Indicação ao #Oscar2014 de filme estrangeiro, muito bom mas naquele ano concorreu com A Grande Beleza aí não teve chance... mas o diretor Thomas Vinterberg ganhou em 2021 com Druk.
Melhor ator e Prêmio do Júri em #Cannes2021.
Eu adoro a frieza do cinema dinamarquês, esse diretor frequenta muito a minha tela, tem na filmografia ótimos dramas, inclusive foi o roteirista do meu top dos tops de drama, Festa de família. O Submarino ainda está na minha fila.
Esse filme adiantou em cerca de dez anos a discussão sobre fake news, pós‑verdade, linchamento moral, cancelamento, julgamentos instantâneos e destruição de reputações baseada em percepções, não em fatos.
A trama acompanha a derrocada de Lucas, um professor de uma pequena vila dinamarquesa falsamente acusado de abuso infantil. Vinterberg constrói uma atmosfera de tensão crescente, onde a suspeita se espalha como um vírus social, corroendo relações, memórias e até a própria noção de verdade.
A complexidade da situação é muito bem explorada no filme, a comunidade não é apresentada como vilã absoluta, e também consegue explorar brilhantemente a condição da criança que faz a acusação.
E brilhante também ao mostrar que o consenso de proteger os mais vulneráveis pode até se transformar em histeria cega.
O roteiro deixa o espectador acompanhar a transformação da comunidade à medida que a suspeita se espalha. Evita explicações didáticas e aposta na ambiguidade, reforçando a sensação de que a verdade é frágil e facilmente manipulável. Mostra como a “verdade” pode ser construída socialmente a partir de moralismos e medos coletivos, e não necessariamente de fatos. A frieza nórdica comparece na economia. cada diálogo, cada gesto e cada silêncio contribuem para a escalada emocional que culmina em um final perturbador, sem nada de espetacular.
Se pensar bem, a cena climax do filme, em plena missa de Natal, na frente da cidade toda até mereceria um pouco mais de barraco latino, mas a briga rola solta sem muita gritaria.
O filme tem um final aberto, mostrando a fragilidade da confiança, tão fundamental nas relações humanas - é uma bola de vidro que quando cai, ou trinca ou quebra mas jamais se recupera por completo.
O elenco secundário, composto por amigos, vizinhos e colegas de Lucas, reforça a sensação de comunidade real, onde laços afetivos podem se transformar rapidamente em desconfiança e hostilidade. A atriz mirim Annika Wedderkopp também está sensacional, com certeza mais um mérito do diretor.
Lógico que o inverno dinamarquês fornece o material adequado para a atmosfera do filme, com aquele isolamento, aperto e sufocamento gostosos, amplificando a angústia e a sensação de injustiça que permeiam o filme. Até a trilha sonora é raríssima, pois o silêncio é muito mais constrangedor. #adoro
Por muita coincidência, recentemente assisti outro com a mesma temática, até um pouco mais pesado: Silenciados. Também remete a Armand e o limite das famílias,
Já a saga dos professores e seus colegas e alunos é tema inesgotável do cinema: O professor substituto, Bad Luck Banging or Loony Porn, A sala dos professores, Club Zero, Os rejeitados...
Nota 8, recomendo para quem acha que tem reputação inabalável.
Disponível prime video.






















