Curta de 31min indicado ao #Oscar2026, tema sensível e polêmico: aborto.
Acompanha o cotidiano de Tracii, gerente de uma clínica de aborto em Atlanta, que enfrenta diariamente protestos, ameaças e pressões crescentes em um cenário político cada vez mais hostil à questão, que com toda sua complexidade, é também de saúde pública.
Mergulha na rotina da equipe que, apesar do clima de hostilidade, mantém o compromisso com o cuidado, a empatia e a segurança das pacientes.
A protagonista tem lá suas questões de fé, e sua espiritualidade contrasta com os estereótipos frequentemente associados a esse debate.
O roteiro mostra um retrato cotidiano da clínica, evitando explicações didáticas ou entrevistas extensas. Enquanto as pacientes chegam, do lado de fora da clínica ativistas religiosos fundamentalistas gritam e hostilizam. A narrativa se desenvolve a partir da convivência com a equipe da clínica, revelando tanto os desafios logísticos quanto o desgaste emocional provocado pela presença constante de manifestantes.
O formato permite que o espectador compreenda a dimensão humana e social das atividades da clínica, cumpre o papel de provocar reflexão e expor a realidade de um ambiente frequentemente invisibilizado pelo debate público. Por outro lado, tem dificuldade de aprofundar mais o contexto histórico e político da questão. Nesse sentido talvez se aproxima mais de uma reportagem estendida do que de um documentário plenamente desenvolvido.
Dos concorrentes ao #oscar2026 falta ver só Rompendo Rochas, dos outros que já resenhei aqui no blog, (busque no blog com a essa hastag) achei esse o mais fraco.
Tem vários longas resenhados aqui no blog sobre esse tema que vale conferir: Nunca, raramente, às vezes sempre, que também envolve uma clínica, A garota da agulha, indicado a melhor filme internacional no #oscar2025, O eventoLeão de Ouro em #Veneza2021,
Bom filme, xarope, indicação merecida para melhor atriz no #Oscar2026, #Bafta2026 e #Globodeouro2026.
Eu fiquei protelando de ver porque não gosto muito de musical, ainda mais misturado com romance.
Mas o filme me surpreendeu, é xarope, mas é bom, indicação merecida para Kate Hudson, o Hugh Jackman e o resto do elenco seguram muito bem o filme.
Assisti sem saber que é baseado em uma história real, meu cérebro simplesmente desconsiderou essa informação que aparece logo na primeira cena...
Registra, com várias licenças melodramáticas, a trajetória real do casal Mike e Claire Sardina, dois artistas de Milwaukee que, após se conhecerem por acaso no fim dos anos 1980, transformam suas vidas ao formar a dupla de tributo a Neil Diamond conhecida como Lightning & Thunder. O filme segue a sua ascensão, desde pequenos palcos até abrir shows para grandes bandas como Pearl Jam, enquanto revelaos desafios pessoais que ameaçam destruir tudo o que construíram juntos: o alcoolismo de Mike, o acidente em que Claire perde uma perna, a depressão e as tensões que abalam o casamento, o segundo de ambos, tendo ela já um casal de filhos adolescentes.
Musical biográfico que mistura romance, drama e nostalgia pop, sustentado por uma estética que remete ao show business norte‑americano e às histórias de superação típicas do gênero. A narrativa combina humor, melancolia e momentos de brilho musical, ancorada na trajetória real do casal. Entre recaídas e reconciliações, o filme argumenta sobre a força da música que os uniu, como o amor resiste às tragédias e como a arte se torna um refúgio e uma forma de sobrevivência, na busca de um sonho que parece sempre escapar.
Raio e Trovão? Eu não conhecia, mas com certeza alguém copiou isso na hora de dar nome para a novela da extinta Rede Manchete, que depois voltou no SBT!!
Eu não tenho muito a dimensão do tamanho do Neil Diamond dentro da música estadunidense, então isso atrapalha um pouco o entendimento do filme, mas dá para deduzir que eles foram um sucesso local fazendo uma interpretação exageradamente brega das músicas do cantor.
Mas a compreensão mais ampliada do contexto do filme só fui ter depois de assistir quando descobri que na realidade ele partiu de um documentário homônimo de 2008, dirigido por Greg Kohs que assina o roteiro junto com o diretor Craig Brewer.
A realidade sempre ultrapassa a ficção então fica a sugestão para vc assistir o documentário primeiro, eu vi depois, ele está disponível no youtube, onde tem MUITO material sobre a dupla:
Enquanto o longa-metragem ficcional opta por uma abordagem mais calorosa, musical e dramatizada, o documentário mergulha nos bastidores da vida do casal, expondo com honestidade suas vulnerabilidades, dificuldades financeiras, problemas de saúde e a força emocional que os mantinha unidos no palco e fora dele.
O documentário funciona quase como uma camada subterrânea do filme de hollywood, oferecendo contexto, verdade e textura emocional que reforçam a potência da história real por trás do filme.
O elenco segura o filme. Eu só me lembrava da Kate Hudson em Quase Famosos, de décadas atrás. Só escrevendo essa resenha que o imdb me lembrou dela em Knives Out Glass Onion. Bom ver o Hugh Jackman exorcizando o Wolverine, cantando em musical algo que ele já tinha experimentado em Os Miseráveis e já provou sr bom de drama em Um Filho. Outro que está ótimo no papel é o Jim Belushi.
Ótima química entre os dois principais e claro a trilha sonora é a espinha dorsal do filme, que faz ele ser bom, mesmo quando é ruim. Os fãs do Neil Diamond devem amar...
Vc pode conferir a trilha sonora original no link abaixo, clique no link do Youtube e veja também os clips no final da resenha.
