domingo, 13 de setembro de 2026

A vida dupla de Verônica (1991)


Pura poesia visual, filme para ver com os olhos e sentir com o coração, o cérebro só atrapalha...

Esse filme estava na minha lista por causa do diretor Krzysztof Kieślowski, consagrado pela sensacional "trilogia das cores", composta por A Liberdade é Azul, A Igualdade é branca e A Fraternidade é vermelha, bem como pela série Dekalog.

Essa última ainda estou assistindo pois é mais fria e sufocante que o inverno polonês.

Confesso que me senti um pouco burro depois de ver o filme, pois não li nada antes e simplesmente terminei sem entender..

Não tem como falar dele sem dar spoiler, então se vc pretende assistir, pare de ler aqui, e volte depois que tiver assistido...

O filme já é propositalmente mais enigmatico que a Esfinge e, a partir do título, a minha racionalidade atrapalhou completamente a experiência do filme, pois eu achei que a história era sobre uma pessoa com duas vidas, mas não é isso... está mais para duas pessoas que tem a mesma vida...

O roteiro nem tenta dar nenhuma explicação, e prefere sugerir, insinuar e provocar o espectador a preencher lacunas com sua própria sensibilidade. 

O roteiro é construído como um enigma emocional. A história acompanha duas mulheres idênticas  Weronika, na Polônia, e Véronique, na França (nem isso eu peguei na hora), que nunca se encontram, mas compartilham uma conexão inexplicável, meio espiritual. 

Não superei o mistério, que é tratado como elemento central, o roteiro deixa o espectador perdido de propósito de propósito dentro da proposta estética. 

Remete a outros com a temática dos duplos, tem vários resenhados aqui no blog, como por exemplo A Estrada Perdida do David Lynch,  O homem duplicado, O amante duplo, mas é de longe o mais sensorial e filmado com foco na fotografia que destaca a beleza do cotidiano...

A Irene Jacob está estonteante e hipnótica, que atriz linda, lindamente filmada!

A fotografia é espetacular, merecidamente considerada uma das mais belas já registradas no cinema. O uso de filtros dourados e esverdeados cria uma atmosfera melancólica, onírica e quase sobrenatural, reforçando a sensação transcendente do filme.  A câmera frequentemente se aproxima dos rostos, das mãos, dos pequenos detalhes, transformando gestos cotidianos em momentos de profunda significação. 

A trilha sonora predominantemente erudita é igualmente marcante e relevante, criando a atmosfera espiritual que acompanha os momentos de descoberta, perda ou conexão.

Nota 6, mais para mim que para o filme.













A odisseia (2026)


Muito barulho por pouca coisa...

Christopher Nolan já faz parte do panteão dos diretores há muito tempo, apesar da sua filmografia não ser tão extensa, mas é só block buster, listando por ordem de preferência:

A Origem, Tenet, Transcendence, Oppenheimer, Interestelar (esse na contramão do povo deixo por último, antes dos Batman e Superman).

Agora vem esse de três horas de duração que sinceramente... não precisava. Gerou muita expectativa e não é que a realidade seja ruim, mas não é isso tudo não.

Para fazer o que o Nolan ambicionou com um filme só, o Dennis Villeneuve teve que produzir toda a trilogia Duna e cá entre nós, entrega mais.

Vai ser indicado para uma reca de categorias no #Oscar2027, mas na minha régua merece mesmo somente o design de som.

Aliás, uma das principais falhas do filme é não ter uma trilha sonora com uma canção de destaque à altura, como tinha o Gladiador.

Tirando o barulho, que é talvez o motivo para vc pagar para ver no Imax, já que aqui no brasil as poucas salas de imax cortaram as cabeças filmadas (veja o link abaixo) o estilo do diretor de tentar uma abordagem psicológica mais aprofundada dos personagens, para mim naufraga completamente (isso é um trocadilho ;)

A Odisseia no Brasil não será como Christopher Nolan filmou: Apenas 41 cinemas no mundo têm essa tecnologia

Nolan certamente queria que o filme fosse tão grande quanto a obra homérica, e fosse uma reflexão moderna sobre culpa, heroísmo e trauma de guerra, mas infelizmente o elenco não entrega isso tudo.

Vale pagar o ingresso mais caro pela escala visual monumental, com tempestades, monstros e cenários da Idade do Bronze recriados com rigor técnico, reforçando aquela conhecida megalomania estética...

Acho que passou da conta, principalmente se considerar como trata as figuras femininas.

O roteiro é um pouco fragmentado alternando entre episódios da saga de Odisseu e momentos de introspecção. A narrativa enfatiza o caráter humano do personagem, retratando-o como um líder marcado pelo arrependimento e pela busca de redenção, desviando, talvez até demais do mito heróico do poema original.  

Para atender ao público do século 21, lança mão delongas narrações em off e diálogos explicativos compensado por muito raio, trovão, barulheira e briga.

Matt Damon está absolutamente linear... até o chat gpt seria mais diversificado no tom das falas...

Quando aparece a Zendaya parece que vc está assistindo Duna.

Robert Pattinson raramente consegue desvestir o vampiro emo, e não é nesse filme...

Sobrou então para a Anne Hathaway a difícil missão de ganhar um oscar de atriz, deixa ela ser indicada, mas não tem meu voto...

A fotografia corre atrás do som nas tempestades, monstros e batalhas e tenta tirar o fôlego do espectador, mas também nesse quesito o filme 300 para mim conseguiu ser muito mais eficiente...

