sábado, 26 de setembro de 2026

O segredo de Widow's Bay (2026)

As melhores séries estão na apple tv.

Lançamento deste ano, bem hypada, é boa, mas não se entusiasme demais.

Boa mistura de terror, mistério, comédia e drama. 

Mais preocupada em vender que em convencer, ao mesmo tempo que tem todos os clichês, tenta subverter os elementos tradicionais do terror televisivo. 

A trama acompanha uma pequena ilha da Nova Inglaterra supostamente marcada por uma maldição antiga: quem nasce na ilha, se sair de lá morre. A lenda molda o comportamento dos habitantes e transforma o cotidiano em uma mistura imprevisível de terror folclórico e humor ácido. 

A narrativa segue o prefeito, que tenta impulsionar o turismo local enquanto enfrenta eventos cada vez mais estranhos e pistas que revelam um passado sombrio. À medida que novos mistérios surgem a cada episódio, a série constrói uma atmosfera às vezes, as vezes incômoda, que vai soltando novas pistas e mantendo o espectador engajado sem exagerar nos cliffhangers. 

Para dar certo visualmente, lança mão de uma boa fotografia e direção de arte.

No geral o elenco está bem, não são atores muito famosos e o roteiro consegue equilibrar o arcos de todo mundo.

Nota 7, talvez até mereceria 8, mas estou economizando no entusiasmo.

domingo, 13 de setembro de 2026

A vida dupla de Verônica (1991)


Pura poesia visual, filme para ver com os olhos e sentir com o coração, o cérebro só atrapalha...

Esse filme estava na minha lista por causa do diretor Krzysztof Kieślowski, consagrado pela sensacional "trilogia das cores", composta por A Liberdade é Azul, A Igualdade é branca e A Fraternidade é vermelha, bem como pela série Dekalog.

Essa última ainda estou assistindo pois é mais fria e sufocante que o inverno polonês.

Confesso que me senti um pouco burro depois de ver o filme, pois não li nada antes e simplesmente terminei sem entender..

Não tem como falar dele sem dar spoiler, então se vc pretende assistir, pare de ler aqui, e volte depois que tiver assistido...

O filme já é propositalmente mais enigmatico que a Esfinge e, a partir do título, a minha racionalidade atrapalhou completamente a experiência do filme, pois eu achei que a história era sobre uma pessoa com duas vidas, mas não é isso... está mais para duas pessoas que tem a mesma vida...

O roteiro nem tenta dar nenhuma explicação, e prefere sugerir, insinuar e provocar o espectador a preencher lacunas com sua própria sensibilidade. 

O roteiro é construído como um enigma emocional. A história acompanha duas mulheres idênticas  Weronika, na Polônia, e Véronique, na França (nem isso eu peguei na hora), que nunca se encontram, mas compartilham uma conexão inexplicável, meio espiritual. 

Não superei o mistério, que é tratado como elemento central, o roteiro deixa o espectador perdido de propósito de propósito dentro da proposta estética. 

Remete a outros com a temática dos duplos, tem vários resenhados aqui no blog, como por exemplo A Estrada Perdida do David Lynch,  O homem duplicado, O amante duplo, mas é de longe o mais sensorial e filmado com foco na fotografia que destaca a beleza do cotidiano...

A Irene Jacob está estonteante e hipnótica, que atriz linda, lindamente filmada!

A fotografia é espetacular, merecidamente considerada uma das mais belas já registradas no cinema. O uso de filtros dourados e esverdeados cria uma atmosfera melancólica, onírica e quase sobrenatural, reforçando a sensação transcendente do filme.  A câmera frequentemente se aproxima dos rostos, das mãos, dos pequenos detalhes, transformando gestos cotidianos em momentos de profunda significação. 

A trilha sonora predominantemente erudita é igualmente marcante e relevante, criando a atmosfera espiritual que acompanha os momentos de descoberta, perda ou conexão.

Nota 6, mais para mim que para o filme.













A odisseia (2026)


Muito barulho por pouca coisa...

O Christopher Nolan já faz parte do panteão dos diretores há muito tempo, apesar da sua filmografia não ser tão extensa, mas é só block buster, listando por ordem de preferência:

A Origem, Tenet, Transcendence, Oppenheimer, Interestelar (esse na contramão do povo deixo por último, antes dos Batman e Superman).

Agora vem esse de três horas de duração que sinceramente... não precisava. Gerou muita expectativa e não é que a realidade seja ruim, mas não é isso tudo não.

Para fazer o que o Nolan ambicionou com um filme só, o Dennis Villeneuve teve que produzir toda a trilogia Duna e cá entre nós, entrega mais.

Vai ser indicado para uma reca de categorias no #Oscar2027, mas na minha régua merece mesmo somente o design de som.

