Sou fã do Kubrick e esse estava na minha lista há muito tempo.
Para a crítica é um clássico, mas comparando com outros filmes do diretor, não gostei tanto...
Kubrick sempre se destacou pela precisão cirúrgica, pela frieza calculada e pela capacidade de transformar temas complexos em experiências cinematográficas perturbadoras e inesquecíveis.
Acho que quarenta anos atrás o filme se destacou por rejeitar o heroísmo tradicional e focar na desumanização sistemática dos indivíduos, mas vendo hoje, quando os estados unidos continuam fazendo isso sistematicamente, sem ninguém falar nem fazer nada, me pareceu quase uma nota de repúdio.
Achei muito abrupta a divisão do filme em duas partes, o treinamento na academia militar e o front no Vietnã, gostei mais da primeira e achei que alguns arcos acabaram ficando abertos. O melhor personagem é o sargento, interpretado por R. Lee Ermey. O elenco todo está muito bem.
A trilha sonora funciona como elemento narrativo essencial, o que contribui para o caráter satírico do filme, especialmente na segunda metade, onde a ironia se torna ferramenta fundamental para expor o absurdo do conflito e a alienação dos soldados.
Não sou muito fã de filmes de guerra, mas tem alguns resenhados aqui no blog: Palestina 36, Armed only with a camera, Nuremberg, 20 dias em Mariupol, Nada de novo no front, e o mais parecido com esse: Destacamento Blood.
Nota 6, fora da curva Kubrick.
Nascido para Matar (1987) - IMDb