Como comentado acima, o fato de ter sido filmado com o estado da arte em IMAX, em alta resolução, acaba levantando um debate de exclusão tecnológica - o ingresso médio de IMAX no Brasil chega aos R$60,00...

Enfim, foi feito para arrecadar milhões, paguei para ver (literalmente), acho que vale pagar, mas não posso dizer que gostei.

Nota 7, mas considerando que a minha experiência com esse foi parecida com Interestelar, recomendo que você assista, pois esse outro eu também não gostei mas todo mundo gostou...




quinta-feira, 10 de setembro de 2026

O mundo de amanhã / World of tomorrow (2015-2020)

  

Essa série é de longe a produção de ficção científica mais criativa e revolucionária que vi em anos...

Sempre falo por aqui que eu gosto de filmes de baixo orçamento e bom roteiro, mas esses conseguiram elevar essa relação quase dividindo por zero.

E não é por causa de efeitos especiais sofisticados. Exatamente o contrário. É um desenho o mais tosco possível com um roteiro que não perde em nada para o Primer, que depois que eu vi fiquei achando que nenhum outro filme de viagem no tempo presta.

É isso: esse desenho tosco de linha aí do cartaz com um dos melhores roteiros de ficção científica.

Indicado ao #Oscar2016 de melhor curta de animação.

A revista Rolling Stone, posiciona o curta entre os dez melhores filmes de ficção científica já produzidos!...

Raríssima aprovação de 100% no Rotten Tomatoes, e notas altas no IMDB: episódio 1 - 8,1; episódio 2 - 8,0 e episódio 3 - 8,2.

A trilogia, composta por World of Tomorrow (2015), World of Tomorrow Episode Two: The Burden of Other People’s Thoughts (2017) e World of Tomorrow Episode Three: The Absent Destinations of David Prime (2020), expande temas como memória, clonagem, identidade, mortalidade e o colapso emocional da humanidade diante de sua própria tecnologia. 

A trama acompanha a jornada surreal e profundamente emocional de Emily Prime, uma criança que é visitada por versões futuras de si mesma em diferentes estágios da evolução humana. 

No primeiro filme, Emily é levada por sua clone do futuro para explorar um mundo tecnologicamente avançado, porém emocionalmente devastado, onde memórias são mercadorias e a humanidade vive fragmentada. 

No segundo episódio, ela reencontra outra versão de Emily. agora sobrecarregada pelas memórias de outras pessoas. revelando um futuro ainda mais caótico, onde identidade e consciência se misturam em espirais de confusão existencial. 

No terceiro filme, a narrativa se desloca para David Prime, um descendente distante que recebe mensagens de Emily para cumprir uma missão perdida no tempo, mergulhando em um universo de clones, memórias corrompidas e destinos apagados. 

Juntos, os três curtas formam uma reflexão poética, melancólica e filosófica sobre o futuro da humanidade, a fragilidade da memória e o significado de existir em um mundo cada vez mais artificial.

O estilo minimalista, caracterizado por traços simples e figuras quase infantis, contrasta com a profundidade temática das narrativas. 

O roteiro mistura humor absurdo e sombrio, melancolia profunda e reflexões existenciais sobre o futuro da humanidade. A narrativa aborda temas como clonagem, transferência de memória, imortalidade artificial, decadência emocional e o esvaziamento das relações humanas em um mundo hiper-tecnológico. 

A trilogia expande esses temas, aprofundando a ideia de que o futuro será um lugar onde a memória e a identidade se tornam produtos instáveis, fragmentados e manipuláveis.

Com o desenho simples as vozes desempenham um papel crucial. A voz da menina tem a espontaneidade infantil que contrasta com a voz das versões adultas, em tom melancólico e distante, que ampliam a sensação de tragédia existencial. 

O estilo visual dos cenários é onírico e marcante, combinando simplicidade gráfica com complexidade emocional. A fotografia digital, com cores vibrantes e contrastes fortes, reforça a sensação de artificialidade e estranhamento. O uso de animação tradicional, misturado com técnicas digitais, cria uma estética híbrida que se tornou a marca registrada do diretor. 

A trilogia evolui visualmente a cada episódio, incorporando elementos mais complexos, como camadas de memória visual, distorções temporais e paisagens futuristas fragmentadas. Essa estética não apenas complementa o roteiro, mas também funciona como metáfora visual para a instabilidade da identidade humana no futuro.

O design de som funciona como extensão da narrativa e utiliza ruídos eletrônicos, ecos distantes e silêncios prolongados para criar uma atmosfera de melancolia futurista. 

A crítica destaca que o som funciona como extensão da narrativa, reforçando a sensação de isolamento e fragmentação emocional.  O uso de sons digitais, distorções e efeitos minimalistas contribui para a construção de um universo onde a tecnologia parece viva, pulsante e ao mesmo tempo decadente. 

Além do Primer que mencionei, remete aos sensacionais Congresso Futurista e O homem duplo - todos dois dei nota 10 -   e as séries Electric Dreams e Contos do Loop.

O episódio 1 está disponível no youtube:


Canal do diretor com clips dos espisodios 2 e 3 e entrevistas:


Nota 9. Recomendo!!!















domingo, 6 de setembro de 2026

Mayday (2026)


Desde quando eu vi o Arnold Schwarzenegger pular de um avião sem paraquedas e sair correndo em Comando para Matar de 1985, eu considero esse tipo de filme no gênero comédia e são bem-vindos.

Xaropão de Sessão da Tarde ou Tela Quente, bom entretenimento de aventura, exagerado e divertido, até mesmo na gororoba ideológica estadunidense de sempre.

