Palma de ouro em #Cannes2025, junto com Valor Sentimental talvez seja o maior concorrente do Agente Secreto para o #Oscar2026.
Ainda não vi Sem Ursos, mas gostei mais de 3 Faces do que desse.
Dirigido pelo consagrado cineasta iraniano Jafar Panahi, frequentemente perseguido e censurado pelo regime iraniano, condição comum de outros diretores, p. ex. o premiado Asghar Farhadi ( A semente do fruto sagrado indicado ao #Oscar 2025, A Separação - #Oscar 2012, Um herói e O passado)
Como outros anteriores traz experiências pessoais do diretor, que passou meses encarcerado e chegou a realizar greve de fome para denunciar abusos.
A força autoral de Panahi se manifesta tanto na coragem de abordar temas sensíveis quanto na habilidade de transformar dor em cinema político de altíssima potência. Ele é um cineasta que filma não apenas por vocação, mas por necessidade. — e isso reverbera em cada minuto do longa.
O roteiro, escrito pelo próprio Panahi, acompanha um grupo de ex-prisioneiros políticos que reencontra um homem que acreditam ser seu antigo torturador. A partir daí, o filme se transforma em um estudo profundo sobre trauma, memória e responsabilidade individual dentro de sistemas autoritários.
Diálogos densos, carregados de tensão e ambiguidade, nos quais cada personagem revela sua dor e contradições .
O roteiro também levanta questões éticas complexas - até que ponto um indivíduo deve ser responsabilizado por crimes cometidos sob ordens superiores? A vingança é capaz de reparar um trauma coletivo? E o que significa perdoar quando as feridas ainda estão abertas?
Apesar da distância cultural, o espectador brasileiro se sente familiarizado com essas temáticas, que também aparecem em muitos filmes por aqui, tanto os nacionais quanto latino americanos, p. ex. O que é isso companheiro? Batismo de sangue, Ainda estou aqui, Argentina 1985, O olvido que seremos, entre outros (vide a lista da Carta Capital).
Com atores e não-atores, as performances são marcadas pela autenticidade, resultado tanto da direção de Panahi quanto da proximidade dos intérpretes com a realidade retratada. Bons diálogos e monólogos dão ao filme um tom de documentário.
Fotografia bacana, com destaque para um plano-sequência todo vermelho no final, que é um dos mais potentes dos últimos tempos, pensando neste tipo de filme.
Nota 7, acho que não bate o Kleber Mendonça, #natorcida.
Nos cinemas.
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