Nota 8, divertido, eficiente sem ser genial nem inovador e acho que daqui a 20 anos vai estar passando na Sessão da Tarde, que será transmitida diretamente com anúncios para a cabeça de quem não pagar o plano premium.
Recomendo para quem curte melodrama com melodia e o documentário para quem curte melodia sem melodrama.
Se vc gostou de Nasce uma Estrela (que não foi o meu caso) vai curtir esse também. Outro parecido é Rocketman. Em 2022 foi indicado o Tick Tick Boom. E sempre comento o Rock Star com o Mark Walberg.
Bom filme, Prêmio do Júri em #Cannes2025, indicado a palma de ouro, concorrente espanhol do Agente Secreto no #oscar2026, concorre também merecidamente a melhor som, mesmas indicações que teve no #Globodeouro2026.
Não conheço os anteriores dele, dizem que ;e conhecido pelo plot twist em determinado ponto da narrativa, transformando a experiência em algo mais intenso, doloroso e existencial, como é o caso aqui.
Esteticamente o filme me agradou bastante pela brutalidade, abre com uma rave muito doida no meio do deserto, a trilha ajuda bastante no filme.
Como eu curto tragédia, não tive problema nenhum com o desconforto crescente e aflição que o roteiro propõe. É do tipo que começa ruim e vai só piorando.
A trama acompanha Luis (Sergi López) e seu filho Esteban (Bruno Núñez Arjona) em uma jornada desesperada pelo deserto marroquino em busca de Mar, filha e irmã desaparecida após participar de uma rave. A narrativa se estrutura inicialmente como um drama de busca, mas logo se transforma em algo mais sombrio, quase apocalíptico, refletindo tanto a degradação emocional dos personagens quanto o colapso simbólico de um mundo em crise.
O título se refere a uma imagem do islamismo, Sirat significa uma ponte estreita sobre o inferno, simbolizando a experiência que força o espectador a atravessar, junto dos personagens, um caminho de dor, perda e revelações perturbadoras.
Todo o elenco está muito bem, liderado pelo mais experiente Sergi López.
A fotografia e edição de som são bem bacanas, e transformam o deserto marroquino literalmente em uma bad trip. A trilha sonora combina música eletrônica pulsante com paisagens sonoras abrasivas, criando uma atmosfera que alterna entre o transe e o terror.
Lembra um pouco os filmes da franquia Mad Max, mas é mais bruto, tipo os filmes do Michael Haneke e Michel Franco, confira minha resenha do Nuevo Orden.
Nota 8, recomendo para quem não se incomoda com personagem que morre de repente.
Alguns curtas indicados ao #oscar2026 estão disponíveis na internet.
Animação em curta metragem:
Papillon
Combina pintura em movimento e narrativa poética para contar a história profundamente emocional de Alfred, um homem que revisita memórias marcadas por perda, identidade e transformação. A natação surge como um elemento simbólico central: é na água que Alfred encontra tanto refúgio quanto confronto, mergulhando em lembranças que o moldaram. Com uma estética fluida e efeitos de água que chamam atenção, o filme conduz o espectador por lembranças fragmentadas que revelam tanto a beleza quanto a dor de sua trajetória, resultando em uma obra visualmente deslumbrante e comovente.
Forevergreen
Em meio a uma floresta marcada por frio, fome e perigos crescentes, um filhote de urso luta para sobreviver após se ver sozinho. A jornada o leva por rios turbulentos, incêndios devastadores e encontros ameaçadores, enquanto a natureza ao redor oscila entre acolhimento e brutalidade. No entanto, mesmo diante da destruição, o curta revela uma mensagem profunda de renovação: guiado por instinto, memória e amor, o pequeno urso encontra força para transformar a dor em vida nova, culminando em um renascimento simbólico que celebra a resiliência e a ligação eterna entre seres vivos e a própria floresta.
No canal do youtube tem bastante material bacana, com mini curtas e o making of.
Retirement Plan
Acompanha Ray, um homem comum que imagina tudo o que fará quando finalmente se aposentar — uma lista de desejos que vai de escrever poesia a fazer trilhas, passando por pequenas ambições que ele sempre adiou. À medida que Ray envelhece diante de nós, percebemos que seus planos permanecem planos, e é justamente nessa mistura de graça, frustração e humanidade que o filme encontra sua força, convidando o espectador a refletir sobre o que deixamos para “depois”
Está no site do New Yorker (necessário acessar com VPN)
A garota que chorava pérolas
Lindíssimo, fábula sombria aum menino pobre se apaixona por uma garota cuja tristeza se transforma, literalmente, em pérolas. Fascinado e desesperado, ele passa a vender essas lágrimas preciosas a um agiota voraz, que exige cada vez mais. À medida que a cobiça cresce, o garoto se vê dividido entre o amor e a promessa de riqueza, numa história que expõe o preço da inocência e o poder corruptor do desejo. Com animação em stop‑motion meticulosa, narração hipnótica e uma atmosfera de conto moral, o curta transforma uma parábola simples em algo profundamente evocativo.
Eu imaginei muitas formas de começar esse post, falando da estátua da liberdade, do hino que fala de justiça para todos, do presidente, mas fiquei com preguiça e vou resumir a dizer que os estados unidos sempre foram e ainda são o país mais brega do planeta.
Oxalá nos deixem em paz.
Dos documentários em longa indicados ao #oscar2026 ficou faltando ver somente Cutting through rocks, que ainda vai estrear em 2 de março e promete, veja o trailer aqui.
No momento em que assistimos o governo fascista matar e impor sofrimento a milhões lá dentro e mundo afora, vem mais esse documentário doloroso e urgente sobre o colapso do sistema prisional estadunidense.
É uma denúncia frequente, vide a resenha do Attica, indicado no #oscar2022, na época inclusive coloquei alguns números da situação brasileira.