Ou seja, pelo roteiro é o mesmo filme que vc já viu duzentas vezes mas vale principalmente pela boa química dos atores.

O filme se passa na década de 1980 e explora a rivalidade entre dois homens treinados para enxergar um ao outro como inimigos, redução tosca típica dos dias atuais polarizados em tudo.

A trama se desenvolve a partir de uma missão militar que se transforma em uma série de eventos caóticos, onde traições, mal-entendidos e disputas de ego moldam o destino dos protagonistas, com sequências de ação que não se levam pouco a sério. 

Mais falso que nota de 3, o filme é todo passado na Rússia, sem ter filmado uma única cena lá, algumas locações no Canadá e na Hungria. É a IA gerando lucro para o streaming.

Gostei mais do Kenneth Branagh, que entrega um ótimo timing de comédia, está melhor que o Ryan Reynolds, na mesma vibe do detetive Hercule Poirot em Assassinato no Expresso Oriente, Morte no Nilo e Mistério em Veneza.

Destaque para as pausas cômicas e coreografias das lutas filmadas mais lentas e deixaram assim mesmo, ficou parecendo que faltou acelerar.

Fotografia  saturada, enquadramentos amplos e uma direção de arte que remete diretamente ao cinema de ação dos anos 80.  O visual reforça a sensação de nostalgia, ao mesmo tempo em que cria uma atmosfera caricata que combina com o tom humorístico e exagerado da narrativa. A trilha sonora acompanha a matinê, metendo Van Halen, Kenny Loggins e Bruce Springsteen.

Geralmente não curto esse tipo de filme, mas sendo domingo depois do almoço, cabe.

Nota 7. recomendo para quem gosta de filme com soldado estadunidense atirando em russo criado por IA.

Disponível Apple TV.

Mayday (2026) - IMDb

sábado, 22 de agosto de 2026

Dia D / Disclosure day (2026)


Decepcionante, pior da carreira do Spielberg. #prontofalei.

Para quem criou clássicos como Contatos Imediatos do Terceiro Grau, ET, Minority Report, Inteligência Artificial e Guerra dos Mundos esse é fora da curva de tão ruim ... acabou virando um pastiche nostálgico dos próprios filmes do diretor...

Filmado como thriller blockbuster, gastou mais gasolina para perseguição de carro que muitos por aí, é muita freada e guinada.

Roteiro cheio de furo, o boneco do ET é muito mais verdadeiro que esse filme todo.

Lógico que o diretor tem cacife para ser pretensioso o tanto que quiser mas nem de longe consegue convencer que veio para discutir os impactos sociais da comprovação da existência de vida alienígena.

Para ser bem sincero parece que foi encomendado pelo Trump e que realmente o TikTok dominou o cinema.

Eu sou muito fã da Emily Blunt mas o roteiro não ajuda e nem a performance dela  entusiasma. O vilão Colin Firth, que é mais caricato, se sai melhor... Assim como o coadjuvante Colman Domingo que está muito bem.

A trama acompanha Daniel Kelner, um especialista em cibersegurança que se vê envolvido em uma corrida contra o tempo quando informações sigilosas sobre vida extraterrestre são prestes a ser reveladas ao público. A premissa, embora promissora, rapidamente se torna refém de um roteiro que não sustenta o peso das ideias que apresenta. A narrativa tenta equilibrar thriller político, drama humano e ficção científica, mas falha ao aprofundar qualquer uma dessas frentes.  Diversas decisões tomadas pelos protagonistas carecem de lógica, criando momentos em que o espectador percebe claramente que a história está sacrificando coerência em nome do entretenimento. 

É bem capaz de enfiarem no #Oscar2027, se o Colman ganhar pelo menos isso justificaria tanto barulho por nada...

Economize seu dinheiro, Nota 4.

quarta-feira, 29 de julho de 2026

#CoisaslindasqueDeuscriou - Cyclocosmia truncata

 



#CoisaslindasqueDeuscriou - Quando o universo dá um pum... é bom sair de perto

 

Buraco negro expele jato gigantesco e cria estrutura maior que a Via Láctea





#CoisaslindasqueDeuscriou - Belostomatidae

Da série #coisaslindasqueDeuscriou especialmente para quem tem medo de barata, conheçam essa barata d'água gigante, em cujas preferências alimentares se incluem dedões de pés humanos!


Baratas-d’água gigantes se alimentam de patos, cobras e até tartarugas - Canaltech


#CoisaslindasqueDeuscriou - Entamoeba histolytica

 

Este parasita mata células humanas e usa restos mortais delas como disfarce




Este parasita mata células humanas e usa restos mortais delas como disfarce

#CoisaslindasqueDeuscriou - Mecoptera

Deus não dá asa a cobra, mas a escorpião...


mecoptera - Pesquisa Google


domingo, 12 de julho de 2026

Seu nome / Kimi no na wa (2016)




Na minha cabeça esse filme já estava resenhado aqui no blog há muito tempo, mas não achei em lugar nenhum... como a memória atualmente é efêmera e fragmentada, resolvi fazer de novo.

Lindamente desenhado e executado... em 2019 fiz um album no facebook com os screenshots, ele ainda está lá nesse link: https://www.facebook.com/media/set/?set=a.3078979445465406&type=3

 


Dirigido por Makoto Shinkai, foi muito bem recebido pela crítica pela narrativa emocional, estética deslumbrante e construção temática sofisticada. 

Shinkai, já conhecido por explorar relações humanas atravessadas por tempo, distância e memória, alcança aqui seu ápice artístico ao transformar uma premissa aparentemente simples: a troca de corpos entre dois jovens, em uma jornada épica que envolve ficção científica, romance, drama e elementos de tragédia. 

