domingo, 15 de março de 2026

O som da queda (2025)


Sensorial, denso, pesado, longo e difícil de entender, com certeza não é para "o grande público"...

Indicado a Palma de Ouro e vencedor do prêmio do júri em #Cannes2025, entrada da Alemanha para o #Oscar2026,  não foi indicado.

Desde Cloud Atlas aka A Viagem, que eu não achava um filme tão difícil de entender.

O filme tem um tom sombrio e fantasmagórico, totalmente sensorial e não-linear, nem no tempo nem nos cruzamentos das quatro histórias que estão dentro do roteiro. 

Pra ser sincero duas das histórias eu até achei que eram uma só, somente depois lendo sobre o filme que eu descobri que não...

O filme gira em torno da violência contra as mulheres e opressão patriarcal.

De uma maneira parecida com Valor Sentimental, o roteiro utiliza como elemento central uma fazenda,  que testemunha e aprisiona várias gerações de mulheres. 

Escrito e dirigido por Mascha Schilinski em parceria com Louise Peter, o roteiro acompanha quatro gerações de mulheres que habitam a fazenda ao longo de décadas, alternando entre épocas sem explicações explícitas ou transições convencionais, eu nem consegui diferenciar duas delas.

Não tem explicações, diálogos expositivos ou arcos tradicionais, as quatro histórias vão rolando ao mesmo tempo, misturadas e sem ordem, nem temporal, dentro de cada uma delas, deixando para o espectador o desafio - difícil - de concatenar o que está passando na tela.

Essa escolha reforça a atmosfera de mistério e desconforto, que também exige do espectador uma postura ativa, interpretativa e paciente. O resultado é um filme que se recusa a ser facilmente decifrado, apostando em simbolismos, metáforas visuais e na força do que não é dito. 

A fotografia é central na proposta do filme, a câmera, frequentemente se comporta como um fantasma observando a cena, como se algo invisível acompanhasse as personagens. 

Nesse sentido lembra muito Os Outros, a estética do filme aproxima muito de um filme de terror, mas não é isso... trata-se de um drama cru e visceral.

Essa proposta visual não apenas embeleza o filme, mas também intensifica sua temática, transformando a casa e o campo em espaços carregados de memória, dor e silêncio. Talvez seja a grande virtude do filme e para ela dar certo, grande parte se deve também ao design de som, fundamental na construção da atmosfera opressiva do filme - inclusive acho que daqui que saiu o título.

Me remeteu também um pouco ao ótimo Sombras da Vida, que mesmo sendo também muito não-linear, é mais palatável... lembra também o Dogville e Manderlay

Nota 7, recomendo para quem consegue assistir em alemão sem legendas.

O Som da Queda (2025) - IMDb


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