No ano passado concorreu o excelente Sing sing, que nem foi muito comentado, mas era o meu favorito da temporada.
Longe do glamour de A espera de um milagre, Um sonho de liberdade ou Fuga de Pretória, a fala do juiz Champ Lyons presidente de um grupo de estudos criado pelo governo do Alabama em uma audiência pública realizada em 2019 resume o filme:
"Agora que traçamos as regras desta reunião, vamos começar. É claro que a maneira de garantir proteção absoluta e total ao público após a condenação por um crime seria a execução de todos os condenados.No entanto, a consciência e os limites da Constituição dos Estados Unidos não toleram uma consequência tão extrema para atos ilícitos. Portanto, convivemos com a realidade de que a maioria daqueles que são condenados por crimes um dia voltará a andar pelas ruas.”
A wikipedia diz que o projeto nasceu após uma visita a uma prisão em 2019, quando detentos se aproximaram dos cineastas para relatar abusos e negligências, desencadeando uma investigação de seis anos que culminou neste filme impactante. Wikipedia
O diretor Andrew Jerecki fez anteriormente a série The Jinx sobre um milionário condenado por assassinato.
A narrativa acompanha especialmente o caso de Steven Davis, um homem encarcerado que morreu após ser brutalmente espancado por guardas, e a luta de sua mãe, Sandy Ray, por respostas e justiça. O filme também destaca a atuação de líderes encarcerados como Robert Earl Council e Melvin Ray, fundadores do Free Alabama Movement, que utilizam celulares contrabandeados para registrar abusos e organizar protestos internos. A estrutura do documentário combina denúncia, testemunho e análise institucional, revelando não apenas casos isolados, mas um sistema inteiro marcado por violência, negligência e impunidade.
Para quem se interessa por racismo estrutural, injustiça criminal, encarceramento em massa e violações de direitos humanos em terras ianques, o documentário A 13a emenda está disponível no youtube:
Não tenha dúvida que Brecht estava certo - a cadela do fascismo está sempre no cio. Fascismo nem se discute, somente se combate. Abaixo o fascismo.
Não sou muito fã de terror, assisti mais pelo ritual de ver todos do #Oscar, mas achei esse mais para suspense até razoável na média de hollywood, roteiro com bons plot twists e narrativa não linear, tipo flashback, revisando os vários pontos de vista dos personagens.
A atriz Amy Madigan foi indicada ao #oscar2026 pela caricata tia Gladys.
Bom elenco, fiquei fã da Julia Garner depois de Ozark, aqui no blog tem uma mini resenha deInventando Anna. Josh Brolin também está bem na fita.
A premissa gira em torno do desaparecimento simultâneo de várias crianças em uma pequena cidade, desencadeando paranoia coletiva contra a professora dos meninos.
Como sempre apareceu alguém para lacrar na tradução do título... good light é um neon no quarto da protagonista...
A finitude é a síntese da condição humana. Falar disso é sempre delicado e o documentário faz isso de uma maneira absolutamente sincera, leve e lúcido, sem cair no sentimentalismo ou otimismo forçado.
O filme acompanha o último ano de vida da poeta e ativista estadunidense Andrea Gibson, diagnosticada com um câncer incurável, e sua relação com a esposa, também poeta, Megan Falley.
Andrea faleceu em julho de 2025, o que fiquei sabendo depois de assistir.
A direção aposta em uma estética de proximidade, com câmeras que parecem respirar junto às protagonistas, criando uma atmosfera que mistura leveza e dor, riso e despedida. Essa recusa de um tom solene privilegia o humor como pacto de sobrevivência, como forma de resistência diante do inevitável.
A narrativa se desenvolve como um mosaico de momentos íntimos, registros cotidianos e reflexões profundas sobre amor, mortalidade e legado. O riso se torna ferramenta de resistência e, como a poesia, funciona como ponte entre o presente e o que está prestes a se perder.
A vida com um diagnóstico terminal como ela é: dias bons e ruins, momentos de leveza e de colapso, sem grandes heroismos. Aliás uma das cenas mais legais é quando a protagonista recita a lista das pequenas coisas que ela quer fazer antes de morrer.
Esse filme não está no #oscar2026 pela competição.
Ele está lá para que você não possa ignorar e não querer ouvir que o exército israelense assassinou a sangue frio uma menina palestina de seis anos que ficou horas pedindo socorro ao Crescente Vermelho, baleada e presa dentro de um carro debaixo dos cadáveres da sua família que tentava fugir de Gaza, e após retardarem o máximo que puderam a chegada da ambulância ao local, explodiram a ambulância com os enfermeiros que estavam dentro dela.
É isso os fatos falam por si. O filme foi feito para que escute a voz de um povo que está sendo exterminado e aja, como puder.
Vi o filme sem saber da produção, eu adorei o anterior da diretora tunisiana Kaouther Ben Hania, resenhei aqui no blog O homem que vendeu sua pele, também indicado ao #Oscar2021.
Produtores e produtores executivos: Lina Chaabane Menzli , Nadim Cheikhrouha, Odessa Rae, James Wilson, Karim Ahmad, Samar Akrouk, Badie Ali, Hamza Ali, Sawsan Asfari, Erin Levin Bernhardt, Farhana Bhula, Alfonso Cuarón, Geralyn White Dreyfous, Rami Elghandour, Hassan Elmasry, Dede Gardner, Frank Giustra, Jonathan Glazer, Jorie Graham, Ted Haddock, Ali Jaafar, Amed Khan, Jemima Khan, Jon Kilik, Jeremy Kleiner, Grace Lay, Katherine Embiricos LeFrak, Mohannad Malas, Rasha Mansouri, Rooney Mara, Francesco Melzi d’Eril, Gabriele Bebe Moratti, Andy Nahas, Hana Al Omair, Joaquin Phoenix, Brad Pitt, Guillaume Rambourg, Sarah Rambourg, Michella Rivera‑Gravage, Ramez Sousou, Tiziana Sousou, D.D. Wigley, Elizabeth Woodward e Rostam Zafari.