Exige um olhar atento e paciente para ser plenamente apreciado, pois sua força reside tanto na delicadeza dos detalhes quanto na amplitude emocional do roteiro. 

A narrativa começa com humor leve, explorando as diferenças culturais e de gênero entre Mitsuha, uma jovem do interior que sonha com a vida urbana, e Taki, um estudante de Tóquio. Eles são apresentados com nuances que vão além dos arquétipos comuns do romance adolescente: ambos carregam conflitos internos, desejos reprimidos e uma profunda humanidade que se revela conforme experimentam a vida um do outro. 

Daí a trama evolui para uma história marcada por mistério, tensão e emoção crescente. A introdução de elementos como um cometa que cruza os céus e a manipulação do tempo amplia a dimensão dramática,  conectando os protagonistas por um elo que transcende a lógica e reforça a ideia de destino inevitável. O filme provoca uma sensação duradoura de nostalgia e busca, a sensação de procurar alguém cujo nome já esquecemos, mas cuja presença permanece viva na memória emocional. 

A empatia que nasce datroca de corpos funciona como o coração emocional do filme, permitindo que o público compreenda suas dores, sonhos e transformações. 

Como em todo bom anime, a riqueza visual abrange a frenética modernidade de Tóquio com a serenidade folclórica da cidade fictícia de Itomori. Cada quadro é construído com atenção meticulosa aos detalhes: reflexos de luz, cores vibrantes, paisagens campestres e o cometa que atravessa o céu funcionam não apenas como elementos estéticos, mas como metáforas visuais que reforçam a conexão entre os personagens. 

O impacto visual e emocional do filme remete a produções do Studio Ghibli, que também exploram a relação entre natureza, espiritualidade e juventude, principalmente as  dirigidas por Hayao Miyazaki, que são muitas, aqui no blog tem a resenha de O menino e a garça e O Túmulo dos Vagalumes, A tartaruga vermelha

Nota 9 com louvor!

Your Name (2016) - IMDb

Disponível HBO MAX.

Exit 8 (2025)



Bom terror psicológico japonês, vem na esteira de Backrooms, tendo sido lançado antes nos cinemas. 

Adaptação de um jogo que viralizou por sua simplicidade e atmosfera inquietante, onde o protagonista se vê preso em um loop claustrofóbico em um  corredor infinito. 

Dirigido por Genki Kawamura, produtor dos excelentes Monster e Your Name que estão resenhados aqui no blog.

Como esperado o roteiro é meio repetitivo, mas eu gosto de filmes com poucas locações e centrados no roteiro. Talvez ficasse melhor em um formato de curta metragem. Porém a camada dramática de trauma que Backrooms explora bem, aqui fica em segundo plano.

Para funcionar depende totalmente da fotografia e design de produção, para colocar na tela os pequenos detalhes que mudam de cena para cena.

Veja as referências no link de Backrooms...

A nota sai no 7...

Disponível no youtube premium e prime video.

Exit 8 (2025) - IMDb















sábado, 11 de julho de 2026

Backrooms (2026)




Filmaço, mais um para a lista de sucessos da A24.

Com o subtítulo pleonástico "Um Não‑Lugar" estreou no Brasil embalado por uma espécie de lenda urbana criada no youtube. Dirigido por Kane Parsons,  jovem cineasta youtuber estreante no cinema que viralizou com curtas no estilo found footage a respeito de salas e corredores infinitos num universo paralelo ao mundo real.

Fica entre o suspense e terror psicológico, com pitadas de horror corporal, que não curto muito, mas mesmo assim gostei muito do filme.

Já vimos dezenas de filmes que  tentam simular um pesadelo na mente das pessoas, mas esse definitivamente consegue!

Não parece novidade né? E de fato não é, vide o clássico A Origem, as séries Ruptura e Strange Things, mas mesmo assim  o filme consegue entregar um bom roteiro com muita angústia, claustrofobia, desorientação, paranoia e trauma. 

Vou chorar até o fim da vida o cancelamento da adaptação de Sandman... que tinha potencial infinito nesse argumento.

Só dá uma derrapada no final ao tentar explicar uma coisa que era para ser mais sensorial que racional. 

O roteiro funciona um pouco como uma metáfora psicológica sobre isolamento, solidão, depressão e perda de identidade que todos passamos nessa era tecnológica tão vazia. Nesse aspecto lembra o recente Se eu tivesse pernas te chutaria. 

Os personagens são um arquiteto frustrado (catarse?) e uma psiquiatra cheia de traumas.

No elenco a excelente Renate Reinsve de Valor sentimental, Armand, A pior pessoa do mundo e o principal é o Chiwetel Ejiofor, veterano talvez mais conhecido por 12  anos de escravidão.

A química entre os protagonistas segura o filme especialmente nos momentos em que a narrativa sai do terror para o drama. 

Destaque para a ponta de Mark Duplass de Sem segurança nenhuma, um dos meus favoritos de ficção científica que também de certa forma combina com esse.

A fotografia e design de produção são tudo nesse filme, tornando o labirinto interminável de salas sufocante e perturbador. 

É um filme arquitetônico, com a arquitetura impossível que já tínhamos visto em A Origem, mas que aqui vira, ao mesmo tempo sutil e explicitamente, o personagem principal. 