Aliás, uma das principais falhas do filme é não ter uma trilha sonora com uma canção de destaque à altura, como tinha o Gladiador.

Tirando o barulho, que é talvez o motivo para vc pagar para ver no Imax, já que aqui no brasil as poucas salas de imax cortaram as cabeças filmadas (veja o link abaixo) o estilo do diretor de tentar uma abordagem psicológica mais aprofundada dos personagens, para mim naufraga completamente (isso é um trocadilho ;)

A Odisseia no Brasil não será como Christopher Nolan filmou: Apenas 41 cinemas no mundo têm essa tecnologia

Nolan certamente queria que o filme fosse tão grande quanto a obra homérica, e fosse uma reflexão moderna sobre culpa, heroísmo e trauma de guerra, mas infelizmente o elenco não entrega isso tudo.

Vale pagar o ingresso mais caro pela escala visual monumental, com tempestades, monstros e cenários da Idade do Bronze recriados com rigor técnico, reforçando aquela conhecida megalomania estética...

Acho que passou da conta, principalmente se considerar como trata as figuras femininas.

O roteiro é um pouco fragmentado alternando entre episódios da saga de Odisseu e momentos de introspecção. A narrativa enfatiza o caráter humano do personagem, retratando-o como um líder marcado pelo arrependimento e pela busca de redenção, desviando, talvez até demais do mito heróico do poema original.  

Para atender ao público do século 21, lança mão delongas narrações em off e diálogos explicativos compensado por muito raio, trovão, barulheira e briga.

Matt Damon está absolutamente linear... até o chat gpt seria mais diversificado no tom das falas...

Quando aparece a Zendaya parece que vc está assistindo Duna.

Robert Pattinson raramente consegue desvestir o vampiro emo, e não é nesse filme...

Sobrou então para a Anne Hathaway a difícil missão de ganhar um oscar de atriz, deixa ela ser indicada, mas não tem meu voto...

A fotografia corre atrás do som nas tempestades, monstros e batalhas e tenta tirar o fôlego do espectador, mas também nesse quesito o filme 300 para mim conseguiu ser muito mais eficiente...

Como comentado acima, o fato de ter sido filmado com o estado da arte em IMAX, em alta resolução, acaba levantando um debate de exclusão tecnológica - o ingresso médio de IMAX no Brasil chega aos R$60,00...

Enfim, foi feito para arrecadar milhões, paguei para ver (literalmente), acho que vale pagar, mas não posso dizer que gostei.

Nota 7, mas considerando que a minha experiência com esse foi parecida com Interestelar, recomendo que você assista, pois esse outro eu também não gostei mas todo mundo gostou...




quinta-feira, 10 de setembro de 2026

O mundo de amanhã / World of tomorrow (2015-2020)

  

Essa série é de longe a produção de ficção científica mais criativa e revolucionária que vi em anos...

Sempre falo por aqui que eu gosto de filmes de baixo orçamento e bom roteiro, mas esses conseguiram elevar essa relação quase dividindo por zero.

E não é por causa de efeitos especiais sofisticados. Exatamente o contrário. É um desenho o mais tosco possível com um roteiro que não perde em nada para o Primer, que depois que eu vi fiquei achando que nenhum outro filme de viagem no tempo presta.

É isso: esse desenho tosco de linha aí do cartaz com um dos melhores roteiros de ficção científica.

Indicado ao #Oscar2016 de melhor curta de animação.

A revista Rolling Stone, posiciona o curta entre os dez melhores filmes de ficção científica já produzidos!...

Raríssima aprovação de 100% no Rotten Tomatoes, e notas altas no IMDB: episódio 1 - 8,1; episódio 2 - 8,0 e episódio 3 - 8,2.

A trilogia, composta por World of Tomorrow (2015), World of Tomorrow Episode Two: The Burden of Other People’s Thoughts (2017) e World of Tomorrow Episode Three: The Absent Destinations of David Prime (2020), expande temas como memória, clonagem, identidade, mortalidade e o colapso emocional da humanidade diante de sua própria tecnologia. 

A trama acompanha a jornada surreal e profundamente emocional de Emily Prime, uma criança que é visitada por versões futuras de si mesma em diferentes estágios da evolução humana. 

No primeiro filme, Emily é levada por sua clone do futuro para explorar um mundo tecnologicamente avançado, porém emocionalmente devastado, onde memórias são mercadorias e a humanidade vive fragmentada. 

No segundo episódio, ela reencontra outra versão de Emily. agora sobrecarregada pelas memórias de outras pessoas. revelando um futuro ainda mais caótico, onde identidade e consciência se misturam em espirais de confusão existencial. 

No terceiro filme, a narrativa se desloca para David Prime, um descendente distante que recebe mensagens de Emily para cumprir uma missão perdida no tempo, mergulhando em um universo de clones, memórias corrompidas e destinos apagados. 

Juntos, os três curtas formam uma reflexão poética, melancólica e filosófica sobre o futuro da humanidade, a fragilidade da memória e o significado de existir em um mundo cada vez mais artificial.

O estilo minimalista, caracterizado por traços simples e figuras quase infantis, contrasta com a profundidade temática das narrativas. 

O roteiro mistura humor absurdo e sombrio, melancolia profunda e reflexões existenciais sobre o futuro da humanidade. A narrativa aborda temas como clonagem, transferência de memória, imortalidade artificial, decadência emocional e o esvaziamento das relações humanas em um mundo hiper-tecnológico. 

A trilogia expande esses temas, aprofundando a ideia de que o futuro será um lugar onde a memória e a identidade se tornam produtos instáveis, fragmentados e manipuláveis.

Com o desenho simples as vozes desempenham um papel crucial. A voz da menina tem a espontaneidade infantil que contrasta com a voz das versões adultas, em tom melancólico e distante, que ampliam a sensação de tragédia existencial. 

O estilo visual dos cenários é onírico e marcante, combinando simplicidade gráfica com complexidade emocional. A fotografia digital, com cores vibrantes e contrastes fortes, reforça a sensação de artificialidade e estranhamento. O uso de animação tradicional, misturado com técnicas digitais, cria uma estética híbrida que se tornou a marca registrada do diretor. 

A trilogia evolui visualmente a cada episódio, incorporando elementos mais complexos, como camadas de memória visual, distorções temporais e paisagens futuristas fragmentadas. Essa estética não apenas complementa o roteiro, mas também funciona como metáfora visual para a instabilidade da identidade humana no futuro.

O design de som funciona como extensão da narrativa e utiliza ruídos eletrônicos, ecos distantes e silêncios prolongados para criar uma atmosfera de melancolia futurista. 

A crítica destaca que o som funciona como extensão da narrativa, reforçando a sensação de isolamento e fragmentação emocional.  O uso de sons digitais, distorções e efeitos minimalistas contribui para a construção de um universo onde a tecnologia parece viva, pulsante e ao mesmo tempo decadente. 

Além do Primer que mencionei, remete aos sensacionais Congresso Futurista e O homem duplo - todos dois dei nota 10 -   e as séries Electric Dreams e Contos do Loop.

O episódio 1 está disponível no youtube:


Canal do diretor com clips dos espisodios 2 e 3 e entrevistas:


Nota 9. Recomendo!!!















domingo, 6 de setembro de 2026

Mayday (2026)


Desde quando eu vi o Arnold Schwarzenegger pular de um avião sem paraquedas e sair correndo em Comando para Matar de 1985, eu considero esse tipo de filme no gênero comédia e são bem-vindos.

Xaropão de Sessão da Tarde ou Tela Quente, bom entretenimento de aventura, exagerado e divertido, até mesmo na gororoba ideológica estadunidense de sempre.

Ou seja, pelo roteiro é o mesmo filme que vc já viu duzentas vezes mas vale principalmente pela boa química dos atores.

O filme se passa na década de 1980 e explora a rivalidade entre dois homens treinados para enxergar um ao outro como inimigos, redução tosca típica dos dias atuais polarizados em tudo.

A trama se desenvolve a partir de uma missão militar que se transforma em uma série de eventos caóticos, onde traições, mal-entendidos e disputas de ego moldam o destino dos protagonistas, com sequências de ação que não se levam pouco a sério. 

Mais falso que nota de 3, o filme é todo passado na Rússia, sem ter filmado uma única cena lá, algumas locações no Canadá e na Hungria. É a IA gerando lucro para o streaming.

Gostei mais do Kenneth Branagh, que entrega um ótimo timing de comédia, está melhor que o Ryan Reynolds, na mesma vibe do detetive Hercule Poirot em Assassinato no Expresso Oriente, Morte no Nilo e Mistério em Veneza.

Destaque para as pausas cômicas e coreografias das lutas filmadas mais lentas e deixaram assim mesmo, ficou parecendo que faltou acelerar.

Fotografia  saturada, enquadramentos amplos e uma direção de arte que remete diretamente ao cinema de ação dos anos 80.  O visual reforça a sensação de nostalgia, ao mesmo tempo em que cria uma atmosfera caricata que combina com o tom humorístico e exagerado da narrativa. A trilha sonora acompanha a matinê, metendo Van Halen, Kenny Loggins e Bruce Springsteen.

Geralmente não curto esse tipo de filme, mas sendo domingo depois do almoço, cabe.

Nota 7. recomendo para quem gosta de filme com soldado estadunidense atirando em russo criado por IA.

Disponível Apple TV.

Mayday (2026) - IMDb