terça-feira, 6 de janeiro de 2026

20 dias em Mariupol + 2000 metros para Andriivka

  

A necrogeopolítica está bombando... desde sempre.

Nesta semana os EUA invadiram a Venezuela. E vai deixar a Rússia continuar na Ucrânia...

O diretor Mstyslav Chernov quando ganhou o  #oscar2024 falou que não queria ter filmado esse filme e foi mais que assertivo.

Eu ainda não tinha visto e como o outro está cotado, assisti os dois juntos.

Ambos são importantes, mas o primeiro é essencial, soco no estômago.

Chernov utiliza sua experiência como jornalista da Associated Press para construir um relato visceral dos primeiros dias do cerco russo à cidade portuária de Mariupol. O filme faz uma abordagem direta, sem filtros, que coloca o espectador dentro do caos urbano, com imagens captadas em tempo real durante o colapso da cidade. Os protagonistas são civis, médicos, jornalistas e vítimas da guerra, captados em momentos de desespero, coragem e vulnerabilidade.

Além de documentar os horrores da guerra em si, serve também como registro honestamente brutal do processo perigoso de enviar imagens para fora da zona quente. O roteiro  é estruturado como um diário de guerra, acompanhando os vinte dias em que Chernov e sua equipe ficaram presos na cidade sitiada. A narrativa se desenvolve a partir de imagens captadas no calor do conflito, mostrando hospitais lotados, civis desesperados, destruição urbana e a luta dos jornalistas para transmitir informações ao mundo antes que a cidade fosse completamente isolada. A força do filme está justamente na ausência de artifícios: sem reconstituições, sem entrevistas posteriores, apenas a realidade crua registrada no momento em que acontece. 

Em 2000 Metros para Andriivka o diretor retorna ao front, mas agora acompanhando soldados ucranianos em uma travessia de dois quilômetros até o vilarejo de Andriivka, em Donetsk, durante a contraofensiva de 2023. Utiliza câmeras corporais e equipamentos acoplados aos capacetes dos soldados, criando uma experiência quase em primeira pessoa o que para alguns jovens pode até parecer um videogame.

O segundo adota uma narrativa mais concentrada, acompanhando um único objetivo militar: entregar uma bandeira ucraniana a um sargento.  A travessia, que em condições normais levaria poucos minutos, transforma-se em uma jornada angustiante, marcada por explosões, tiros, drones e morte.  Não explica muito o contexto já mergulha direto o espectador na experiência dos soldados nas trincheiras. É louvável que o diretor seguiu com o mesmo ânimo, mas após quase quatro anos de conflito, faltou uma contextualização histórica mais ampla.

Confira aqui no blog a resenha de For Sama e The cave. 

Nota 9 e 6, respectivamente.

https://www.imdb.com/pt/title/tt24082438/

https://www.imdb.com/pt/title/tt34964205/



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