A câmera frequentemente se posiciona em ângulos que sugerem vigilância, como se o ambiente fosse uma entidade viva observando os personagens. A estética minimalista, com corredores idênticos e salas vazias, cria uma monotonia visual que, paradoxalmente, intensifica o terror: cada espaço parece igual ao anterior, mas sempre há a sensação de que algo está diferente ou errado. Essa ambiguidade visual é essencial para a experiência do filme, e aí que o youtuber surpreende ao transformar simplicidade arquitetônica em pesadelo psicológico.

A iluminação artificial que não funciona, a paleta amarelada quase onipresente e os enquadramentos que reforçam a sensação de repetição infinita e aprisionamento são o que tornam o filme tão sensorial.

A trilogia Cubo, Coerência e o recente Exit 8 também bebem nessa mesma fonte, mas nesse, a A24 não economizou nos cenários. Remete também a Demônio, do Shimalan,  Exam e O poço (esse último eu não gostei...). 

Found footage é por si só um subgênero do terror, então não vou nem citar os filmes...

A trilha sonora e o design de som também são elementos fundamentais para o impacto do filme, os rangidos, gemidos abafados, gritos e ruídos são parte integral da tensão claustrofóbica. O design de som utiliza ecos, reverberações, zumbidos elétricos e ruídos de ventilação para criar a sensação de que o ambiente está vivo, respirando e observando. Tem hora o som apela para os sustos clássicos para arrancar aquele grito no cinema, mas são poucas vezes.

Nota 9, assista com a janela aberta ou perto da porta, no cinema.

























domingo, 21 de junho de 2026

A caça (2012)


Indicação ao #Oscar2014 de filme estrangeiro, muito bom mas naquele ano concorreu com A Grande Beleza aí não teve chance... mas o diretor Thomas Vinterberg ganhou em 2021 com Druk.

Melhor ator e  Prêmio do Júri em #Cannes2021. 

Eu adoro a frieza do cinema dinamarquês, esse diretor frequenta muito a minha tela, tem na filmografia ótimos dramas, inclusive foi o roteirista do meu top dos tops de drama, Festa de família. O Submarino ainda está na minha fila.

Esse filme adiantou em cerca de dez anos a discussão sobre fake news, pós‑verdade, linchamento moral, cancelamento, julgamentos instantâneos e destruição de reputações baseada em percepções, não em fatos.

A trama acompanha a derrocada de Lucas, um professor de uma pequena vila dinamarquesa falsamente acusado de abuso infantil. Vinterberg constrói uma atmosfera de tensão crescente, onde a suspeita se espalha como um vírus social, corroendo relações, memórias e até a própria noção de verdade.

A complexidade da situação é muito bem explorada no filme, a comunidade não é apresentada como vilã absoluta, e também consegue explorar brilhantemente a condição da criança que faz a acusação. 

E brilhante também ao mostrar que o consenso de proteger os mais vulneráveis pode até se transformar em histeria cega. 

O roteiro deixa o espectador acompanhar a transformação da comunidade à medida que a suspeita se espalha. Evita explicações didáticas e aposta na ambiguidade, reforçando a sensação de que a verdade é frágil e facilmente manipulável. Mostra como a “verdade” pode ser construída socialmente a partir de moralismos e medos coletivos, e não necessariamente de fatos. A frieza nórdica comparece na economia. cada diálogo, cada gesto e cada silêncio contribuem para a escalada emocional que culmina em um final perturbador, sem nada de espetacular. 

Se pensar bem, a cena climax do filme, em plena missa de Natal, na frente da cidade toda até mereceria um pouco mais de barraco latino, mas a briga rola solta sem muita gritaria.

O filme tem um final aberto, mostrando a fragilidade da confiança, tão fundamental nas relações humanas - é uma bola de vidro que quando cai, ou trinca ou quebra mas jamais se recupera por completo.

O elenco secundário, composto por amigos, vizinhos e colegas de Lucas, reforça a sensação de comunidade real, onde laços afetivos podem se transformar rapidamente em desconfiança e hostilidade. A atriz mirim Annika Wedderkopp também está sensacional, com certeza mais um mérito do diretor.

Lógico que o inverno dinamarquês fornece o material adequado para a atmosfera do filme, com aquele isolamento, aperto e sufocamento gostosos, amplificando a angústia e a sensação de injustiça que permeiam o filme. Até a trilha sonora é raríssima, pois o silêncio é muito mais constrangedor.  #adoro

Por muita coincidência, recentemente assisti outro com a mesma temática, até um pouco mais pesado: Silenciados. Também remete a Armand e o limite das famílias

Já a saga dos professores e seus colegas e alunos é tema inesgotável do cinema: O professor substituto, Bad Luck Banging or Loony Porn, A sala dos professores, Club Zero, Os rejeitados...

Nota 8, recomendo para quem acha que tem reputação inabalável.

A Caça (2012) - IMDb

Disponível prime video.

domingo, 31 de maio de 2026

Full metal jacket / Nascido para matar (1987)



Sou fã do Kubrick e esse estava na minha lista há muito tempo.

Para a crítica é um clássico, mas comparando com outros filmes do diretor, não gostei tanto...

Kubrick sempre se destacou pela precisão cirúrgica, pela frieza calculada e pela capacidade de transformar temas complexos em experiências cinematográficas perturbadoras e inesquecíveis. 

Acho que quarenta anos atrás o filme se destacou por rejeitar o heroísmo tradicional e focar na desumanização sistemática dos indivíduos, mas vendo hoje, quando os estados unidos continuam fazendo isso sistematicamente, sem ninguém falar nem fazer nada, me pareceu quase uma nota de repúdio.

