quinta-feira, 10 de setembro de 2026

O mundo de amanhã / World of tomorrow (2015-2020)

  

Essa série é de longe a produção de ficção científica mais criativa e revolucionária que vi em anos...

Sempre falo por aqui que eu gosto de filmes de baixo orçamento e bom roteiro, mas esses conseguiram elevar essa relação quase dividindo por zero.

E não é por causa de efeitos especiais sofisticados. Exatamente o contrário. É um desenho o mais tosco possível com um roteiro que não perde em nada para o Primer, que depois que eu vi fiquei achando que nenhum outro filme de viagem no tempo presta.

É isso: esse desenho tosco de linha aí do cartaz com um dos melhores roteiros de ficção científica.

Indicado ao #Oscar2016 de melhor curta de animação.

A revista Rolling Stone, posiciona o curta entre os dez melhores filmes de ficção científica já produzidos!...

Raríssima aprovação de 100% no Rotten Tomatoes, e notas altas no IMDB: episódio 1 - 8,1; episódio 2 - 8,0 e episódio 3 - 8,2.

A trilogia, composta por World of Tomorrow (2015), World of Tomorrow Episode Two: The Burden of Other People’s Thoughts (2017) e World of Tomorrow Episode Three: The Absent Destinations of David Prime (2020), expande temas como memória, clonagem, identidade, mortalidade e o colapso emocional da humanidade diante de sua própria tecnologia. 

A trama acompanha a jornada surreal e profundamente emocional de Emily Prime, uma criança que é visitada por versões futuras de si mesma em diferentes estágios da evolução humana. 

No primeiro filme, Emily é levada por sua clone do futuro para explorar um mundo tecnologicamente avançado, porém emocionalmente devastado, onde memórias são mercadorias e a humanidade vive fragmentada. 

No segundo episódio, ela reencontra outra versão de Emily. agora sobrecarregada pelas memórias de outras pessoas. revelando um futuro ainda mais caótico, onde identidade e consciência se misturam em espirais de confusão existencial. 

No terceiro filme, a narrativa se desloca para David Prime, um descendente distante que recebe mensagens de Emily para cumprir uma missão perdida no tempo, mergulhando em um universo de clones, memórias corrompidas e destinos apagados. 

Juntos, os três curtas formam uma reflexão poética, melancólica e filosófica sobre o futuro da humanidade, a fragilidade da memória e o significado de existir em um mundo cada vez mais artificial.

O estilo minimalista, caracterizado por traços simples e figuras quase infantis, contrasta com a profundidade temática das narrativas. 

O roteiro mistura humor absurdo e sombrio, melancolia profunda e reflexões existenciais sobre o futuro da humanidade. A narrativa aborda temas como clonagem, transferência de memória, imortalidade artificial, decadência emocional e o esvaziamento das relações humanas em um mundo hiper-tecnológico. 

A trilogia expande esses temas, aprofundando a ideia de que o futuro será um lugar onde a memória e a identidade se tornam produtos instáveis, fragmentados e manipuláveis.

Com o desenho simples as vozes desempenham um papel crucial. A voz da menina tem a espontaneidade infantil que contrasta com a voz das versões adultas, em tom melancólico e distante, que ampliam a sensação de tragédia existencial. 

O estilo visual dos cenários é onírico e marcante, combinando simplicidade gráfica com complexidade emocional. A fotografia digital, com cores vibrantes e contrastes fortes, reforça a sensação de artificialidade e estranhamento. O uso de animação tradicional, misturado com técnicas digitais, cria uma estética híbrida que se tornou a marca registrada do diretor. 

A trilogia evolui visualmente a cada episódio, incorporando elementos mais complexos, como camadas de memória visual, distorções temporais e paisagens futuristas fragmentadas. Essa estética não apenas complementa o roteiro, mas também funciona como metáfora visual para a instabilidade da identidade humana no futuro.

O design de som funciona como extensão da narrativa e utiliza ruídos eletrônicos, ecos distantes e silêncios prolongados para criar uma atmosfera de melancolia futurista. 

A crítica destaca que o som funciona como extensão da narrativa, reforçando a sensação de isolamento e fragmentação emocional.  O uso de sons digitais, distorções e efeitos minimalistas contribui para a construção de um universo onde a tecnologia parece viva, pulsante e ao mesmo tempo decadente. 

Além do Primer que mencionei, remete aos sensacionais Congresso Futurista e O homem duplo - todos dois dei nota 10 -   e as séries Electric Dreams e Contos do Loop.

O episódio 1 está disponível no youtube:


Canal do diretor com clips dos espisodios 2 e 3 e entrevistas:


Nota 9. Recomendo!!!















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