teve crítico que achou um desastre, eu adorei o som do filme.

O roteiro acompanha Alma, uma professora de Yale que se vê no centro de uma crise institucional quando uma aluna medíocre e rica, cuja família é patrocinadora da instituição, acusa um colega professor de abuso sexual, e ameaça revelar um segredo obscuro do passado da própria protagonista. 

A trama se desenvolve com ambiguidades morais, tensões e motivações conflitantes, abordando a vida feliz acadêmica com a sua rotina de manipulação, abuso de poder e falta de ética. 

A nota do filme no imd está baixa (5,7) pois só quem vive isso na pele vai sentir a catarse. Acho que o espectador médio também vai estranhar a atmosfera fria e opressiva, mas extremamente realista, dos espaços universitários.

Aqui no blog tem vários parecidos que exploram dilemas éticos entre intelectuais, listo alguns: Compartimento #6, Competência oficial, Armand, A sala dos professores, DrukO professor substitutoBad Luck Banging or Loony Porn, A sala dos professoresClub ZeroOs rejeitados...

Nota 9, recomendo, para quem sabe que a universidade não é um templo onde se desenvolve as altas virtudes do espírito...

Disponivel prime - Prime Video: Depois da Caçada

Mr. nobody against putin (2025)

 


Documentário indicado ao #oscar2026, numa temporada em que a guerra da Ucrânia continua em cartaz (vide 2000 metros para Andriivka e Armado somente com uma câmera)

Por coincidëncia assisti na mesma semana que viralizaram as fotos dos brucutus monitores dando aula em escola cívico-militar sem saber escrever.

Realizado por Pavel Talankin, um jovem russo que além de co-dirigir, atua como protagonista e registra o cotidiano de uma escola primária em Karabash, uma cidade mineradora pobre próxima aos Montes Urais, famosa pelo meio ambiente pouido, uma espécie de Cubatão russa.

O filme revela como instituições educacionais russas foram transformadas em centros de doutrinação e recrutamento militar durante a invasão da Ucrânia, expondo a máquina de propaganda estatal e o impacto direto sobre professores e crianças, a pressão ideológica imposta pelo governo russo. 

Merece a indicação pelo olhar particular sobre o contexto. Feito de uma maneira naturalmente amadora e bem pessoal, talvez a maior virtude do filme é conseguir vazar uma impressão autêntica de um cidadão russo que não apoia o regime, e que causa incômodo inclusive pelo tom leve e alto astral que trata a guerra, inclusive as baixas do lado russo.

A indiferença dos cidadãos de Karabash com a guerra me deixou pensando em como as cidades próximas dos campos de concentração nazistas também ignoravam o que acontecia lá (vide Zona de Interesse e nessa temporada resenhei aqui o Nuremberg).

Fascismo na escola já rendeu ótimos filmes como A OndaClube Zero e outros.

Talankin, ao assumir simultaneamente as funções de professor, cinegrafista e protagonista, torna-se o eixo emocional da narrativa. Sua presença em cena transmite vulnerabilidade e determinação, especialmente quando confrontado com diretrizes governamentais que transformam a escola em um braço da máquina militar. Os alunos, por sua vez, aparecem como vítimas silenciosas de um processo de doutrinação que molda sua visão de mundo desde a infância. A interação entre professores e estudantes, captada de maneira espontânea, revela tensões, medos e momentos de resistência discreta. Essa dimensão humana, reforçada pela ausência de dramatizações artificiais, contribui para que o documentário alcance um impacto emocional diferenciado.

Gostei, mas como documentário denúncia, o vencedor do #oscar Navalny, é muito melhor. 

Nota 7, recomendo, vale assistir  para apoiar a coragem do realizador.

Uma demonstração de que fascismo não se discute, somente se combate.

Disponível App;le TV.

‎Mr. Nobody Against Putin - Apple TV

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Armed only with a camera - vida e morte de Brent Renaud (2025)

 


Documentário indicado ao #oscar2026.

Tributo ao trabalho do jornalista estadunidense que dedicou a vida a registrar conflitos ao redor do mundo, sempre guiado por uma ética de proximidade e vulnerabilidade. 

Nessa terceira temporada em que o mundo assiste a guerra da Ucrânia e o rearranjo da geopolítica mundial sem a ONU, é um importante testemunho histórico.

Brent foi morto por soldados russos enquanto cobria o conflito. 

O irmão Craig faz uma homenagem e completa sua última reportagem, transformando o filme em um gesto de continuidade e resistência. O resultado é um documentário que se equilibra entre a crueza do front e a delicadeza do afeto, construindo uma narrativa que transcende o registro jornalístico.

O documentário também apresenta trechos e memórias de outros conflitos que Brent documentou ao longo dos anos: inclui coberturas no Iraque, Afeganistão, Haiti, Egito, Líbia, Síria e a crise de refugiados na América Central. Esses conflitos aparecem no documentário por meio de imagens de arquivo e relatos de colegas, compondo o mosaico da carreira dele.

Entre os pontos mais destacados pela crítica está a capacidade do documentário de contextualizar a trajetória do cineasta sem perder de vista a dimensão política e histórica de sua morte.

Gostei mais que do 2000 metros para Andriivka. 

A academia sempre escolhe documentários com essa temática, como por exemplo For Sama e The Cave

Nota 8, recomendo!

Disponivel HBO MAX e Amazon Prime Video: Prime Video: Armado com uma Câmera: Vida e Morte de Brent Renaud

Blue moon (2025)



Indicação merecida de melhor ator para o Ethan Hawke no #oscar2026 e #Globodeouro2026, mas que filme chato...

Dificílimo para o público brasileiro, concentra em uma única noite da vida do letrista Lorenz Hart, que não tenho ideia de quem é, imagino que pouca gente no Brasil saiba...

São praticamente  duas horas com ele sentado no bar conversando com os demais personagens.

Me lembrou um pouco Uma noite em Miami que também não curti muito. 

Tem também um pouco da vibe de Amsterdam, que é bem melhor... 

Nota 4, recomendo só para os fãs do Ethan Hawke.

Disponível nos streamings. 

https://www.imdb.com/title/tt32536315/

Hamnet (2025)


Indicado a melhor filme no #oscar2026 - veja os outros aqui no blog buscando essa hash e vencedor do #GlobodeOuro2026.

Mais 7 indicações: elenco, canção, direção, roteiro adaptado, design de produção, figurino e claro, atriz, que vai ganhar...

Eu gostei muito de Nomadland, da mesma diretora, esse também é muito bom, mas fica atrás de o Agente Secreto, Valor Sentimental, Bugonia e Uma Batalha Após a Outra.

Roteiro adaptado do romance de 2020 de Maggie O’Farrell, uma obra que reimagina a vida doméstica de William Shakespeare e a tragédia que teria inspirado a criação de Hamlet. O filme articula a tragédia pessoal com a gênese de uma das obras mais influentes da literatura mundial. Acompanha a rotina da família Shakespeare, suas alegrias e tristezas, e o impacto devastador da peste que leva o jovem Hamnet à morte.

Zhao volta na vibe de Nomadland com uma narrativa que explora a vulnerabilidade humana, o silêncio emocional e a força dos vínculos familiares. 