A diretora optou por uma abordagem que evita o sensacionalismo visual e aposta na força do som, da espera e da ausência, adotando o atendimento pelo telefone como eixo dramático e simbólico.
Todos os áudios da menina são reais e várias imagens reais documentais de arquivo e captadas por celular também foram usadas no filme, sem recorrer a imagens explícitas de violência, o que não afasta o espectador do horror e da sensação de claustrofobia e impotência dos funcionários do Crescente Vermelho.
Prêmio Especial do Júri em #Veneza2025, indicado ao #Globodeouro2026 e #Bafta2026.
Se vencer o Agente Secreto, só temos que aplaudir respeitosamente.
Aqui no blog tem muitos com a mesma temática resenhados, confira a lista na resenha de No other Land que ganhou ano passado.
Faça como eu e dê uma nota 10 no imdb para que mais pessoas vejam o filme.
Depois que vi o filme que fui saber quem era o diretor, Josh Safdie, o mesmo de Joias Brutas.
Fiquei achando que o Adam Sandler ficaria muito melhor que o Chalamet nesse papel por causa desse filme e depois que descobri que é o mesmo diretor, chego a conclusão que os dois filmes tem muito mais em comum, a começar pelo ritmo.
Aliás é o Sandler que segura o Jay Kelly, filme que passou batido merecidamente na temporada.
Bom roteiro e o ator principal está muito bem, mas o Wagner Moura está melhor no Agente Secreto.
Ritmo inquieto e acelerado, inclusive nos diálogos, lembra um pouco os filmes do Guy Ritchie, mas achei esse pior que o Jóias Brutas.
Salvo engano aúltima vez que vi ping pong em um filme de Hollywood foi em Forrest Gump.
Inspirado na figura real de Marty Reisman, mistura de drama, comédia e elementos biográficos. A trama acompanha Marty Mauser, interpretado por Timothée Chalamet, um jogador de tênis de mesa dos anos 1950.
Belo design de produção, recria em detalhes a atmosfera dos anos 1950, desde figurinos e cenários até a linguagem corporal dos atores.
Ao mesmo tempo, o diretor insere elementos modernos na narrativa, como cortes rápidos tipo tik tok. A câmera frequentemente acompanha Marty de perto, criando uma sensação de urgência e tensão que permeia toda a narrativa.
Evidencia o que o Matt Damon denunciou - estão produzindo filmes para celular...
Filme passado na universidade com as tretas dos professores arruinando as carreiras uns dos outros e saindo no tapa com os alunos? Vou gostar disso??? Que isso...
Esnobado no #oscar2026 e pela crítica em geral, indicação merecida da Julia Roberts no #Globodeouro2026, fui assistir dando nada pelo filme é depois de ver quase todos chego a conclusão que era um dos melhores...
Ótimo ver a atriz num papel que foge do lugar comum. Igualmente o Andrew Garfield. Michael Stuhlbarg está muito bem de coadjuvante.
Não gostei da atuação da Ayo Edebiri, achei que não deu conta do papel, que é central na trama, acaba ancorando o filme.
Eu não gostei muito do anterior do diretor Luca Guadagnino, Me chame pelo seu nome, mas esse tenho que elogiar.
Sem preocupação de entreter, mas sim de incomodar, drama psicológico transitando entre suspense moral e crítica social, muito bem filmado, gostei muito dos planos focados em partes do corpo, p. ex. nas mãos, movimentos da câmera e a trilha sonora distorcida e dissonante gera um clima de Hitchcock - teve crítico que achou um desastre, eu adorei o som do filme.
O roteiro acompanha Alma, uma professora de Yale que se vê no centro de uma crise institucional quando uma aluna medíocre e rica, cuja família é patrocinadora da instituição, acusa um colega professor de abuso sexual, e ameaça revelar um segredo obscuro do passado da própria protagonista.
A trama se desenvolve com ambiguidades morais, tensões e motivações conflitantes, abordando a vida feliz acadêmica com a sua rotina de manipulação, abuso de poder e falta de ética.
A nota do filme no imd está baixa (5,7) pois só quem vive isso na pele vai sentir a catarse. Acho que o espectador médio também vai estranhar a atmosfera fria e opressiva, mas extremamente realista, dos espaços universitários.
Por coincidëncia assisti na mesma semana que viralizaram as fotos dos brucutus monitores dando aula em escola cívico-militar sem saber escrever.
Realizado por Pavel Talankin, um jovem russo que além de co-dirigir, atua como protagonista e registra o cotidiano de uma escola primária em Karabash, uma cidade mineradora pobre próxima aos Montes Urais, famosa pelo meio ambiente pouido, uma espécie de Cubatão russa.
O filme revela como instituições educacionais russas foram transformadas em centros de doutrinação e recrutamento militar durante a invasão da Ucrânia, expondo a máquina de propaganda estatal e o impacto direto sobre professores e crianças, a pressão ideológica imposta pelo governo russo.
Merece a indicação pelo olhar particular sobre o contexto. Feito de uma maneira naturalmente amadora e bem pessoal, talvez a maior virtude do filme é conseguir vazar uma impressão autêntica de um cidadão russo que não apoia o regime, e que causa incômodo inclusive pelo tom leve e alto astral que trata a guerra, inclusive as baixas do lado russo.
A indiferença dos cidadãos de Karabash com a guerra me deixou pensando em como as cidades próximas dos campos de concentração nazistas também ignoravam o que acontecia lá (vide Zona de Interesse e nessa temporada resenhei aqui o Nuremberg).
