domingo, 19 de abril de 2026

Project Hail Mary / Devoradores de estrelas (2026)


Acho que minha relação com esse filme vai ser parecida com o Interestelar - todo mundo gosta e eu não...

Ele segue à risca a cartilhinha de blockbuster de Hollywood,  inclusive na versão atual de ficar explicando várias vezes o que está acontecendo, nesse sentido é sim um filme familiar e infantil.

A sinopse poderia ser "heróis bonitinhos que salvam o universo".

Troféu preguiça para quem fica inventando essas traduções de título...

Pode até ser saudosismo, mas nessa linha de seguir à risca a cartilha, ET é mais bacana.

O filme não tem compromisso nenhum e nem tenta ter um argumento minimamente consistente cientificamente, nesse sentido está mais para ficção que para ficção científica...

Pra mim quando falou que o sinal demorava 11 anos para chegar na Terra , ou seja o cara viajou 11 anos luz, mas a volta para casa ia durar quatro anos, perdeu, mané.

A proposta é em todos os sentidos, ser uma história leve e fofinha... e vai conquistar as multidões. Basta olhar a nota 8,4 no imdb...

Roteiro adaptado, dirigido por Phil Lord e Chris Miller, aposta todas as fichas no carisma, emoção e e bom humor - ou seja, talvez deva ser classificado como comédia romântica...

Ryan Gosling interpreta um professor que acorda sem memória em uma nave - já começa aqui minha birra com o roteiro, pois a perda de memória é só para justificar a narrativa em flash back, nesse ponto Armagedon e Impacto profundo, que também são sobre astronautas salvando o mundo, mas são lineares são até melhores...

Ele consegue ser mais leve diante do fim do mundo que o Não olhe para cima. 

Como pra mim apocalipse tem que ser de verdade, como em Melancolia e Procura-se um amigo para o fim do mundo, não tem como meu santo bater.

Além do galã vale pela competentíssima Sandra Huller cuja personagem pelo menos equilibra um pouco desse melado com alguma amargura. Tem vários filmes dela resenhados aqui no blog.

A fotografia é só de efeitos e a trilha sonora, protocolar, seguindo a cartilha.

Pra mim não bate o ET, nem Inimigo meu. Na temática astronauta sozinho dá para fazer uma lista longa de filmes melhores e de contato alienígena nem fala, aliás o Spielberg esgotou esse tema, tanto que esse tem uma cena só para tocar a música do Contatos Imediatos de Terceiro Grau.

Enfim, talvez o público esteja mesmo menos exigente e assistindo filmes no telefone.

Nota 6, se vc não se importa tanto de o mundo estar derretendo, pode ver e seja feliz.


sábado, 11 de abril de 2026

Manas (2024)


Que filme lindo e potente! Premiado na jornada de autores em #Veneza2024. 

Há muito tempo não via uma cena de abertura tão bonita! A fotografia e design de som do filme, registrando o vento, a água, os barcos e os animais da Amazônia são deslumbrantes! 

Dirigido por Marianna Brennand em sua estreia na ficção, mergulha na realidade brutal da violência sexual contra meninas na Ilha do Marajó, no Pará, e faz isso com uma combinação rara de beleza estética, rigor narrativo e profundo respeito pelas pessoas e o lugar onde elas moram,  sem recorrer a imagens chocantes ou exploração sensacionalista. Pelo contrário: a diretora constrói um cinema do silêncio, da sugestão e da atmosfera, permitindo que o horror seja percebido não pelo explícito, mas pela força emocional e simbólica das situações. 

O resultado é um filme belo, sonoro e sensível mas que também é um soco no estômago, um gesto de resistência e denúncia. 

O roteiro acompanha Marcielle, uma menina de 13 anos interpretada brilhantemente pela jovem Jamilli Correa. A narrativa se desenvolve de forma quase documental, acompanhando o cotidiano da menina enquanto ela tenta romper um ciclo de violência familiar que se perpetua há gerações. Sem melodrama, mostra o isolamento geográfico e emocional vivido pelas meninas ribeirinhas, cuja realidade permanece invisível para grande parte do país. 

O elenco  conta com  Dira Paes, que interpreta a policial Aretha. 

A fotografia é maravilhosa, transformando a Ilha do Marajó em um personagem vivo. A luz natural, os tons terrosos e a textura úmida da floresta criam uma estética que reforça a sensação de abandono e vulnerabilidade complementada com os sons naturais do cotidiano da ilha, criando uma imersão sensorial na paisagem sonora.

Me lembrou o português A metamorfose dos pássaros. Nos aspectos de violência e abuso estruturais dialoga com Que horas ela volta?  e Domésticas

Nota 10. O Brasil que os brasileiros não conhecem e precisam ver.

Disponível globoplay.

Manas (2024) - IMDb