O roteiro traz personagens reais, mas preenche lacunas históricas com habilidade literária e imaginação dramática. A abordagem combina rigor histórico com liberdade poética, criando um filme que não pretende ser um registro factual, mas sim uma interpretação emocional daquilo que poderia ter acontecido na casa de Shakespeare. 

A narrativa se concentra especialmente na figura de Agnes Shakespeare, interpretada por Jessie Buckley, retratada como uma mulher intuitiva, conectada à natureza e profundamente marcada pela perda do filho. 

O roteiro evita transformar Shakespeare em protagonista absoluto; ao contrário, ele surge como parte de um núcleo familiar complexo, dividido entre a vida doméstica e as pressões do teatro londrino. A morte de Hamnet funciona como ponto de ruptura emocional e criativo, levando o dramaturgo a canalizar sua dor na escrita de Hamlet

Achei um pouco lento e contemplativo, eu teria feito um filme mais latino, investindo mais no perfil de bruxa e médium, a la Neil Gaiman. Mas a cena final compensa.

Ótimo elenco, com boa química, Jessie Buckley arrebenta, já pode carimbar o Oscar para ela, as concorrentes estão muito bem, mas ela leva. 

Eu sou fã demais desde o sensacional Estou pensando em acabar com tudo, aqui no blog tem resenha da A filha perdida e Men

Já o Paul Mescal não é o melhor Shakespeare do mundo mas consegue entregar boa intensidade emocional como fez em Aftersun

Destaque também para  Emily Watson a madre superiora vilã de Duna a Profecia como mãe de Shakespeare. 

Enfim Shakespeare é fonte inesgotável para as artes cênicas, confira outros resenhados aqui no blog.

Nota 7, sou mais o Agente Secreto.

Nos cinemas.









sábado, 17 de janeiro de 2026

Nuremberg (2025)

 


Embora não esteja aparecendo muito nas premiações da temporada, tendo em vista o pesadelo laranja na casa branca, vale sim assistir porque afinal a cadela do fascismo está sempre no cio.

Prefiro pensar que o filme tem mais uma função didática que como entretenimento.

Caso não saiba, em Nuremberg foram julgados os principais líderes e colaboradores do regime nazista na Segunda Guerra Mundial. O tribunal foi formado por Estados Unidos, União Soviética, Reino Unido e França. Além de documentar detalhadamente os horrores do Holocausto e outras violações sistemáticas de direitos humanos, o tribunal inaugurou princípios jurídicos que influenciariam diretamente a criação de cortes internacionais posteriores, como a de Haia.

Roteirizado e dirigido por James Vanderbilt, baseado no livro O Nazista e o Psiquiatra, de Jack El-Hai. A narrativa acompanha o psiquiatra americano Douglas Kelley, interpretado por Rami Malek, encarregado de avaliar a sanidade mental de 22 oficiais nazistas antes do julgamento, incluindo o vice de Hitler, Hermann Göring, interpretado por Russell Crowe. 

Bom elenco, Eu não curto muito o Malek como ator, na época de Bohemian Rapsody, curti muito mais o documentário The Great Pretender

Mas o Russel Crowe consegue encarnar um Goring assustadoramente carismático. Michael Shannon também está bem, como o promotor Robert H. Jackson.

O texto explora  os fatos históricos e os conflitos internos do protagonista, que se vê diante da tarefa moralmente perturbadora de compreender a mente de criminosos responsáveis por atrocidades indescritíveis. 

(Aqui no Brasil deve ter dezenas de médicos que passam por isso...)

Pelo que ví no youtube, a fotografia e cenários são bem precisos. A cidade de Nuremberg devastada pela guerra adiciona camadas visuais que ampliam o impacto emocional do filme. 

No YouTube há vários vídeos produzidos por canais especializados em cinema e história, que ajudam a compreender melhor o contexto real dos julgamentos de Nuremberg e como o filme adapta esses eventos. Algumas escolhas do diretor desviam da verdade histórica, confira no vídeo abaixo (não aparece o preview porque contem imagens dos campos de concentração):


Esse eu assisti depois do filme, é bem completo:


A 2a Guerra é fonte inesgotável para o cinema, entre os meus preferidos cito o vencedor no #oscar2024, que está resenhado aqui no blog:  Zona de Interesse (confiram na resenha o texto que eu trabalhava em sala na disciplina de Tecnologia do curso de Arquitetura).

Surfando na onda do oscar a Netflix lançou em 2024 o documentário Hitler and the Nazis, na fila.

Na lista com certeza entram também  A queda, A conspiração, Nunca deixe de lembrar, Bastardos inglórios.  Na dvdteca junto com os outros do Spielberg, tenho A lista de Schindler e O resgate do soldado Ryan  Aqui no blog tem várias resenhas que conectam com o tema: Collette, Jojo Rabbit, A tabacaria

E vale sempre lembrar do ótimo A onda.

Vide da temporada o 2000 metros para Andriivka

Nota 7, recomendo!

Disponivel prime video (com VPN).

Prime Video: Nuremberg

Nuremberg (2025) - IMDb


domingo, 11 de janeiro de 2026

Sonhos de trem (2025)



Filme bonito, leve, bela fotografia - trabalho do brasileiro Adolpho Veloso!

Indicado a melhor ator e canção original no #Globodeouro2026

Produção Netflix, roteiro adaptado. 

Acompanha cerca de 80 anos na vida de Robert Grainier, desde o final do século XIX até o final dos anos 1960. Um lenhador que atravessa décadas de transformações sociais e tecnológicas nos Estados Unidos. A narrativa se desenvolve de forma fragmentada, como lembranças que se sobrepõem ao longo da vida do protagonista, desde sua juventude nas ferrovias até a velhice solitária, revelando como ele testemunha, de longe, o avanço tecnológico, a transformação das paisagens naturais e o desaparecimento de tudo o que um dia lhe foi familiar. Entre memórias fragmentadas, sonhos com locomotivas e encontros com personagens fantasmagóricos que cruzam seu caminho, o filme constrói um retrato sensível de um homem simples tentando compreender seu lugar em um mundo que muda rápido demais. 

De um certo ponto de vista tem até uma mensagem ecológica.

O principal Joel Edgerton é o mesmo da ótima série Matéria Escura, que sempre comento aqui no blog. 

Elenco no padrão netflix, com o William Macy e a ótima Kerry Condon, por coincidência ontem mesmo comentei o F1, onde ela também atuou nessa temporada. 

A fotografia é, sem dúvida, o ponto alto do filme. Adolpho Veloso cria imagens que combinam imponência natural, textura documental e poesia visual. Reforçaa relação entre homem, natureza e máquina, especialmente nos sonhos que dão nome ao filme. 

A trilha sonora assinada por Bryce Dessner também é linda. Escute no link abaixo, a última é a canção que concorre ao Globo de Ouro.

YouTube Music

Não gostei muito do roteiro e montagem, da metade para frente tive um pouco de dúvida com as passagens temporais e a forma como as tecnologias vão sendo mostradas. Na cena da filha que retorna boiei totalmente e o roteiro deixa aberta.

É diferente, mas me lembrou A metamorfose dos pássaros. Outro parecido é o First CowA rusticidade é a mesma do Anêmona

Não é tããão passional mas também tem a mesma vibe de Lendas da Paixão

Nota 7. Recomendo.

