Bom filme, mucho loko... e tenso. Indicado para Urso de Ouro em #Berlim2025 e vencedor de melhor atriz.
O último da diretora Mary Bronstein, Round Town Girls já tem 15 anos.
Uma abordagem contemporânea, visceral e implacável da maternidade.
Linda, uma mãe e terapeuta sobrecarregada, tenta manter a vida em ordem enquanto enfrenta uma sucessão de crises pessoais e profissionais. Entre a filha doente, o marido ausente, pacientes emocionalmente exigentes e uma casa que literalmente desmorona junto com ela, ela começa a perder a capacidade de distinguir o que é real do que é imaginário, devido à exaustão. À medida que a pressão aumenta, sua rotina se transforma em um labirinto psicológico onde cada detalhe ameaça desencadear um colapso. O filme acompanha essa espiral emocional intensa, explorando maternidade, culpa e saúde mental.
Baseado em experiências reais vividas pela própria cineasta durante a doença grave de sua filha, o filme carrega uma autenticidade dolorosa, misturando drama, comédia ácida e tensão psicológica.
O filme é bem tenso, com close-ups sufocantes, situações desconfortáveis e uma narrativa que se recusa a oferecer alívio ao espectador, reforçando a sensação de aprisionamento emocional vivida pela personagem.
Muito do filme depende do design de som e da fotografia, que reforçam os elementos fantasmagóricos e a experiência sensorial de confinamento e deterioração emocional, diante das expectativas sociais e culpa. A combinação desses elementos técnicos transforma o filme em uma experiência sensorial intensa, desconfortável e profundamente imersiva.
A minha cena favorita é a do final em que ela briga com o mar.
Essa cena me lembrou muito a cena final do documentário Estamira, que os mais chegados sempre me ouvem comentar. Inclusive descobri que ele está na íntegra no youtube, se não viu, não perca no link abaixo, pois também é uma obra bem interessante sobre maternidade e saúde mental:
Os temas remetem ao Tully e a atmosfera lembra um pouco o Nope.
A escolha de nunca mostrar o rosto da filha é uma decisão estética radical que contribui para a sensação de ausência, fragilidade e despersonalização que permeia a narrativa. O rsto do elenco também não aparece muito e isso é intencional, o mundo é apenas o que ela percebe, isso inclusive é discutido na terapia.
Filme de atriz, Rose Byrne venceu em #Berlim2025, está indicada no #GlobodeOuro2026 e merece uma indicação para o #Oscar2026. Se ganhar é merecido! No elenco de apoio Christian Slater interpreta o marido e o apresentador Conan O’Brien é o terapeuta da terapeuta.
Ainda não assisti Die my love, dessa temporada, que parece ser o mesmo tema.
Nota 8, esse não é um filme para entreter, é para provocar... se está procurando algo para relaxar, aqui não tem... ou seja, é mais para sentir do que para entender.
Recomendo, exceto para quem estiver com sintomas de depressão pós parto.

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