Fascismo na escola já rendeu ótimos filmes como A Onda, Clube Zeroe outros.
Talankin, ao assumir simultaneamente as funções de professor, cinegrafista e protagonista, torna-se o eixo emocional da narrativa. Sua presença em cena transmite vulnerabilidade e determinação, especialmente quando confrontado com diretrizes governamentais que transformam a escola em um braço da máquina militar. Os alunos, por sua vez, aparecem como vítimas silenciosas de um processo de doutrinação que molda sua visão de mundo desde a infância. A interação entre professores e estudantes, captada de maneira espontânea, revela tensões, medos e momentos de resistência discreta. Essa dimensão humana, reforçada pela ausência de dramatizações artificiais, contribui para que o documentário alcance um impacto emocional diferenciado.
Gostei, mas como documentário denúncia, o vencedor do #oscar Navalny, é muito melhor.
Nota 7, recomendo, vale assistir para apoiar a coragem do realizador.
Uma demonstração de que fascismo não se discute, somente se combate.
Tributo ao trabalho do jornalista estadunidense que dedicou a vida a registrar conflitos ao redor do mundo, sempre guiado por uma ética de proximidade e vulnerabilidade.
Nessa terceira temporada em que o mundo assiste a guerra da Ucrânia e o rearranjo da geopolítica mundial sem a ONU, é um importante testemunho histórico.
Brent foi morto por soldados russos enquanto cobria o conflito.
O irmão Craig faz uma homenagem e completa sua última reportagem, transformando o filme em um gesto de continuidade e resistência. O resultado é um documentário que se equilibra entre a crueza do front e a delicadeza do afeto, construindo uma narrativa que transcende o registro jornalístico.
O documentário também apresenta trechos e memórias de outros conflitos que Brent documentou ao longo dos anos: inclui coberturas no Iraque, Afeganistão,Haiti, Egito, Líbia, Síria e a crise de refugiados na América Central. Esses conflitos aparecem no documentário por meio de imagens de arquivo e relatos de colegas, compondo o mosaico da carreira dele.
Entre os pontos mais destacados pela crítica está a capacidade do documentário de contextualizar a trajetória do cineasta sem perder de vista a dimensão política e histórica de sua morte.
Indicação merecida de melhor ator para o Ethan Hawke no #oscar2026 e #Globodeouro2026, mas que filme chato...
Dificílimo para o público brasileiro, concentra em uma única noite da vida do letrista Lorenz Hart, que não tenho ideia de quem é, imagino que pouca gente no Brasil saiba...
São praticamente duas horas com ele sentado no bar conversando com os demais personagens.
Roteiro adaptado do romance de 2020 de Maggie O’Farrell, uma obra que reimagina a vida doméstica de William Shakespeare e a tragédia que teria inspirado a criação de Hamlet. O filme articula a tragédia pessoal com a gênese de uma das obras mais influentes da literatura mundial. Acompanha a rotina da família Shakespeare, suas alegrias e tristezas, e o impacto devastador da peste que leva o jovem Hamnet à morte.
Zhao volta na vibe de Nomadland com uma narrativa que explora a vulnerabilidade humana, o silêncio emocional e a força dos vínculos familiares.
O roteiro traz personagens reais, mas preenche lacunas históricas com habilidade literária e imaginação dramática. A abordagem combina rigor histórico com liberdade poética, criando um filme que não pretende ser um registro factual, mas sim uma interpretação emocional daquilo que poderia ter acontecido na casa de Shakespeare.
A narrativa se concentra especialmente na figura de Agnes Shakespeare, interpretada por Jessie Buckley, retratada como uma mulher intuitiva, conectada à natureza e profundamente marcada pela perda do filho.
O roteiro evita transformar Shakespeare em protagonista absoluto; ao contrário, ele surge como parte de um núcleo familiar complexo, dividido entre a vida doméstica e as pressões do teatro londrino. A morte de Hamnet funciona como ponto de ruptura emocional e criativo, levando o dramaturgo a canalizar sua dor na escrita de Hamlet
Achei um pouco lento e contemplativo, eu teria feito um filme mais latino, investindo mais no perfil de bruxa e médium, a la Neil Gaiman. Mas a cena final compensa.
Ótimo elenco, com boa química, Jessie Buckley arrebenta, já pode carimbar o Oscar para ela, as concorrentes estão muito bem, mas ela leva.
Embora não esteja aparecendo muito nas premiações da temporada, tendo em vista o pesadelo laranja na casa branca, vale sim assistir porque afinal a cadela do fascismo está sempre no cio.
Prefiro pensar que o filme tem mais uma função didática que como entretenimento.
Caso não saiba, em Nuremberg foram julgados os principais líderes e colaboradores do regime nazista na Segunda Guerra Mundial. O tribunal foi formado por Estados Unidos, União Soviética, Reino Unido e França. Além de documentar detalhadamente os horrores do Holocausto e outras violações sistemáticas de direitos humanos, o tribunal inaugurou princípios jurídicos que influenciariam diretamente a criação de cortes internacionais posteriores, como a de Haia.
Roteirizado e dirigido por James Vanderbilt, baseado no livro O Nazista e o Psiquiatra, de Jack El-Hai. A narrativa acompanha o psiquiatra americano Douglas Kelley, interpretado por Rami Malek, encarregado de avaliar a sanidade mental de 22 oficiais nazistas antes do julgamento, incluindo o vice de Hitler, Hermann Göring, interpretado por Russell Crowe.
Bom elenco, Eu não curto muito o Malek como ator, na época de Bohemian Rapsody, curti muito mais o documentário The Great Pretender.
Mas o Russel Crowe consegue encarnar um Goring assustadoramente carismático. Michael Shannon também está bem, como o promotor Robert H. Jackson.