Confira Sonhos de Trem | Site oficial da Netflix

Sorry, baby (2025)

 


Ótimo filme indie, distribuído pela A24, indicado a câmera de ouro, palma queer e escolha da audiência na quinzena de diretores em #Cannes2025.

Indicada a melhor atriz no #Globodeouro2026 [é hoje!...].

Indicado ao grande prêmio do juri e vencedor do prêmio Saldo Salt em #Sundance2025.

Premiado também na Mostra de SP.

Eva Victor, diretora estreante em longa, roteirista e atriz vem surgindo como uma das vozes mais promissoras do cinema independente contemporâneo.

Coloquei o Boys go to jupiter na fila. 

A narrativa acompanha Agnes, uma professora universitária que tenta reconstruir sua vida após um evento traumático que marcou sua pós-graduação. É sobre  o mundo que segue em frente enquanto a vítima permanece presa ao impacto do ocorrido. Nessa jornada ela é acompanhada pela amiga Lydie, que se casa e tem um bebê.

O filme  combina humor ácido e sensibilidade emocional e impressiona pela segurança narrativa e pelo domínio do tom. Explora temas como estresse pós-traumático, culpa, isolamento, dificuldade de comunicação e a necessidade de ressignificar a intimidade e a verdade emocional dos personagens. O humor surge como mecanismo de defesa, e o filme utiliza essa ferramenta com inteligência, sem desrespeitar a gravidade do tema. É um roteiro que entende que a cura não é linear e que, muitas vezes, o processo é feito de pequenos passos, recaídas e descobertas silenciosas.

Maturidade rara para uma diretora estreante, construindo um filme que é ao mesmo tempo pessoal e universal, doloroso e acolhedor, simples e profundamente humano. Prova que o roteiro não precisa de grandes reviravoltas para ser impactante.

Para não dar muito spoiler, vou adiantar só que o abuso sexual acontece em um ambiente acadêmico.

Me remeteu ao ótimo Lady Bird e A filha perdida

Nota 8, recomendo!

Disponivel nos sreamings.

Sorry, Baby (2025) - IMDb

A velha com a faca (2025)


Geralmente os títulos traduzidos em português ficam terríveis, mas esse não.

Desde o Chick Norris que os vovôs bravos fazem sucesso, passando por  Bruce Willis, Nicolas Cage e Liam Neeson. não tenho certeza se faz bem colocar uma mulher nesse lugar... assistam e comentem...

Produção coreana, roteiro adaptado, acompanha Hornclaw, uma assassina veterana que, aos sessenta anos, enfrenta o desgaste físico e emocional de décadas de violência. 

A trama mostra sua estreia ainda jovem matando um soldado americano em legítima defesa. e sua formação dentro de uma organização clandestina que se apresenta como empresa de “controle de pragas”. Ela precisa lidar com um assassino novato na empresa que se julga melhor que ela. A estrutura narrativa vai alternando entre passado e presente.

Não foge ao clichê ação / solidão / redenção, nem ao exagero nas cenas.

O maior pecado é não explorar sequer os bons arcos dos personagens secundários.

Tem alguns desse gênero resenhados aqui no blog: Trem balaAnônimo (que inclusive está com uma continuação que ainda não vi) , Wrath of men, No sudden move, O protetor

Nota 6, recomendo só para quem gosta de filme em que os vilões tem pontaria péssima. 

https://www.imdb.com/pt/title/tt34509472/



sábado, 10 de janeiro de 2026

Jay Kelly (2025)


Comparado com os quatro anteriores do diretor Noah Baumbach, que estou sempre elogiando aqui no blog, decepcionou bastante, mas não é ruim.

Não é tão bom como Barbie, o ótimo Ruído Branco, História de um casamento ou Os Meyerovitz

Filme de ator, George Clooney indicado para melhor ator e Adam Sandler para coadjuvante no #Globodeouro2026, mas eu acho que justifica só o segundo, pois ele rouba a cena, com uma das melhores atuações da carreira. Eu sempre acho ótimo quando ele faz papéis mais dramáticos como em Jóias Brutas. 

O roteiro acompanha a jornada de Jay Kelly seu empresário Ron e uma entourage que vai se desfazendo aos poucos, numa viagem pela Europa enquanto Jay tenta se reaproximar da filha e confrontar os danos que sua carreira causou em sua vida pessoal. O personagem é um homem quebrado, incapaz de lidar com os próprios erros e com a distância que criou entre si e sua família. 

O elenco conta também com a experiente Laura Dern, favorita do David Lynch.  Mas ao contrário dos anteriores esse não conseguiu aproveitar todo o potencial de suas estrelas. Fica no padrão netflix de elenco caro e roteiro mais ou menos.

Nota 7, em homenagem ao Adam Sandler.

https://www.imdb.com/pt/title/tt30446847/

F1 (2025)


Filme de fórmula 1 produzido pelo Lewis Hamilton que faz uma ponta vaidosa e pelo Brad Pitt.

Na hora lembrei do filme do Pelé com o Sylvester Stalone Fuga para a Vitória só que 40 anos atrás não eram os atores que produziam.

Você já viu esse filme dez vezes, mas vai gostar assim mesmo. 

Mais clichê que esse roteiro e narrativa só o algoritmo da rede social que te mostra o que você quer comprar.

100% previsível, com rivalidade, heróis e vilões corporativos, romance e aquele arco batidinho de redenção, tudo muito bem feito.

Mesmo assim foi indicado a melhor roteiro e melhor bilheteria no #Globodeouro2026.

O diretor Joseph Kosinski é o mesmo de Top Gun: Maverick e Oblivion, ou seja, acostumado a filmar blockbuster de ação / velocidade. 

Igualmente o elenco funciona como um relógio. O principal é o Brad Pitt, com um bom timing com o Javier Barden e com a ótima Kerry Condon. 

Boa trilha sonora selecionada, com clássicos do rock, p. ex. Led Zepellin.

Dos dez que vc já viu, tem alguns aqui no blog: FerrariFord vs Ferrari, Logan lucky.

Nota 8, não esqueça a pipoca.

Disponível nos streamings.

Atualização fev/26: indicado a som, efeitos e montagem no #oscar2026, nessas categorias técnicas vá lá. Mas melhor filme a indicação foi injusta.

https://www.imdb.com/pt/title/tt16311594/ 

Morra, amor / Dye my love (2025)

 


Indicado a palma de ouro em #Cannes2025 e melhor atriz no #Globodeouro2026.

Os anteriores da diretora Lynne Ramsay, Precisamos Falar Sobre o Kevin e Você Nunca Esteve Realmente Aqui ainda estão na minha fila.  

Tenso, trágico e até um pouco desconfortável de assistir, combina bem com um outro dessa temporada: Se eu tivesse pernas eu te chutaria. 

Roteiro adaptado. A trama acompanha Grace, uma jovem mãe que enfrenta depressão pós-parto e psicose, e que vê sua vida conjugal e sua própria identidade se fragmentarem. A narrativa é construída de forma não linear, com saltos temporais e momentos de delírio que confundem realidade e imaginação, em uma imersão na mente de uma mulher à beira do colapso. 

O filme é meio sensorial, roteiro não linear e aberto, muitos pequenos detalhes, mesmo prestando atenção é difícil captar tudo. A própria diretora tem falado que reduzir os temas dele à depressão pós parto é superficial. Muitos simbolismos visuais, ritmo fragmentado e foco experiência interna da personagem.