Achei muito abrupta a divisão do filme em duas partes, o treinamento na academia militar e o front  no Vietnã, gostei mais da primeira e achei que alguns arcos acabaram ficando abertos. O melhor personagem é o sargento,  interpretado por R. Lee Ermey. O elenco todo está muito bem.

A trilha sonora  funciona como elemento narrativo essencial, o que contribui para o caráter satírico do filme, especialmente na segunda metade, onde a ironia se torna ferramenta fundamental para expor o absurdo do conflito e a alienação dos soldados.

Não sou muito fã de filmes de guerra, mas tem alguns resenhados aqui no blog: Palestina 36, Armed only with a camera, Nuremberg, 20 dias em Mariupol, Nada de novo no front, e o mais parecido com esse: Destacamento Blood

Nota 6, fora da curva Kubrick.

Nascido para Matar (1987) - IMDb


O diabo veste Prada 2 (2026)

 


Tudo que vende pode vender mais um pouco, embalado em nostalgia. 

Já escrevi várias vezes aqui que não curto muito continuações, com raras exceções.

Esse era mais um caso que era preferível não ter feito a sequência...

Há vinte anos o filme teve tanto sucesso não somente por causa do elenco mas também pelo bom roteiro crítico ao consumismo e futilidade midiática, que de lá para cá só pioraram e meio que se tornaram o padrão das relações...

Pode ser má vontade minha mas acho que "perdeu o objeto", apesar de mais uma atuação sensacional de todo o elenco.

O que o original tinha de ousado, esse não chega a tanto, preferindo caminhos seguros e referências fáceis. Ainda assim, revisita o charme visual e o ritmo do primeiro.

Lamentavelmente Hollywood está fazendo filmes para o Tik Tok...

O filme tenta atualizar os personagens para a cena contemporânea, contextualizando a chefona Miranda Priestly na perspectiva de um protagonismo feminino e mudanças no mercado editorial - o mundo já não tem espaço para uma revista impressa de moda...

A narrativa também aborda algumas transformações nos padrões de beleza, no culto à magreza e na dinâmica do jornalismo digital, temas que se tornaram mais intensos desde 2006. No entanto, o roteiro não tem os mesmos arcos fortes e bem definidos do primeiro, com conflitos resolvidos de maneira apressada e superficial. Na pegada youtuber, traz algumas reflexões pertinentes sobre carreira, ambição e reinvenção pessoal... de leve.

Filme de elenco e não muito mais que isso. Meryl Streep, Anne Hathaway, Emily Blunt e Stanley Tucci são todos muito experientes e entregam o que se espera deles, mesmo com um roteiro ruim. A atuação competente é que continua com uma dinâmica afiada e divertida.  Hathaway faz uma Andy mais madura e consciente de suas escolhas, e Emily Blunt dá mais espaço e profundidade para sua Emily... Já Miranda ficou mais caricata e exagerando nos trejeitos e olhares, achei que poderiam ter deixado ela passar mais perrengues. Ou seja o roteiro é quase um corte de podcast.

Visualmente não tem como fugir dos glamour e figurinos bem trabalhados, mas a montagem  mais  rápida, com  linguagem audiovisual contemporânea afasta da elegância clássica do primeiro filme. 

Não contei mas a Lady Gaga aparece alguns segundos, deve ter sido um dos salários mais caros contando em dólar por segundo.

Aí que vc entende porque A substância foi aclamado pela crítica.

Nota 6.5, é o entretenimento perfeito se vc quiser só um motivo para fazer fofoca comendo pipoca.

Nos cinemas.


domingo, 19 de abril de 2026

Project Hail Mary / Devoradores de estrelas (2026)


Acho que minha relação com esse filme vai ser parecida com o Interestelar - todo mundo gosta e eu não...

Ele segue à risca a cartilhinha de blockbuster de Hollywood,  inclusive na versão atual de ficar explicando várias vezes o que está acontecendo, nesse sentido é sim um filme familiar e infantil.

A sinopse poderia ser "heróis bonitinhos que salvam o universo".

Troféu preguiça para quem fica inventando essas traduções de título...

Pode até ser saudosismo, mas nessa linha de seguir à risca a cartilha, ET é mais bacana.

O filme não tem compromisso nenhum e nem tenta ter um argumento minimamente consistente cientificamente, nesse sentido está mais para ficção que para ficção científica...

Pra mim quando falou que o sinal demorava 11 anos para chegar na Terra , ou seja o cara viajou 11 anos luz, mas a volta para casa ia durar quatro anos, perdeu, mané.

A proposta é em todos os sentidos, ser uma história leve e fofinha... e vai conquistar as multidões. Basta olhar a nota 8,4 no imdb...

Roteiro adaptado, dirigido por Phil Lord e Chris Miller, aposta todas as fichas no carisma, emoção e e bom humor - ou seja, talvez deva ser classificado como comédia romântica...

Ryan Gosling interpreta um professor que acorda sem memória em uma nave - já começa aqui minha birra com o roteiro, pois a perda de memória é só para justificar a narrativa em flash back, nesse ponto Armagedon e Impacto profundo, que também são sobre astronautas salvando o mundo, mas são lineares são até melhores...

Ele consegue ser mais leve diante do fim do mundo que o Não olhe para cima. 

Como pra mim apocalipse tem que ser de verdade, como em Melancolia e Procura-se um amigo para o fim do mundo, não tem como meu santo bater.

Além do galã vale pela competentíssima Sandra Huller cuja personagem pelo menos equilibra um pouco desse melado com alguma amargura. Tem vários filmes dela resenhados aqui no blog.

A fotografia é só de efeitos e a trilha sonora, protocolar, seguindo a cartilha.

