Que filme lindo e potente! Premiado na jornada de autores em #Veneza2024.
Há muito tempo não via uma cena de abertura tão bonita! A fotografia e design de som do filme, registrando o vento, a água, os barcos e os animais da Amazônia são deslumbrantes!
Dirigido por Marianna Brennand em sua estreia na ficção, mergulha na realidade brutal da violência sexual contra meninas na Ilha do Marajó, no Pará, e faz isso com uma combinação rara de beleza estética, rigor narrativo e profundo respeito pelas pessoas e o lugar onde elas moram, sem recorrer a imagens chocantes ou exploração sensacionalista. Pelo contrário: a diretora constrói um cinema do silêncio, da sugestão e da atmosfera, permitindo que o horror seja percebido não pelo explícito, mas pela força emocional e simbólica das situações.
O resultado é um filme belo, sonoro e sensível mas que também é um soco no estômago, um gesto de resistência e denúncia.
O roteiro acompanha Marcielle, uma menina de 13 anos interpretada brilhantemente pela jovem Jamilli Correa. A narrativa se desenvolve de forma quase documental, acompanhando o cotidiano da menina enquanto ela tenta romper um ciclo de violência familiar que se perpetua há gerações. Sem melodrama, mostra o isolamento geográfico e emocional vivido pelas meninas ribeirinhas, cuja realidade permanece invisível para grande parte do país.
O elenco conta com Dira Paes, que interpreta a policial Aretha.
A fotografia é maravilhosa, transformando a Ilha do Marajó em um personagem vivo. A luz natural, os tons terrosos e a textura úmida da floresta criam uma estética que reforça a sensação de abandono e vulnerabilidade complementada com os sons naturais do cotidiano da ilha, criando uma imersão sensorial na paisagem sonora.
Me lembrou o português A metamorfose dos pássaros. Nos aspectos de violência e abuso estruturais dialoga com Que horas ela volta? e Domésticas.
Nota 10. O Brasil que os brasileiros não conhecem e precisam ver.
Disponível globoplay.
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