Aliás tem um parecido com a mesma atriz Jennifer Lowrence - Mãe! do Aronofski, que também é difícil de classificar. Lembra um pouco também outros do Aronofsky, David Lynch e Lars von Trier. 

A deterioração psicológica da protagonista é explorada com uma câmera inquieta, claustrofóbica e profundamente subjetiva, em um ambiente rural opressivo, onde a paisagem funciona como extensão do estado mental da personagem, reforçando a sensação de isolamento e desespero. 

Pode ser que renda uma indicação para a atriz no #oscar2026. Ela está bem visceral no filme, consegue entregar  fragilidade, fúria, erotismo, desespero e momentos de lucidez dolorosa. 

O para sempre vampiro Robert Pattinson também está bem de coadjuvante, interpretando o marido que tenta lidar com a deterioração mental da esposa enquanto enfrenta seus próprios conflitos. O elenco de apoio inclui Nick Nolte e Sissy Spacek. 

A fotografia segura o filme, mais que o roteiro. O filme no geral é escuro, com sombras densas e composições que reforçam a sensação de aprisionamento emocional da protagonista, elementos que sxão reforçados pelo design de som.

A trilha sonora selecionada é bem bacana, tem até o Cocteau Twins! 

Nota 6. Acho muito difícil o grande público gostar... recomendo só para quem curte roteiros delirantes.

Tanto que ficou no cinema pouco tempo, está prestes a estrear nos streamings.

Morra, Amor (2025) - IMDb

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

20 dias em Mariupol + 2000 metros para Andriivka

  

A necrogeopolítica está bombando... desde sempre.

Nesta semana os EUA invadiram a Venezuela. E vai deixar a Rússia continuar na Ucrânia...

O diretor Mstyslav Chernov quando ganhou o  #oscar2024 falou que não queria ter filmado esse filme e foi mais que assertivo.

Eu ainda não tinha visto e como o outro está cotado, assisti os dois juntos.

Ambos são importantes, mas o primeiro é essencial, soco no estômago.

Chernov utiliza sua experiência como jornalista da Associated Press para construir um relato visceral dos primeiros dias do cerco russo à cidade portuária de Mariupol. O filme faz uma abordagem direta, sem filtros, que coloca o espectador dentro do caos urbano, com imagens captadas em tempo real durante o colapso da cidade. Os protagonistas são civis, médicos, jornalistas e vítimas da guerra, captados em momentos de desespero, coragem e vulnerabilidade.

Além de documentar os horrores da guerra em si, serve também como registro honestamente brutal do processo perigoso de enviar imagens para fora da zona quente. O roteiro  é estruturado como um diário de guerra, acompanhando os vinte dias em que Chernov e sua equipe ficaram presos na cidade sitiada. A narrativa se desenvolve a partir de imagens captadas no calor do conflito, mostrando hospitais lotados, civis desesperados, destruição urbana e a luta dos jornalistas para transmitir informações ao mundo antes que a cidade fosse completamente isolada. A força do filme está justamente na ausência de artifícios: sem reconstituições, sem entrevistas posteriores, apenas a realidade crua registrada no momento em que acontece. 

Em 2000 Metros para Andriivka o diretor retorna ao front, mas agora acompanhando soldados ucranianos em uma travessia de dois quilômetros até o vilarejo de Andriivka, em Donetsk, durante a contraofensiva de 2023. Utiliza câmeras corporais e equipamentos acoplados aos capacetes dos soldados, criando uma experiência quase em primeira pessoa o que para alguns jovens pode até parecer um videogame.

O segundo adota uma narrativa mais concentrada, acompanhando um único objetivo militar: entregar uma bandeira ucraniana a um sargento.  A travessia, que em condições normais levaria poucos minutos, transforma-se em uma jornada angustiante, marcada por explosões, tiros, drones e morte.  Não explica muito o contexto já mergulha direto o espectador na experiência dos soldados nas trincheiras. É louvável que o diretor seguiu com o mesmo ânimo, mas após quase quatro anos de conflito, faltou uma contextualização histórica mais ampla.

Confira aqui no blog a resenha de For Sama e The cave. 

Nota 9 e 6, respectivamente.

https://www.imdb.com/pt/title/tt24082438/

https://www.imdb.com/pt/title/tt34964205/



sábado, 3 de janeiro de 2026

A vizinha perfeita (2025)

 


Cotado para indicação de documentário no #oscar2026 venceu melhor diretora em #Sundance2025. 

Mostra um caso real ocorrido em 2023, na Flórida, envolvendo a morte de Ajike “AJ” Owens, uma mulher negra, mãe de quatro filhos, assassinada pela vizinha Susan Lorincz, uma mulher branca que alegou legítima defesa. 

O filme reconstrói o histórico de conflitos entre as duas desde 2022, destacando como denúncias infundadas, tensões raciais e a controversa lei estadunidense contribuíram para o desfecho trágico. 

A narrativa é construída de forma a expor não apenas o crime, mas também o contexto sociopolítico que o envolve, incluindo debates sobre racismo estrutural, porte de armas e desigualdade jurídica nos EUA. 

O filme é feito quase inteiramente a partir de imagens reais captadas por câmeras corporais de policiais, além de gravações de interrogatórios e ligações para o 911. A diretora Geeta Gandbhir evita entrevistas tradicionais e narrações externas, permitindo que os acontecimentos se desenrolem diante do espectador com a crueza do registro imediato. 

No #oscar2025 foi indicado o Incidente que mostra a história de um babeiro negro morto em 2018 por um policial em Chicago.

Nota 7.

Disponível netflix: Confira A Vizinha Perfeita | Site oficial da Netflix

Quartos vazios / All the empty rooms (2025)

 


Incluído no shortlist de documentários de curta metragem para o #Oscar2026.

Acompanha o jornalista Steve Hartman e o fotógrafo Lou Bopp em uma jornada de sete anos visitando quartos de crianças mortas em ataques armados nos EUA.

A proposta, embora simples em aparência, revela-se profundamente complexa: registrar espaços congelados no tempo, onde cada objeto, cada cor e cada detalhe carrega a presença ausente de uma vida interrompida. 

O roteiro constrói-se a partir das visitas aos quartos e das conversas com familiares, criando um mosaico de memórias. A câmera percorre sapatos, brinquedos, cadernos e roupas com cuidado quase reverencial, para não perturbar o silêncio que ali habita. Os detalhes são valorizados: a textura de uma colcha, a disposição de livros em uma estante, o brilho de um troféu escolar. Essa atenção minuciosa transforma os quartos em personagens, cada um com sua própria história e atmosfera. 

Aparentemente o jornalista é muito conhecido (nos EUA) por suas reportagens na CBS.

Vale destacar a relevância política e social do documentário em um momento em que o debate sobre violência armada nos Estados Unidos se perde no abismo escuro do fascismo capitalista. 

Particularmente prefiro o estilo do Michael Moore vencedor do #Oscar2003 com Tiros em Columbine, ou seja, não de ontem que os estadunidenses convivem com as crianças mortas em escolas e fiquei horrorizado de verificar que aqui no Brasil também ocorre um caso por ano 😧😧😧

Lista de ataques e invasões escolares no Brasil – Wikipédia, a enciclopédia livre

Tem um parecido que está há anos na minha fila - Polytechnique

Lembrei do caso do ônibus 174, que rendeu um documentário e um filme:

Sequestro do ônibus 174 – Wikipédia, a enciclopédia livre

Ônibus 174 – Wikipédia, a enciclopédia livre

Última Parada 174 – Wikipédia, a enciclopédia livre

Nota 6.

