Aqui no blog tem outros dois do diretor Thomas Vinterberg resenhados: Druk e A Caça, e sempre comento sobre o ótimo Festa de família.
O estilo dele é falar das fragilidades humanas na lata, sem rodeio, seguindo as ideias do movimento Dogma 95.
Esse talvez seja um dos exemplos mais intensos dessa abordagem.
Roteiro adaptado do romance de Jonas T. Bengtsson, o filme mergulha em um universo de dor, abandono e sobrevivência emocional, seguindo dois irmãos marcados por uma infância devastadora. A narrativa acompanha Nick, interpretado por Jakob Cedergren, recém-saído da prisão e lutando contra o alcoolismo, e seu irmão mais novo, vivido por Peter Plaugborg, dependente de heroína e tentando criar o próprio filho em meio ao caos.
A construção dramática é crua, direta e sem concessões, indo reto na verdade e complexidade multidimensional dos personagens, como nos outros do diretor.
É aquele estilo dinamarquês frio, pesado e claustrofóbico, mas ao mesmo tempo alcança a pureza e conexão entre os irmãos que, mesmo em meio à escuridão e melancolia sonham em formar a família que nunca tiveram.
Me remete a Requiem para um sonho, que também vi recentemente e ainda vou resenhar por aqui, e também aos dois Trainspotting.
Incômodo e angustiante, duro e brutalmente humano. Não escondo de ninguém que o meu gênero favorito é tragédia, então dou nota 7, mas acho que a maioria das pessoas pode achar muito pesado.
Disponível no MUBI e Prime vídeo.