O texto explora os fatos históricos e os conflitos internos do protagonista, que se vê diante da tarefa moralmente perturbadora de compreender a mente de criminosos responsáveis por atrocidades indescritíveis.
(Aqui no Brasil deve ter dezenas de médicos que passam por isso...)
Pelo que ví no youtube, a fotografia e cenários são bem precisos. A cidade de Nuremberg devastada pela guerra adiciona camadas visuais que ampliam o impacto emocional do filme.
No YouTube há vários vídeos produzidos por canais especializados em cinema e história, que ajudam a compreender melhor o contexto real dos julgamentos de Nuremberg e como o filme adapta esses eventos. Algumas escolhas do diretor desviam da verdade histórica, confira no vídeo abaixo (não aparece o preview porque contem imagens dos campos de concentração):
Esse eu assisti depois do filme, é bem completo:
A 2a Guerra é fonte inesgotável para o cinema, entre os meus preferidos cito o vencedor no #oscar2024, que está resenhado aqui no blog: Zona de Interesse (confiram na resenha o texto que eu trabalhava em sala na disciplina de Tecnologia do curso de Arquitetura).
Surfando na onda do oscar a Netflix lançou em 2024 o documentário Hitler and the Nazis, na fila.
Na lista com certeza entram também A queda, A conspiração, Nunca deixe de lembrar, Bastardos inglórios. Na dvdteca junto com os outros do Spielberg, tenho A lista de Schindler e O resgate do soldado Ryan Aqui no blog tem várias resenhas que conectam com o tema: Collette, Jojo Rabbit, A tabacaria.
Filme bonito, leve, bela fotografia - trabalho do brasileiro Adolpho Veloso!
[atualização: indicado ao #oscar2026 - melhor filme, fotografia, canção e roteiro adaptado]
Indicado a melhor ator e canção original no #Globodeouro2026
Produção Netflix, roteiro adaptado.
Acompanha cerca de 80 anos na vida de Robert Grainier, desde o final do século XIX até o final dos anos 1960. Um lenhador que atravessa décadas de transformações sociais e tecnológicas nos Estados Unidos. A narrativa se desenvolve de forma fragmentada, como lembranças que se sobrepõem ao longo da vida do protagonista, desde sua juventude nas ferrovias até a velhice solitária, revelando como ele testemunha, de longe, o avanço tecnológico, a transformação das paisagens naturais e o desaparecimento de tudo o que um dia lhe foi familiar. Entre memórias fragmentadas, sonhos com locomotivas e encontros com personagens fantasmagóricos que cruzam seu caminho, o filme constrói um retrato sensível de um homem simples tentando compreender seu lugar em um mundo que muda rápido demais.
De um certo ponto de vista tem até uma mensagem ecológica.
O principal Joel Edgerton é o mesmo da ótima série Matéria Escura, que sempre comento aqui no blog.
Elenco no padrão netflix, com o William Macy e a ótima Kerry Condon, por coincidência ontem mesmo comentei o F1, onde ela também atuou nessa temporada.
A fotografia é, sem dúvida, o ponto alto do filme. Adolpho Veloso cria imagens que combinam imponência natural, textura documental e poesia visual. Reforçaa relação entre homem, natureza e máquina, especialmente nos sonhos que dão nome ao filme.
A trilha sonora assinada por Bryce Dessner também é linda. Escute no link abaixo, a última é a canção que concorre ao Globo de Ouro.
Não gostei muito do roteiro e montagem, da metade para frente tive um pouco de dúvida com as passagens temporais e a forma como as tecnologias vão sendo mostradas. Na cena da filha que retorna boiei totalmente e o roteiro deixa aberta.
A narrativa acompanha Agnes, uma professora universitária que tenta reconstruir sua vida após um evento traumático que marcou sua pós-graduação. É sobre o mundo que segue em frente enquanto a vítima permanece presa ao impacto do ocorrido. Nessa jornada ela é acompanhada pela amiga Lydie, que se casa e tem um bebê.
O filme combina humor ácido e sensibilidade emocional e impressiona pela segurança narrativa e pelo domínio do tom. Explora temas como estresse pós-traumático, culpa, isolamento, dificuldade de comunicação e a necessidade de ressignificar a intimidade e a verdade emocional dos personagens. O humor surge como mecanismo de defesa, e o filme utiliza essa ferramenta com inteligência, sem desrespeitar a gravidade do tema. É um roteiro que entende que a cura não é linear e que, muitas vezes, o processo é feito de pequenos passos, recaídas e descobertas silenciosas.
Maturidade rara para uma diretora estreante, construindo um filme que é ao mesmo tempo pessoal e universal, doloroso e acolhedor, simples e profundamente humano. Prova que o roteiro não precisa de grandes reviravoltas para ser impactante.
Para não dar muito spoiler, vou adiantar só que o abuso sexual acontece em um ambiente acadêmico.
Geralmente os títulos traduzidos em português ficam terríveis, mas esse não.
Desde o Chick Norris que os vovôs bravos fazem sucesso, passando por Bruce Willis, Nicolas Cage e Liam Neeson.não tenho certeza se faz bem colocar uma mulher nesse lugar... assistam e comentem...
Produção coreana, roteiro adaptado, acompanha Hornclaw, uma assassina veterana que, aos sessenta anos, enfrenta o desgaste físico e emocional de décadas de violência.
A trama mostra sua estreia ainda jovem matando um soldado americano em legítima defesa. e sua formação dentro de uma organização clandestina que se apresenta como empresa de “controle de pragas”. Ela precisa lidar com um assassino novato na empresa que se julga melhor que ela. A estrutura narrativa vai alternando entre passado e presente.
Não foge ao clichê ação / solidão / redenção, nem ao exagero nas cenas.