Disponivel netflix: Confira Quartos Vazios | Site oficial da Netflix

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Se eu tivesse pernas, eu te chutaria (2025)



Bom filme, mucho loko... e tenso.  Indicado para Urso de Ouro em #Berlim2025 e vencedor de melhor atriz.

O último da diretora Mary Bronstein, Round Town Girls já tem 15 anos.

Uma abordagem contemporânea, visceral e implacável da maternidade.

Linda, uma mãe e terapeuta sobrecarregada, tenta manter a vida em ordem enquanto enfrenta uma sucessão de crises pessoais e profissionais. Entre a filha doente, o marido ausente, pacientes emocionalmente exigentes e uma casa que literalmente desmorona junto com ela, ela começa a perder a capacidade de distinguir o que é real do que é imaginário, devido à exaustão. À medida que a pressão aumenta, sua rotina se transforma em um labirinto psicológico onde cada detalhe ameaça desencadear um colapso. O filme acompanha essa espiral emocional intensa, explorando maternidade, culpa e saúde mental.

Baseado em experiências reais vividas pela própria cineasta durante a doença grave de sua filha, o filme carrega uma autenticidade dolorosa, misturando drama, comédia ácida e tensão psicológica. 

O filme é bem tenso, com close-ups sufocantes, situações desconfortáveis e uma narrativa que se recusa a oferecer alívio ao espectador, reforçando a sensação de aprisionamento emocional vivida pela personagem. 

Muito do filme depende do design de som e da fotografia, que reforçam os elementos fantasmagóricos e a experiência sensorial de confinamento e deterioração emocional, diante das expectativas sociais e culpa.  A combinação desses elementos técnicos transforma o filme em uma experiência sensorial intensa, desconfortável e profundamente imersiva.

A minha cena favorita é a do final em que ela briga com o mar.

Essa cena me lembrou muito a cena final do documentário Estamira, que os mais chegados sempre me ouvem comentar. Inclusive descobri que ele está na íntegra no youtube, se não viu, não perca no link abaixo, pois também é uma obra bem interessante sobre maternidade e saúde mental:


Os temas remetem ao Tully e a atmosfera lembra um pouco o Nope.

O roteiro vai numa espiral de tensões domésticas, emocionais e psicológicas que se acumulam sem pausa, refletindo o esgotamento extremo da protagonista. Ela mal consegue lidar com a própria vida, enfrenta simultaneamente a doença misteriosa da filha, a ausência do marido, o desabamento literal e metafórico de sua casa e o desaparecimento de uma paciente, tudo isso enquanto tenta manter uma aparência de normalidade no trabalho. 

A escolha de nunca mostrar o rosto da filha é uma decisão estética radical que contribui para a sensação de ausência, fragilidade e despersonalização que permeia a narrativa. O rsto do elenco também não aparece muito e isso é intencional, o mundo é apenas o que ela percebe, isso inclusive é discutido na terapia.

Filme de atriz,  Rose Byrne venceu em #Berlim2025, está indicada no #GlobodeOuro2026 e merece uma indicação para o #Oscar2026. Se ganhar é merecido! No elenco de apoio Christian Slater interpreta o marido e o apresentador Conan O’Brien é o terapeuta da terapeuta. 

Combina bem com Die my love, dessa temporada. 

Nota 8, esse não é um filme para entreter, é para provocar... se está procurando algo para relaxar, aqui não tem... ou seja, é mais para sentir do que para entender. 

Recomendo, exceto para quem estiver com sintomas de depressão pós parto.

https://www.imdb.com/pt/title/tt18382850/ 

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Bugonia (2025)



Yorgos Lanthimos já entrou definitivamente para a minha lista top 5 de diretores favoritos. Já foi indicado ao Oscar cinco vezes, mas nunca levou.

Não só pela filmografia - a lista é grande: Tipos de gentileza, Pobres criaturas, Nimic, A favorita, O sacrifício do cervo sagrado e o Lagosta.

Emma Stone levou o #oscar2024 por Pobres Criaturas, e junto com ela o outro ator que está sempre no set do diretor grego é o Jesse Plemons, que eu curto demais. Ele fez a temporada 2 de Fargo, uma ponta que é a melhor cena de Guerra Civil, Ataque dos cães, Judas e o messias negro, e um dos melhores filmes recentes que não foi muito comentado: Estou pensando em acabar com tudo. 

Geralmente não gosto de remake, nesse caso o original é o filme sul-coreano Save the Green Planet! de 2003.  Não vi o original... mas gostei bastante desse. Indicado a Leão de Ouro em #Veneza2025 e ganhou o prêmio Drop.

Atualização fev/26: indicado a melhor filme e melhor atriz no #oscar2026.

No Globo de Ouro, está indicado nas categorias de Melhor Filme de Comédia ou Musical, Melhor Atriz e Melhor Ator. 

O roteiro segue dois malucos  teóricos de conspiração, que sequestram uma CEO acreditando que ela é uma alienígena, num contexto dominado por fake news, bolhas digitais e radicalização ideológica, mesmo naipe do pessoal que reza Pai Nosso para pneu.

A narrativa acompanha Teddy (Jesse Plemons), um homem consumido por teorias conspiratórias, que se convence de que Michelle (Emma Stone), uma poderosa empresária, é uma ameaça extraterrestre prestes a destruir a Terra. O texto equilibra sátira e tragédia, explorando como a desinformação pode corroer a percepção da realidade. O roteiro consegue levar o mistério ate a cena final, que é sensacional.

A narrativa explora como a fé individual, o temor do que não compreendemos e a distorção da realidade no ambiente digital moldam nosso comportamento. Oferece um alerta incômodo sobre a capacidade da ficção de revelar nossas tendências mais sombrias.

A vibe do filme lembra um pouco o Ruído branco

A trilha sonora carregada e opressiva, atua quase como uma presença adicional na narrativa. Em certos trechos, o exagero é intencional: Lanthimos busca fazer com que o público experimente a mesma tensão psicológica que domina os personagens.

Eu dou 9, mas a crítica ficou dividida, tem gente que acha o melhor do ano e quem aponta que o filme pode ser excessivamente estranho, caótico e desconfortável - uai mas é por isso que é bom!...

Bugonia (2025) - IMDb

















Frankenstein (2025)

 


Com raras exceções não curto refilmagens mesmo de clássicos...  #prontofalei.

Talvez esse seja uma exceção, talvez não...

O diretor afirmou algumas vezes que tem obsessão com essa história. Vem na esteira de Pinóquio, também financiado pelos comerciais na Netflix. O anterior me entusiasmou mais.

Com o #Oscar2023 na mão, o estúdio deu sinal verde para a nova empreitada,  uma das mais ambiciosas da plataforma, está com cinco indicações (filme, diretor, ator, ator coadjuvante e trilha sonora original) e deve levar alguns #Oscar2026. 

Possivelmente será indicado em direção, ator, ator coadjuvante, fotografia, direção de arte e figurino.

