Muito barulho por pouca coisa...
O Christopher Nolan já faz parte do panteão dos diretores há muito tempo, apesar da sua filmografia não ser tão extensa, mas é só block buster, listando por ordem de preferência:
A Origem, Tenet, Transcendence, Oppenheimer, Interestelar (esse na contramão do povo deixo por último, antes dos Batman e Superman).
Agora vem esse de três horas de duração que sinceramente... não precisava. Gerou muita expectativa e não é que a realidade seja ruim, mas não é isso tudo não.
Para fazer o que o Nolan ambicionou com um filme só, o Dennis Villeneuve teve que produzir toda a trilogia Duna e cá entre nós, entrega mais.
Vai ser indicado para uma reca de categorias no #Oscar2027, mas na minha régua merece mesmo somente o design de som.
Aliás, uma das principais falhas do filme é não ter uma trilha sonora com uma canção de destaque à altura, como tinha o Gladiador.
Tirando o barulho, que é talvez o motivo para vc pagar para ver no Imax, já que aqui no brasil as poucas salas de imax cortaram as cabeças filmadas (veja o link abaixo) o estilo do diretor de tentar uma abordagem psicológica mais aprofundada dos personagens, para mim naufraga completamente (isso é um trocadilho ;)
Nolan certamente queria que o filme fosse tão grande quanto a obra homérica, e fosse uma reflexão moderna sobre culpa, heroísmo e trauma de guerra, mas infelizmente o elenco não entrega isso tudo.
Vale pagar o ingresso mais caro pela escala visual monumental, com tempestades, monstros e cenários da Idade do Bronze recriados com rigor técnico, reforçando aquela conhecida megalomania estética...
Acho que passou da conta, principalmente se considerar como trata as figuras femininas.
O roteiro é um pouco fragmentado alternando entre episódios da saga de Odisseu e momentos de introspecção. A narrativa enfatiza o caráter humano do personagem, retratando-o como um líder marcado pelo arrependimento e pela busca de redenção, desviando, talvez até demais do mito heróico do poema original.
Para atender ao público do século 21, lança mão delongas narrações em off e diálogos explicativos compensado por muito raio, trovão, barulheira e briga.
Matt Damon está absolutamente linear... até o chat gpt seria mais diversificado no tom das falas...
Quando aparece a Zendaya parece que vc está assistindo Duna.
Robert Pattinson raramente consegue desvestir o vampiro emo, e não é nesse filme...
Sobrou então para a Anne Hathaway a difícil missão de ganhar um oscar de atriz, deixa ela ser indicada, mas não tem meu voto...
A fotografia corre atrás do som nas tempestades, monstros e batalhas e tenta tirar o fôlego do espectador, mas também nesse quesito o filme 300 para mim conseguiu ser muito mais eficiente...
Como comentado acima, o fato de ter sido filmado com o estado da arte em IMAX, em alta resolução, acaba levantando um debate de exclusão tecnológica - o ingresso médio de IMAX no Brasil chega aos R$60,00...
Enfim, foi feito para arrecadar milhões, paguei para ver (literalmente), acho que vale pagar, mas não posso dizer que gostei.
Nota 7, mas considerando que a minha experiência com esse foi parecida com Interestelar, recomendo que você assista, pois esse outro eu também não gostei mas todo mundo gostou...

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