O maior pecado é não explorar sequer os bons arcos dos personagens secundários.
Filme de ator, George Clooney indicado para melhor ator e Adam Sandler para coadjuvante no #Globodeouro2026, mas eu acho que justifica só o segundo, pois ele rouba a cena, com uma das melhores atuações da carreira. Eu sempre acho ótimo quando ele faz papéis mais dramáticos como em Jóias Brutas.
O roteiro acompanha a jornada de Jay Kelly seu empresário Ron e uma entourage que vai se desfazendo aos poucos, numa viagem pela Europa enquanto Jay tenta se reaproximar da filha e confrontar os danos que sua carreira causou em sua vida pessoal. O personagem é um homem quebrado, incapaz de lidar com os próprios erros e com a distância que criou entre si e sua família.
O elenco conta também com a experiente Laura Dern, favorita do David Lynch. Mas ao contrário dos anteriores esse não conseguiu aproveitar todo o potencial de suas estrelas. Fica no padrão netflix de elenco caro e roteiro mais ou menos.
Roteiro adaptado. A trama acompanha Grace, uma jovem mãe que enfrenta depressão pós-parto e psicose, e que vê sua vida conjugal e sua própria identidade se fragmentarem. A narrativa é construída de forma não linear, com saltos temporais e momentos de delírio que confundem realidade e imaginação, em uma imersão na mente de uma mulher à beira do colapso.
O filme é meio sensorial, roteiro não linear e aberto, muitos pequenos detalhes, mesmo prestando atenção é difícil captar tudo. A própria diretora tem falado que reduzir os temas dele à depressão pós parto é superficial. Muitos simbolismos visuais, ritmo fragmentado e foco experiência interna da personagem.
Aliás tem um parecido com a mesma atriz Jennifer Lowrence - Mãe! do Aronofski, que também é difícil de classificar. Lembra um pouco também outros do Aronofsky, David Lynch e Lars von Trier.
A deterioração psicológica da protagonista é explorada com uma câmera inquieta, claustrofóbica e profundamente subjetiva, em um ambiente rural opressivo, onde a paisagem funciona como extensão do estado mental da personagem, reforçando a sensação de isolamento e desespero.
Pode ser que renda uma indicação para a atriz no #oscar2026. Ela está bem visceral no filme, consegue entregar fragilidade, fúria, erotismo, desespero e momentos de lucidez dolorosa.
O para sempre vampiro Robert Pattinson também está bem de coadjuvante, interpretando o marido que tenta lidar com a deterioração mental da esposa enquanto enfrenta seus próprios conflitos. O elenco de apoio inclui Nick Nolte e Sissy Spacek.
A fotografia segura o filme, mais que o roteiro. O filme no geral é escuro, com sombras densas e composições que reforçam a sensação de aprisionamento emocional da protagonista, elementos que sxão reforçados pelo design de som.
A trilha sonora selecionada é bem bacana, tem até o Cocteau Twins!
Nota 6. Acho muito difícil o grande público gostar... recomendo só para quem curte roteiros delirantes.
Tanto que ficou no cinema pouco tempo, está prestes a estrear nos streamings.
Nesta semana os EUA invadiram a Venezuela. E vai deixar a Rússia continuar na Ucrânia...
O diretor Mstyslav Chernov quando ganhou o #oscar2024 falou que não queria ter filmado esse filme e foi mais que assertivo.
Eu ainda não tinha visto e como o outro está cotado, assisti os dois juntos.
Ambos são importantes, mas o primeiro é essencial, soco no estômago.
Chernov utiliza sua experiência como jornalista da Associated Press para construir um relato visceral dos primeiros dias do cerco russo à cidade portuária de Mariupol. O filme faz uma abordagem direta, sem filtros, que coloca o espectador dentro do caos urbano, com imagens captadas em tempo real durante o colapso da cidade. Os protagonistas são civis, médicos, jornalistas e vítimas da guerra, captados em momentos de desespero, coragem e vulnerabilidade.
Além de documentar os horrores da guerra em si, serve também como registro honestamente brutal do processo perigoso de enviar imagens para fora da zona quente. O roteiro é estruturado como um diário de guerra, acompanhando os vinte dias em que Chernov e sua equipe ficaram presos na cidade sitiada. A narrativa se desenvolve a partir de imagens captadas no calor do conflito, mostrando hospitais lotados, civis desesperados, destruição urbana e a luta dos jornalistas para transmitir informações ao mundo antes que a cidade fosse completamente isolada. A força do filme está justamente na ausência de artifícios: sem reconstituições, sem entrevistas posteriores, apenas a realidade crua registrada no momento em que acontece.
Em 2000 Metros para Andriivka o diretor retorna ao front, mas agora acompanhando soldados ucranianos em uma travessia de dois quilômetros até o vilarejo de Andriivka, em Donetsk, durante a contraofensiva de 2023. Utiliza câmeras corporais e equipamentos acoplados aos capacetes dos soldados, criando uma experiência quase em primeira pessoa o que para alguns jovens pode até parecer um videogame.
O segundo adota uma narrativa mais concentrada, acompanhando um único objetivo militar: entregar uma bandeira ucraniana a um sargento. A travessia, que em condições normais levaria poucos minutos, transforma-se em uma jornada angustiante, marcada por explosões, tiros, drones e morte. Não explica muito o contexto já mergulha direto o espectador na experiência dos soldados nas trincheiras. É louvável que o diretor seguiu com o mesmo ânimo, mas após quase quatro anos de conflito, faltou uma contextualização histórica mais ampla.
Cotado para indicação de documentário no #oscar2026 venceu melhor diretora em #Sundance2025.
Mostra um caso real ocorrido em 2023, na Flórida, envolvendo a morte de Ajike “AJ” Owens, uma mulher negra, mãe de quatro filhos, assassinada pela vizinha Susan Lorincz, uma mulher branca que alegou legítima defesa.