Algumas pessoas que gostaram muito comentaram comigo da profundidade temática do filme, que dialoga com questões de criação, responsabilidade moral e humanidade, temas comuns nos filmes do diretor. 

São mutos filmes do diretor que eu gosto: A espinha do diabo, Beco do Pesadelo, A colina escarlate e claro, o ótimo Labirinto do Fauno.

Favorito para a categoria de direção de arte no próximo Oscar. O diretor investiu :) em cenários reais e no uso mínimo de computação gráfica.

O roteiro escrito pelo próprio Del Toro adapta o romance de Mary Shelley com uma abordagem que privilegia a interioridade dos personagens e a dimensão ética da criação científica. Enfatiza a empatia e o sofrimento tanto do criador quanto da criatura, explorando o isolamento, a rejeição e a busca por identidade, elementos que estão no livro, mas foram diluídos nas adaptações anteriores pro cinema.

Diante do atual contexto da IA, encaixa bem para pensar os perigos da ciência, os dilemas criador / criatura e da arrogância humana diante do desconhecido, temas que são comuns na ficção e no terror (vide A garota artificial, A resistência,   Robot Dreams, a série Love, Death and Robots).

E pra quem gosta de dramas sombrios, fantasia adulta e narrativas filosóficas, se alinha a filmes como Drácula de Bram Stoker O Homem Elefante, que combinam horror, tragédia e humanidade.

Bom elenco, Oscar Isaac assume o papel de Victor Frankenstein, retratado como um cientista brilhante, porém egocêntrico e emocionalmente devastado por suas escolhas. Jacob Elordi interpreta a Criatura, Christoph Waltz, Mia Goth, Felix Kammerer e Charles Dance completam a trupe.

A fotografia é um ponto alto, criando um universo gótico que combina grandiosidade e intimismo, com iluminação cuidadosamente trabalhada e cenários construídos com minúcia artesanal. O diretor buscou reduzir ao máximo o uso de CGI, privilegiando ambientes reais e efeitos práticos para reforçar a fisicalidade da narrativa. A fotografia reforça o tom trágico da história, com composições que evocam solidão, melancolia e grandiosidade sombria. 

O design de produção também impressiona pela riqueza de detalhes.

Nota 7, por ser remake, no imdb está um pouco mais alta: 7,5.

Vale a pipoca!

https://www.imdb.com/pt/title/tt1312221/

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Valor sentimental (2025)

 


É gente... estou torcendo demais pelo Agente Secreto, o filme brasileiro é muito bom mas esse... é melhor.

Grand Prix em #Cannes2025, o segundo maior prêmio do evento - a Palma de Ouro foi para o Foi Apenas um Acidente.

O Agente Secreto levou diretor e ator no mesmo festival, e arrisca ganhar alguns #Oscar2026, mas esse é um forte concorrente com bastante mérito.

Além disso, recebeu oito indicações ao #GlobodeOuro2026, incluindo Melhor Filme de Drama, Melhor Direção, Melhor Atriz, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Roteiro.

Vai representar a Noruega no Oscar 2026 na categoria de Melhor Filme Internacional.

O diretor Joachim Trier volta ao território emocional que o consagrou como um dos cineastas mais sensíveis da atualidade. Trier revisita temas como memória, culpa, reconciliação e o impacto do tempo sobre os vínculos familiares. Drama íntimo, profundamente humano, fugindo do melodrama e apostando em camadas narrativas que se revelam aos poucos.

O forte do filme é a construção dos personagens e os diálogos, que já marcaram  A Pior Pessoa do Mundo  indicado a melhor filme estrangeiro e melhor roteiro original no #Oscar2022 e também a Palma de Ouro e levou Melhor Atriz em #Cannes2021. Eu também gostei de Armand.

O filme acompanha o reencontro de duas irmãs Nora e Agnes,  que, após a morte da mãe, precisam lidar com a volta repentina do pai ausente. Gustav é um cineasta renomado que resolve reaparecer, depois de anos afastado. Aí já rola o metacinema, o filme dentro do filme, pondo o dedo nas feridas familiares. 

Nora é uma atriz consagrada de teatro, marcada por inseguranças, crises de pânico e um relacionamento conturbado com o pai, do qual busca em vão o reconhecimento. Ele a convida para estrear o seu filme, após 15 anos sem filmar, mas ela recusa, desencadeando uma série de conflitos que expõem traumas antigos, ressentimentos e tentativas frustradas de reconciliação. 

O roteiro não explica muito e deixa que o espectador preencha as lacunas emocionais deixadas pelos personagens. Outra coisa bacana é que vai alternando os pontos de vista, ampliando a compreensão das motivações de cada membro da família e transformando experiências particulares em reflexões universais sobre abandono, manipulação, afeto e identidade.

O que mais me encantou no roteiro é que é possível entender que a narradora da história é a Casa da Família, isso mesmo, a Casa conta as histórias de quem mora e morou nela, sendo definitivamente um dos personagens mais importantes do roteiro.

Renate Reinsve, que está nos dois anteriores mencionados acima, entrega mais uma vez  uma performance intensa. Já o Stellan Skarsgård, também está muito bem, mas achei que faltou um tantinho de latinidade, entre a vaidade e vulnerabilidade pesou mais a primeira. Dava para complicar  um pouco mais o arco dele com a jovem atriz americana contratada para o papel, explorando o conflito entre daddy e sugar daddy.

Fora as influências claras de Ingmar Bergman, o filme conversa com muitos outros que abordam o abismo intransponível entre pais e filhos, além dos filmes do J. Trier, listo alguns comentados aqui no blog: A filha perdida, Meu pai, SterbenO vazio do domingo, As faces de Toni Eerdman, Nebraska, Laço materno, Falling, Sobre pais e filhos.

Nota 9.5, tomara que não ganhe, mas que merece, merece. Nos cinemas.

Valor Sentimental (2025) - IMDb

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

O agente secreto (2025)


VENCEDOR MELHOR FILME #GLOBODEOURO2026

Vá ao cinema!!! Filme do ano, neste bom momento que vive o cinema brasileiro.

Estou torcendo muito para que ganhe os três #GlobodeOuro2026 a que foi indicado (melhor ator, melhor filme e melhor filme em lingua não-inglesa) e arrebente no #Oscar2026.

Lembrando que ganhou melhor ator e diretor em #Cannes2026.

O problema é que aí fui para o cinema com a expectativa alta demais.

Um amigo especialista me falou que é a obra prima do Kleber Mendonça, que sou fã desde sempre, mas sinceramente gostei mais de Retratos Fantasmas.

Vide as outras resenhas aqui no blog: O som ao redorAquarius

E também o canal do diretor no Vimeo: https://vimeo.com/klebermendoncafilho 

Kleber Mendonça Filho, consolida o cineasta como um dos nomes mais influentes do cinema brasileiro contemporâneo. 

Reafirma a capacidade de Kleber de captar a alma do Brasil e construir narrativas politicamente densas, esteticamente sofisticadas e profundamente conectadas à memória histórica do país. 

Aqui ele volta ao terreno da tensão urbana e da paranoia política, mas com uma abordagem ainda mais  atmosférica. A trama acompanha Marcelo, um professor universitário que retorna a Recife em 1977, fugindo da perseguição da ditadura. 

