domingo, 1 de março de 2026

Um amigo de Dorothy (2025)

 No momento que escrevo Teerã está sob ataque injustificável de ianques bregas e expan sionistas, o que me faz desanimar bastante com a ideia e tudo que representa o Oscar, mas gosto de cinema, então antes de mais nada #stopwar.

Curta metragem indicado ao #oscar2026.

Pelo menos para mim o título não soa metaforicamente... sugar baby e sugar daddy eu escuto sempre, mas "amigo de Dorothy" confesso que não conhecia.

Pelo que li, é um  termo historicamente utilizado como código entre homens gays desde meados do século XX. Embora o filme não explore profundamente a origem do termo, navega pela temática queer.

A narrativa é centrada na vida de uma viúva solitária cuja rotina é interrompida quando um adolescente acidentalmente chuta sua bola de futebol para dentro de seu jardim e entra em temas como  solidão, acolhimento e descoberta, com a profundidade possível para um curta...

Eu não curti muito, o filme é bem linear, não me tocou, apesar da boa atuação da Miriam Margolyes. 

Mais ou menos nessa vibe, não da temática queer mas sobre o amor na terceira idade, recomendo o ótimo Meu bolo favorito

Nota 6. 

O filme está disponível no youtube! Assista e comente o que achou:




O Drama Menstrual de Jane Austen (2024)

No momento que escrevo Teerã está sob ataque injustificável de ianques bregas e expan sionistas, o que me faz desanimar bastante com a ideia e tudo que representa o Oscar, mas gosto de cinema, então antes de mais nada #stopwar.

Ótimo e muito bem humorado curta indicado ao #oscar 2026.

Eu mesmo não sou muito versado em literatura inglesa então vale a pena explicar que Jane Austen foi uma das autoras mais influentes, reconhecida por sua habilidade singular em retratar, com ironia refinada e observação social precisa, a vida cotidiana da aristocracia rural britânica do final do século XVIII e início do XIX.  Sua obra é considerada um marco da literatura mundial, especialmente por explorar temas como casamento, moralidade, independência feminina e as sutilezas das relações sociais.

Austen escrevia em um período em que as mulheres tinham pouco espaço no mercado editorial, mas sua prosa espirituosa, sua crítica social afiada e sua capacidade de construir personagens complexos garantiram que seus livros atravessassem séculos. Obras como Orgulho e Preconceito, Razão e Sensibilidade e Emma continuam sendo adaptadas para cinema, TV e teatro. 

Escrito e dirigido por Julia Aks (que também atua) e Steve Pinder, traz uma abordagem ousada: transformar um momento íntimo e biologicamente natural, a menstruação, em catalisador de uma sátira social na Inglaterra do séc. XIX. 

O melhor do filme são os nomes dos personagens.

A premissa é simples e provocativa: durante um aguardado pedido de casamento, a protagonista Estrogenia Talbot menstrua, gerando uma reação desastrosa de seu pretendente, o Sr. Dickley. 

A partir desse incidente, o curta desmonta com muito  humor ácido, códigos sociais e faz uma crítica aos tabus contemporâneos que ainda cercam o corpo feminino e a absoluta ignorância patriarcal a respeito. 

Nas entrevistas que estão no youtube, a própria autora diz que a ideia inicial era uma esquete de três minutos que virou um roteiro de 76 páginas, então não se propõe a ser um filme de protesto ou algo do tipo, pelo contrário.

Tem o mesmo tom dos recentes EmmaEnola Holmes e Enola Holmes 2.

Nota 8, recomendo.

Está disponível no youtube! Assista e comente:





Duas pessoas trocando saliva (2024)

No momento que escrevo Teerã está sob ataque injustificável de ianques bregas e expan sionistas, o que me faz desanimar bastante com a ideia e tudo que representa o Oscar, mas gosto de cinema, então antes de mais nada #stopwar.

Bom filme, curta indicado merecidamente ao #Oscar2026, muuucho loko.

Dirigido por Natalie Musteata e Alexandre Singh, constrói uma narrativa que se apoia fortemente na crítica social em uma Paris  distópica e consumista, onde é proibido beijar (aparentemente fazer sexo também), as pessoas cultivam o mal hálito e tudo se paga com tapas na cara.

Uma metáfora sobre controle social, consumo e vigilância. Critica como o Estado e o mercado moldam corpos, desejos e comportamentos usando uma estética que mistura teatralidade, estranhamento e humor ácido.

O filme é em preto e branco e é bem sensorial e bizarro,  provoca aflição desde a primeira cena. De certa forma combina com o Se eu tivesse pernas te chutaria, que também se destacou na temporada.

O roteiro acompanha uma jovem vendedora de uma loja de departamentos exclusiva e de luxo, que se envolve com uma cliente, despertando suspeitas e ciúmes de uma colega. 

A narrativa utiliza a proibição do beijo como símbolo de um mundo onde a intimidade é mercantilizada e rigidamente controlada, e onde o afeto é mediado pela compra de produtos e pela violência. 

Uma nuance que eu gostei é que o filme explora a estilização visual sofisticada com um tom de ostentação mas que tem por trás o enorme vazio da vida sem sentido das personagens. 

Lembra um pouco os filmes do Yorgos Lanthimos (veja aqui no blog as resenhas de Pobres Criaturas, Tipos de Gentileza e Bugonia - esse último concorre a melhor filme no #oscar2026), especialmente O Lagosta

Igualmente os do Shane Carruth, p. ex. Upstream Color .

Nota 7, recomendo.

O filme está disponível no youtube! Assista e comente o que achou: