domingo, 13 de setembro de 2026

A vida dupla de Verônica (1991)


Pura poesia visual, filme para ver com os olhos e sentir com o coração, o cérebro só atrapalha...

Esse filme estava na minha lista por causa do diretor Krzysztof Kieślowski, consagrado pela sensacional "trilogia das cores", composta por A Liberdade é Azul, A Igualdade é branca e A Fraternidade é vermelha, bem como pela série Dekalog.

Essa última ainda estou assistindo pois é mais fria e sufocante que o inverno polonês.

Confesso que me senti um pouco burro depois de ver o filme, pois não li nada antes e simplesmente terminei sem entender..

Não tem como falar dele sem dar spoiler, então se vc pretende assistir, pare de ler aqui, e volte depois que tiver assistido...

O filme já é propositalmente mais enigmatico que a Esfinge e, a partir do título, a minha racionalidade atrapalhou completamente a experiência do filme, pois eu achei que a história era sobre uma pessoa com duas vidas, mas não é isso... está mais para duas pessoas que tem a mesma vida...

O roteiro nem tenta dar nenhuma explicação, e prefere sugerir, insinuar e provocar o espectador a preencher lacunas com sua própria sensibilidade. 

O roteiro é construído como um enigma emocional. A história acompanha duas mulheres idênticas  Weronika, na Polônia, e Véronique, na França (nem isso eu peguei na hora), que nunca se encontram, mas compartilham uma conexão inexplicável, meio espiritual. 

Não superei o mistério, que é tratado como elemento central, o roteiro deixa o espectador perdido de propósito de propósito dentro da proposta estética. 

Remete a outros com a temática dos duplos, tem vários resenhados aqui no blog, como por exemplo A Estrada Perdida do David Lynch,  O homem duplicado, O amante duplo, mas é de longe o mais sensorial e filmado com foco na fotografia que destaca a beleza do cotidiano...

A Irene Jacob está estonteante e hipnótica, que atriz linda, lindamente filmada!

A fotografia é espetacular, merecidamente considerada uma das mais belas já registradas no cinema. O uso de filtros dourados e esverdeados cria uma atmosfera melancólica, onírica e quase sobrenatural, reforçando a sensação transcendente do filme.  A câmera frequentemente se aproxima dos rostos, das mãos, dos pequenos detalhes, transformando gestos cotidianos em momentos de profunda significação. 

A trilha sonora predominantemente erudita é igualmente marcante e relevante, criando a atmosfera espiritual que acompanha os momentos de descoberta, perda ou conexão.

Nota 6, mais para mim que para o filme.













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