A maior virtude do filme é que ele não se explica muito, nem conclui explicitamente os arcos, saímos do do cinema debatendo várias hipóteses para diversos arcos do roteiro que ficam em aberto. O próprio título se encaixa aí e é uma metáfora com muitos significados possíveis. A história de Marcelo (que é Armando) não é entregue  de forma direta; ao contrário, o filme se recusa a explicar muito quem ele é ou o que fez, reforçando a sensação de  incerteza. 

Essa escolha narrativa é que justifica os prêmios que já ganhou e vai ganhar... a coragem do filme em não subestimar o público. Longe de seguir a estrutura clássica dos thrillers de espionagem, o filme opta por uma narrativa que se constrói a partir de detalhes. 

Assim como nos anteriores, o diretor constrói a atmosfera do filme infiltrada nos silêncios, nos olhares e na arquitetura da cidade, criando uma experiência que exige atenção do espectador, mesmo nas cenas mais lentas, que se equilibram com as mais tensas - as minhas favoritas foram a do carnaval de rua e a cena do climax final ao som da banda de pífanos.

A trilha sonora foi premiada no Festival Internacional do Novo Cinema Latino-Americano, em Havana, onde o filme venceu cinco categorias, incluindo Música Original.

Ao mesmo tempo, o roteiro equilibra momentos de humor , especialmente nas cenas com Dona Sebastiana, interpretada por Tânia Maria, cuja presença carismática é um dos destaques do elenco. 

Wagner Moura lidera o ótimo elenco, todos estão muito bem misturando atores famosos e pouco conhecidos, só o casting já mereceria prêmios. Destaque para Alice Carvalho que eu adorei na série Cangaço Novo e Thomás Aquino.

Muitos diretores tem atores preferidos, e Kleber Mendonça não é diferente, mas a sua figurinha mais carimbada é o apartamento da família em Recife, que aparece em quase todos os filmes e o mais incrível é que em cada um deles o mesmo lugar é um lugar diferente.

Minha nota é 9, mas no imdb votei 10!! Vote também no link abaixo!!

https://www.imdb.com/pt/title/tt27847051/


segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Eddington (2025)

 


Ótimo filme! A24 + Ari Aster só podia dar bom... Indicado a Palma de Ouro em #Cannes2025.

Ainda não vi Beau tem medo, mas os dois anteriores desse diretor, Midsommar e Hereditário são ótimos para quem gosta de um bom roteiro.

Aqui ele sai um pouco do terror tradicional, mas sem abrir mão do humor ácido, incômodo e claustrofobia que estão nos outros filmes

Faroeste contemporâneo ambientado em maio de 2020, no auge da pandemia de Covid-19, em uma pequena cidade do Novo México. Aster utiliza esse cenário para explorar sátira política, paranoia coletiva,  desinformação e deterioração das relações sociais, transformando a cidadezinha fictícia de Eddington em um microcosmo da crise ideológica dos Estados Unidos (e outros países também...)

O filme tem a mesma vibe de Bacurau e lembra também Não olhe para cima.

Outras refereências são os do Tarantino e A última parada no condado de Yuma.

A narrativa que parte de um conflito aparentemente simples, a rivalidade entre o xerife Joe Cross republicano radical (Joaquin Phoenix) e o prefeito democrata Ted Garcia (Pedro Pascal) e o transforma em um barril de pólvora que envolve toda a cidade. A trama é alimentada por fake news, vídeos virais, discursos inflamados e tensões raciais - te lembra algum lugar?...

Além dos dois principais, Emma Stone e Austin Butler reforçam o ótimo elenco. P

Lembrando muito Breaking Bad e Better Call Saul e os filmes dos irmãos Coen (busque #maratonacoen aqui no blog) a fotografia  reforça a atmosfera de paranoia e tensão na paisagem árida do Novo México cvocando o faroeste clássico. A montagem incorpora elementos de lives, transmissões e vídeos amadores, reforçando a crítica à cultura digital e à banalização de conflitos na internet. O resultado é uma estética híbrida que combina o velho oeste com a linguagem fragmentada das redes sociais.

A nota no imdb 6,6 mostra que muita gente não gostou, mas não é o meu caso, minha nota é 9.

Disponível em vários streamings.

https://www.imdb.com/pt/title/tt31176520/


Pecadores (2025)

 



Não curto muito franquias de super heróis, então não dei muita bola para os anteriores desse diretor Ryan Coogler  Pantera Negra e Wakanda for ever. 

Também não me impressionei muito com esse... aqui no blog tem alguns de vampiro mencionados / resenhados:

Os meus favoritos são o Daybreakers, pelo argumento. e  Fome de viver, pelo elenco!

 O Conde ganhou melhor fotografia no #Oscar2024.

E não me canso de dar nota 10 para o longa e a série O que fazemos nas sombras. 

O filme até que tenta fazer uma crítica social com drama histórico, mas não acho que ;e bem sucedido... 

Pra falar a verdade acho que não tenho repertório suficiente nem vivência para pensar o cinema estadunidense dentro do racismo estrutural estadunidense, sempre achei meio estranho esse tipo de cinema, mas tem dezenas de filmes  comentados aqui no blog...

O roteiro não é exatamente inovador ao tentar misturar denúncia com terror, hajam visto os filmes do Jordan Peele (Não olheNósCorra!)

A trama segue os irmãos gêmeos Smoke e Stack, veteranos da Primeira Guerra Mundial que retornam ao Mississippi após anos trabalhando para a máfia de Chicago. Com dinheiro roubado, eles compram uma serraria e abrem um bar com música ao vivo voltado para a comunidade negra local. A narrativa se aprofunda em tensões raciais, conflitos familiares, lendas sobrenaturais e a presença de uma força maligna que ameaça a cidade. 

Michael B. Jordan preferido do diretor, em  faz o papel duplo melhorado pelo estado da arte tecnológico. Destaque para o Delroy Lindo no elenco coadjuvante. 

A tecnologia ajuda bem na fotografia também.

A trilha sonora sem dúvida salva o filme, pois é Blues na veia - confira a trilha de canções selecionadas (soundtrack)  nesse LINK

E a trilha sonora original voce pode conferir AQUI

Nota 7,5.

Disponível em vários streamings.



domingo, 28 de dezembro de 2025

Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out (2025)


Essa franquia é como a música brega, quanto mais exagerada, melhor.

Dos trës, esse é melhorzinho em termos de roteiro. Confira as mini resenhas do primeiro, Entre Facas e Segredos  e Glass Onion.

Bom entretenimento, segue a cartilha e estrutura tradicional do gênero quem matou com pistas falsas, múltiplos suspeitos e plot twists. mas este terceiro capítulo mergulha em temas mais densos, como fé, manipulação e crise existencial. 

Suspense mais introspectivo pelo menos tenta ir além do quebra-cabeça do mistério e traz até o tema da  instrumentalização da fé e a fragilidade humana diante de líderes carismáticos e manipuladores - mas acho que os crentes (de todas as crenças) não vão  perceber isso...

 A trama gira em torno do padre novato Jud, que é desgnado para trabalhar na igreja do Monsenhor Jefferson Wicks, que só oprime seus fiéis, onde ocorre um crime aparentemente impossível, por causa de uma herança. 

