domingo, 31 de maio de 2026

Full metal jacket / Nascido para matar (1987)



Sou fã do Kubrick e esse estava na minha lista há muito tempo.

Para a crítica é um clássico, mas comparando com outros filmes do diretor, não gostei tanto...

Kubrick sempre se destacou pela precisão cirúrgica, pela frieza calculada e pela capacidade de transformar temas complexos em experiências cinematográficas perturbadoras e inesquecíveis. 

Acho que quarenta anos atrás o filme se destacou por rejeitar o heroísmo tradicional e focar na desumanização sistemática dos indivíduos, mas vendo hoje, quando os estados unidos continuam fazendo isso sistematicamente, sem ninguém falar nem fazer nada, me pareceu quase uma nota de repúdio.

Achei muito abrupta a divisão do filme em duas partes, o treinamento na academia militar e o front  no Vietnã, gostei mais da primeira e achei que alguns arcos acabaram ficando abertos. O melhor personagem é o sargento,  interpretado por R. Lee Ermey. O elenco todo está muito bem.

A trilha sonora  funciona como elemento narrativo essencial, o que contribui para o caráter satírico do filme, especialmente na segunda metade, onde a ironia se torna ferramenta fundamental para expor o absurdo do conflito e a alienação dos soldados.

Não sou muito fã de filmes de guerra, mas tem alguns resenhados aqui no blog: Palestina 36, Armed only with a camera, Nuremberg, 20 dias em Mariupol, Nada de novo no front, e o mais parecido com esse: Destacamento Blood

Nota 6, fora da curva Kubrick.

Nascido para Matar (1987) - IMDb


O diabo veste Prada 2 (2026)

 


Tudo que vende pode vender mais um pouco, embalado em nostalgia. 

Já escrevi várias vezes aqui que não curto muito continuações, com raras exceções.

Esse era mais um caso que era preferível não ter feito a sequência...

Há vinte anos o filme teve tanto sucesso não somente por causa do elenco mas também pelo bom roteiro crítico ao consumismo e futilidade midiática, que de lá para cá só pioraram e meio que se tornaram o padrão das relações...

Pode ser má vontade minha mas acho que "perdeu o objeto", apesar de mais uma atuação sensacional de todo o elenco.

O que o original tinha de ousado, esse não chega a tanto, preferindo caminhos seguros e referências fáceis. Ainda assim, revisita o charme visual e o ritmo do primeiro.

Lamentavelmente Hollywood está fazendo filmes para o Tik Tok...

O filme tenta atualizar os personagens para a cena contemporânea, contextualizando a chefona Miranda Priestly na perspectiva de um protagonismo feminino e mudanças no mercado editorial - o mundo já não tem espaço para uma revista impressa de moda...

A narrativa também aborda algumas transformações nos padrões de beleza, no culto à magreza e na dinâmica do jornalismo digital, temas que se tornaram mais intensos desde 2006. No entanto, o roteiro não tem os mesmos arcos fortes e bem definidos do primeiro, com conflitos resolvidos de maneira apressada e superficial. Na pegada youtuber, traz algumas reflexões pertinentes sobre carreira, ambição e reinvenção pessoal... de leve.

Filme de elenco e não muito mais que isso. Meryl Streep, Anne Hathaway, Emily Blunt e Stanley Tucci são todos muito experientes e entregam o que se espera deles, mesmo com um roteiro ruim. A atuação competente é que continua com uma dinâmica afiada e divertida.  Hathaway faz uma Andy mais madura e consciente de suas escolhas, e Emily Blunt dá mais espaço e profundidade para sua Emily... Já Miranda ficou mais caricata e exagerando nos trejeitos e olhares, achei que poderiam ter deixado ela passar mais perrengues. Ou seja o roteiro é quase um corte de podcast.

Visualmente não tem como fugir dos glamour e figurinos bem trabalhados, mas a montagem  mais  rápida, com  linguagem audiovisual contemporânea afasta da elegância clássica do primeiro filme. 

Não contei mas a Lady Gaga aparece alguns segundos, deve ter sido um dos salários mais caros contando em dólar por segundo.

Aí que vc entende porque A substância foi aclamado pela crítica.

Nota 6.5, é o entretenimento perfeito se vc quiser só um motivo para fazer fofoca comendo pipoca.

Nos cinemas.