O filme reconstrói o histórico de conflitos entre as duas desde 2022, destacando como denúncias infundadas, tensões raciais e a controversa lei estadunidense contribuíram para o desfecho trágico.
A narrativa é construída de forma a expor não apenas o crime, mas também o contexto sociopolítico que o envolve, incluindo debates sobre racismo estrutural, porte de armas e desigualdade jurídica nos EUA.
O filme é feito quase inteiramente a partir de imagens reais captadas por câmeras corporais de policiais, além de gravações de interrogatórios e ligações para o 911. A diretora Geeta Gandbhir evita entrevistas tradicionais e narrações externas, permitindo que os acontecimentos se desenrolem diante do espectador com a crueza do registro imediato.
No #oscar2025 foi indicado o Incidente que mostra a história de um babeiro negro morto em 2018 por um policial em Chicago.
Incluído no shortlist de documentários de curta metragem para o #Oscar2026.
Acompanha o jornalista Steve Hartman e o fotógrafo Lou Bopp em uma jornada de sete anos visitando quartos de crianças mortas em ataques armados nos EUA.
A proposta, embora simples em aparência, revela-se profundamente complexa: registrar espaços congelados no tempo, onde cada objeto, cada cor e cada detalhe carrega a presença ausente de uma vida interrompida.
O roteiro constrói-se a partir das visitas aos quartos e das conversas com familiares, criando um mosaico de memórias. A câmera percorre sapatos, brinquedos, cadernos e roupas com cuidado quase reverencial, para não perturbar o silêncio que ali habita. Os detalhes são valorizados: a textura de uma colcha, a disposição de livros em uma estante, o brilho de um troféu escolar. Essa atenção minuciosa transforma os quartos em personagens, cada um com sua própria história e atmosfera.
Aparentemente o jornalista é muito conhecido (nos EUA) por suas reportagens na CBS.
Vale destacar a relevância política e social do documentário em um momento em que o debate sobre violência armada nos Estados Unidos se perde no abismo escuro do fascismo capitalista.
Particularmente prefiro o estilo do Michael Moore vencedor do #Oscar2003 com Tiros em Columbine, ou seja, não de ontem que os estadunidenses convivem com as crianças mortas em escolas e fiquei horrorizado de verificar que aqui no Brasil também ocorre um caso por ano 😧😧😧
Bom filme, mucho loko... e tenso. Indicado para Urso de Ouro em #Berlim2025 e vencedor de melhor atriz.
[Atualização - indicado a melhor atriz no #oscar2026].
O último da diretora Mary Bronstein, Round Town Girls já tem 15 anos.
Uma abordagem contemporânea, visceral e implacável da maternidade.
Linda, uma mãe e terapeuta sobrecarregada, tenta manter a vida em ordem enquanto enfrenta uma sucessão de crises pessoais e profissionais. Entre a filha doente, o marido ausente, pacientes emocionalmente exigentes e uma casa que literalmente desmorona junto com ela, ela começa a perder a capacidade de distinguir o que é real do que é imaginário, devido à exaustão. À medida que a pressão aumenta, sua rotina se transforma em um labirinto psicológico onde cada detalhe ameaça desencadear um colapso. O filme acompanha essa espiral emocional intensa, explorando maternidade, culpa e saúde mental.
Baseado em experiências reais vividas pela própria cineasta durante a doença grave de sua filha, o filme carrega uma autenticidade dolorosa, misturando drama, comédia ácida e tensão psicológica.
O filme é bem tenso, com close-ups sufocantes, situações desconfortáveis e uma narrativa que se recusa a oferecer alívio ao espectador, reforçando a sensação de aprisionamento emocional vivida pela personagem.
Muito do filme depende do design de som e da fotografia, que reforçam os elementos fantasmagóricos e a experiência sensorial de confinamento e deterioração emocional, diante das expectativas sociais e culpa. A combinação desses elementos técnicos transforma o filme em uma experiência sensorial intensa, desconfortável e profundamente imersiva.
A minha cena favorita é a do final em que ela briga com o mar.
Essa cena me lembrou muito a cena final do documentário Estamira, que os mais chegados sempre me ouvem comentar. Inclusive descobri que ele está na íntegra no youtube, se não viu, não perca no link abaixo, pois também é uma obra bem interessante sobre maternidade e saúde mental:
Os temas remetem ao Tully e a atmosfera lembra um pouco o Nope.
O roteiro vai numa espiral de tensões domésticas, emocionais e psicológicas que se acumulam sem pausa, refletindo o esgotamento extremo da protagonista. Ela mal consegue lidar com a própria vida, enfrenta simultaneamente a doença misteriosa da filha, a ausência do marido, o desabamento literal e metafórico de sua casa e o desaparecimento de uma paciente, tudo isso enquanto tenta manter uma aparência de normalidade no trabalho.
A escolha de nunca mostrar o rosto da filha é uma decisão estética radical que contribui para a sensação de ausência, fragilidade e despersonalização que permeia a narrativa. O rsto do elenco também não aparece muito e isso é intencional, o mundo é apenas o que ela percebe, isso inclusive é discutido na terapia.
Filme de atriz, Rose Byrne venceu em #Berlim2025, está indicada no #GlobodeOuro2026 e merece uma indicação para o #Oscar2026. Se ganhar é merecido! No elenco de apoio Christian Slater interpreta o marido e o apresentador Conan O’Brien é o terapeuta da terapeuta.
Nota 8, esse não é um filme para entreter, é para provocar... se está procurando algo para relaxar, aqui não tem... ou seja, é mais para sentir do que para entender.
Recomendo, exceto para quem estiver com sintomas de depressão pós parto.