Pra mim não bate o ET, nem Inimigo meu. Na temática astronauta sozinho dá para fazer uma lista longa de filmes melhores e de contato alienígena nem fala, aliás o Spielberg esgotou esse tema, tanto que esse tem uma cena só para tocar a música do Contatos Imediatos de Terceiro Grau.

Enfim, talvez o público esteja mesmo menos exigente e assistindo filmes no telefone.

Nota 6, se vc não se importa tanto de o mundo estar derretendo, pode ver e seja feliz.


sábado, 11 de abril de 2026

Manas (2024)


Que filme lindo e potente! Premiado na jornada de autores em #Veneza2024. 

Há muito tempo não via uma cena de abertura tão bonita! A fotografia e design de som do filme, registrando o vento, a água, os barcos e os animais da Amazônia são deslumbrantes! 

Dirigido por Marianna Brennand em sua estreia na ficção, mergulha na realidade brutal da violência sexual contra meninas na Ilha do Marajó, no Pará, e faz isso com uma combinação rara de beleza estética, rigor narrativo e profundo respeito pelas pessoas e o lugar onde elas moram,  sem recorrer a imagens chocantes ou exploração sensacionalista. Pelo contrário: a diretora constrói um cinema do silêncio, da sugestão e da atmosfera, permitindo que o horror seja percebido não pelo explícito, mas pela força emocional e simbólica das situações. 

O resultado é um filme belo, sonoro e sensível mas que também é um soco no estômago, um gesto de resistência e denúncia. 

O roteiro acompanha Marcielle, uma menina de 13 anos interpretada brilhantemente pela jovem Jamilli Correa. A narrativa se desenvolve de forma quase documental, acompanhando o cotidiano da menina enquanto ela tenta romper um ciclo de violência familiar que se perpetua há gerações. Sem melodrama, mostra o isolamento geográfico e emocional vivido pelas meninas ribeirinhas, cuja realidade permanece invisível para grande parte do país. 

O elenco  conta com  Dira Paes, que interpreta a policial Aretha. 

A fotografia é maravilhosa, transformando a Ilha do Marajó em um personagem vivo. A luz natural, os tons terrosos e a textura úmida da floresta criam uma estética que reforça a sensação de abandono e vulnerabilidade complementada com os sons naturais do cotidiano da ilha, criando uma imersão sensorial na paisagem sonora.

Me lembrou o português A metamorfose dos pássaros. Nos aspectos de violência e abuso estruturais dialoga com Que horas ela volta?  e Domésticas

Nota 10. O Brasil que os brasileiros não conhecem e precisam ver.

Disponível globoplay.

Manas (2024) - IMDb


domingo, 15 de março de 2026

A vida de Chuck (2025)



Esse diretor costuma fazer coisas mais para terror como Doutor Sono e A maldição da Residência Hill, que está na minha fila.

Este também é uma adaptação do Stephen King. 

Diferente das narrativas de terror pelas quais esse autor é mais conhecido, esta história aposta em uma abordagem mais humana, contemplativa e emocional, explorando a vida de um homem comum enquanto o mundo ao seu redor parece se dissolver.

Mistura de gêneros -  fantasia, ficção científica e drama existencial. 

Enquanto a realidade começa a se desfazer de maneira inexplicável, a trama mostra a trajetória de Charles Krantz de trás para frente. O filme apresenta diferentes momentos da vida de Chuck, desde os instantes mais íntimos de sua infância até os dias que antecedem o fim do mundo, mostrando como suas experiências, encontros e escolhas moldam a percepção do que significa existir. À medida que o enigma por trás do fapocalipse se entrelaça com sua história pessoal, a narrativa transforma o caos em uma reflexão sobre a importância dos vínculos humanos e sobre como gestos aparentemente pequenos podem carregar um peso imenso quando vistos em retrospecto.

No final do dia tem uma mensagem até bastante positiva, da vida comum e do cotidiano como dádivas para as quais temos que construir um sentido.

O texto explora conceitos de física quântica, espiritualidade e existencialismo.

A fotografia e a trilha sonora desempenham papéis fundamentais na construção da atmosfera contemplativa do filme. 

Parece bastante com Árvore da VidaBrilho eterno de uma nente sem lembranças e remete também ao Curioso caso de Benjamin Button. 

Nota 7, recomendo. 

Disponível nos streamings.

A Vida de Chuck (2024) - IMDb

Anaconda (2025)

Remake é igual reality show: ninguém admite que assiste, mas o investimento retorna.

Para ver o Selton Mello brilhando na carreira internacional, a gente releva qualquer coisa - a selva amazônica no Rio, o Brasil latino sem infraestrutura, ao som de flauta andina e pio de condor e daí para baixo...

Do mesmo diretor Tom Gormican de O peso do talento, relendo a resenha vejo que tive a mesma impressão neste...

Irreverente e artificial de propósito, o filme é uma sátira bem exagerada misturando ação, comédia e metalinguagem, acompanha os amigos Griff  (Paul Rudd), Doug (Jack Black), Kenny (Steve Zahn) e Claire (Tandiwe Newton) em uma jornada pela Amazônia para filmar um reboot do seu longa favorito (adivinha o nome), até que uma anaconda gigantesca transforma a aventura em caos real.

A fórmula, já bem batida em filmes como Deadpool e outros desvia a atenção do roteiro para justificar perseguições pirotécnicas... 

Pelo menos os personagens falam português e não tem piada com os indígenas, só com mal tratos a animais selvagens, mesmo... 