A investigação conduzida pelo detetive Benoit Blanc se entrelaça com a crise espiritual de Jud, criando um contraste entre lógica e fé, razão e dúvida. 

Bom elenco (é o padrão Netflix), com destaque para Glenn Close, o detetive é interpretado pelo Daniel Craig e reunindo nomes como Josh Brolin, Josh O’Connor,  Jeremy Renner e até uma ponta do Jefffrey Wright. 

A fotografia é bacana, dá o clima gótico e opressivo que permeia toda a narrativa. 

Obvio que o Benoit Blanc surfa na onda do Hercule Poirot da Agatha Christie (Assassinato no Expresso Oriente,  Morte no Nilo e A noite das bruxas).

Nota 7, vale a pipoca.

Confira Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out | Site oficial da Netflix


No other choice / A única saída (2025)

 


Indicado a Leão de Ouro em #Veneza2025 e 3 #GlobodeOuro2026 - melhor filme, melhor filme estrangeiro e ator, mas não achei isso tudo...

Talvez meu problema é com o diretor pois o anterior Decisão de partir eu já não tinha curtido... Achei longo e lento.

Vai na crítica da automação e da ansiedade trabalhista, explorando o medo crescente da substituição humana pela inteligência artificial, com ironia e humor ácido.

Mas não é bom como Parasita

A trama acompanha Man-su, um gerente de fábrica de papel que, depois de 25 anos de dedicação, é demitido sem cerimônia. Desesperado diante de um mercado de trabalho devastado pela automação, ele decide matar seus concorrentes para garantir o único cargo humano restante no setor. 

 O filme articula temas como masculinidade fraturada, precarização do trabalho, paranoia conjugal e o colapso emocional e doméstico causado pela insegurança econômica. 

Pra ser bem sincero os do Ken Loach com esses temas são melhores... por exemplo Você Não Estava Aqui. 

Mas vá lá...  o roteiro equilibra sátira e tragédia com inteligência, oferecendo uma reflexão contundente sobre o desespero humano em tempos de crise.

O ator principal  Lee Byung-hun (Squid Game) dá uma segurada no filme, indicação merecida para o Globo de Ouro. 

A trilha sonora demonstra que a música brega é universal... 


Nota 7 - recomendo se vc como eu gosta de se antecipar ao Oscar.

https://www.imdb.com/pt/title/tt1527793/

Highest 2 lowest / Luta de Classes (2025)

 


Bom filme, Spike Lee volta com um  thriller criminal reinterpretando High and Low de Akira Kurosawa na Big Apple, com os temas típicos de desigualdade, responsabilidade e poder.

Produção A24 e Apple.

A trama acompanha David King, um magnata da música que se vê diante de um dilema moral quando o filho de seu motorista é sequestrado por engano e o criminoso exige um resgate milionário. O texto explora com profundidade a tensão entre responsabilidade pessoal e interesses corporativos, confrontando o protagonista com egoísmo, culpa e privilégio. 

Denzel Washington está muito bem no papel principal dividindo a cena com Jeffrey Wright. E Nova Iorque é sempre mais um personagem.

Sendo a história sobre dono de gravadora, a trilha ganha peso, combinando elementos de jazz contemporâneo, batidas urbanas, eletrônicas e hip hop. 

No gênero, não chega aos pés de Cidade de Deus ou até mesmo Tropa de Elite.

Lembra um pouco o Uncut Gems

Não é o melhor do diretor mas vale conferir. Nota 5,5 no imdb, dou 7. Releitura é sempre difícil...

Luta de Classes (2025) - IMDb

sábado, 27 de dezembro de 2025

Uma batalha após a outra (2025)


Bom filme, Leonardo di Caprio muito bem, merecido se ganhar o #Oscar2026 e o de coadjuvante fica até difícil pois o Benicio del Toro, rouba a cena, está melhor ainda que o principal.

E no caso do Sean Penn como machão escravo sexual é simplesmente o melhor papel da carreira -se ganhar, merece demais.

Paul Thomas Anderson está meu time de favoritos, principalmente por Magnólia e Boogie Nights, mas Licoricce Pizza e A trama fantasma não curti muito.

Aqui ele retorna com um roteiro adaptado e aquela típica energia criativa que mistura caos, sátira política, ação frenética e um humor ácido que surpreende até os admiradores.

O roteiro segue o antiherói Bob (DiCaprio), um ex-revolucionário desastrado. A trama mistura ação política, sátira social e humor desconfortável, criando um universo onde revolução, autoritarismo e violência se entrelaçam com relações familiares e traumas pessoais. Por outro lado fica naquele limite que corre o risco de reforçar o que pretendia denunciar...

Não é nenhuma Brastemp, mas quem faz o trabalho bem feito também ganha Oscar.

Nota 7.5, disponível em vários streamings.

https://www.imdb.com/pt/title/tt30144839/ 

Foi apenas um acidente (2025)


 Palma de ouro em #Cannes2025, junto com Valor Sentimental talvez seja o maior concorrente do Agente Secreto para o #Oscar2026.

Ainda não vi Sem Ursos, mas gostei mais de 3 Faces do que desse.

Dirigido pelo consagrado cineasta iraniano Jafar Panahi, frequentemente perseguido e censurado pelo regime iraniano, condição comum de outros diretores, p. ex. o premiado Asghar Farhadi ( A semente do fruto sagrado indicado ao #Oscar 2025, A Separação - #Oscar 2012, Um herói e O passado)

Como outros anteriores traz experiências pessoais do diretor, que passou meses encarcerado e chegou a realizar greve de fome para denunciar abusos. 

A força autoral de Panahi se manifesta tanto na coragem de abordar temas sensíveis quanto na habilidade de transformar dor em cinema político de altíssima potência. Ele é um cineasta que filma não apenas por vocação, mas por necessidade.  — e isso reverbera em cada minuto do longa.

O roteiro, escrito pelo próprio Panahi, acompanha um grupo de ex-prisioneiros políticos que reencontra um homem que acreditam ser seu antigo torturador. A partir daí, o filme se transforma em um estudo profundo sobre trauma, memória e responsabilidade individual dentro de sistemas autoritários. 

Diálogos densos, carregados de tensão e ambiguidade, nos quais cada personagem revela sua dor e contradições .

O roteiro também levanta questões éticas complexas - até que ponto um indivíduo deve ser responsabilizado por crimes cometidos sob ordens superiores? A vingança é capaz de reparar um trauma coletivo? E o que significa perdoar quando as feridas ainda estão abertas?

Apesar da distância cultural, o espectador brasileiro se sente familiarizado com essas temáticas, que também aparecem em muitos filmes por aqui, tanto os nacionais quanto latino americanos, p. ex. O que é isso companheiro? Batismo de sangue, Ainda estou aqui,  Argentina 1985, O olvido que seremos, entre outros (vide a lista da Carta Capital).

Com atores e não-atores, as performances são marcadas pela autenticidade, resultado tanto da direção de Panahi quanto da proximidade dos intérpretes com a realidade retratada. Bons diálogos e monólogos dão ao filme um tom de documentário.

Fotografia bacana, com destaque para um plano-sequência todo vermelho no final, que é um dos mais potentes dos últimos tempos, pensando neste tipo de filme.

Nota 7, acho que não bate o Kleber Mendonça, #natorcida.

Nos cinemas.

Foi Apenas um Acidente (2025) - IMDb