Nesse contexto estadunizado a performance do Selton Mello como Santiago, treinador de cobras, se destaca, ele está ótimo com as falas e tempo de tela reduzidos - assista as cenas pós créditos!!!

Tem um pouco a mesma vibe de Rebobine por favor, pois a trama gira em torno de uma paródia suecada e não autorizada do filme original.

Nota 6, recomendo no domingo após o almoço depois de umas cervejas.

Disponível nos streamings.

Anaconda (2025) - IMDb

O som da queda (2025)


Sensorial, denso, pesado, longo e difícil de entender, com certeza não é para "o grande público"...

Indicado a Palma de Ouro e vencedor do prêmio do júri em #Cannes2025, entrada da Alemanha para o #Oscar2026,  não foi indicado.

Desde Cloud Atlas aka A Viagem, que eu não achava um filme tão difícil de entender.

O filme tem um tom sombrio e fantasmagórico, totalmente sensorial e não-linear, nem no tempo nem nos cruzamentos das quatro histórias que estão dentro do roteiro. 

Pra ser sincero duas das histórias eu até achei que eram uma só, somente depois lendo sobre o filme que eu descobri que não...

O filme gira em torno da violência contra as mulheres e opressão patriarcal.

De uma maneira parecida com Valor Sentimental, o roteiro utiliza como elemento central uma fazenda,  que testemunha e aprisiona várias gerações de mulheres. 

Escrito e dirigido por Mascha Schilinski em parceria com Louise Peter, o roteiro acompanha quatro gerações de mulheres que habitam a fazenda ao longo de décadas, alternando entre épocas sem explicações explícitas ou transições convencionais, eu nem consegui diferenciar duas delas.

Não tem explicações, diálogos expositivos ou arcos tradicionais, as quatro histórias vão rolando ao mesmo tempo, misturadas e sem ordem, nem temporal, dentro de cada uma delas, deixando para o espectador o desafio - difícil - de concatenar o que está passando na tela.

Essa escolha reforça a atmosfera de mistério e desconforto, que também exige do espectador uma postura ativa, interpretativa e paciente. O resultado é um filme que se recusa a ser facilmente decifrado, apostando em simbolismos, metáforas visuais e na força do que não é dito. 

A fotografia é central na proposta do filme, a câmera, frequentemente se comporta como um fantasma observando a cena, como se algo invisível acompanhasse as personagens. 

Nesse sentido lembra muito Os Outros, a estética do filme aproxima muito de um filme de terror, mas não é isso... trata-se de um drama cru e visceral.

Essa proposta visual não apenas embeleza o filme, mas também intensifica sua temática, transformando a casa e o campo em espaços carregados de memória, dor e silêncio. Talvez seja a grande virtude do filme e para ela dar certo, grande parte se deve também ao design de som, fundamental na construção da atmosfera opressiva do filme - inclusive acho que daqui que saiu o título.

Me remeteu também um pouco ao ótimo Sombras da Vida, que mesmo sendo também muito não-linear, é mais palatável... lembra também o Dogville e Manderlay

Nota 7, recomendo para quem consegue assistir em alemão sem legendas.

O Som da Queda (2025) - IMDb


domingo, 8 de março de 2026

O cavaleiro dos sete reinos (2026~)

Eu sou do grupo de fãs que odiou a última temporada de GOT, mas continua gostando do conjunto da obra.

A Casa do Dragão também está ajudando na contenção de danos.

Mas essa... não.

Bela xaropada medievalesca.

Os episódios mais curtos e o tom mais bem humorado do personagem são pontos positivos mas não revertem o melodrama agridoce, mesmo com nudez frontal, sangue espirrando e cabeça quebrada.

Muita conversa e pouca treta, não faz jus à franquia. 

O ator mirim se sai melhor que o principal.

Nota 5, não recomendo. Só pode ser robô votando no imdb para chegar em 8,8.

Série HBO.



Tron ares (2025)

 


Tudo que vende sempre pode vender mais um pouco, sem sair da zona de conforto.

Quando eu era adolescente eu gostava de desenhar as naves do primeiro filme que em 1982 era pura inovação.

Dirigido por Joachim Ronning, que já trabalhou na franquia Piratas do Caribe.

Passados 12 anos da sequencia Tron o Legado, esse desloca o foco do Grid para o mundo real, explorando o impacto do encontro entre humanidade e inteligências artificiais avançadas, argumento já bem batido...

 O roteiro tenta equilibrar nostalgia e atualização temática, sem muito sucesso. A trama envolve a chegada de Ares, um programa altamente sofisticado, ao mundo real, inaugurando o primeiro contato entre humanos e uma IA plenamente consciente. 

Segue a cartilhinha de filme de ação + ficção sem desviar nem um milímetro.

Confira a listinha que deixei na resenha de A resistênciaMetropolis, 2001, Inteligência Artificial do Spielberg,  Blade Runner e a sua continuação de 2049, Matrix com destaque para Animatrix, os recentes Ela e Ex Machina, O Homem Bicentenário, Eu Robô, alguns episódios de Black Mirror... 

Aqui no blog já resenhei alguns desse tema: Robot & Frank, A garota artificial, I'm your man, Archive, After Yang

Destaque para o  Jared Leto e a Gillian Anderson merecia mais tempo de tela. Já o Jeff Bridges ficou meio protocolar. 

Com o roteiro mais ou menos, quem segura são os efeitos visuais e a trilha, composta pelo Nine Inch Nails. 

Nota 7, recomendo para quem gosta de pipoca sem sal e vai entender tudo mesmo se dormir no meio do filme.

Disponivel prime e disney.

Tron: Ares (2025) - IMDb