domingo, 15 de março de 2026

A vida de Chuck (2025)



Esse diretor costuma fazer coisas mais para terror como Doutor Sono e A maldição da Residência Hill, que está na minha fila.

Este também é uma adaptação do Stephen King. 

Diferente das narrativas de terror pelas quais esse autor é mais conhecido, esta história aposta em uma abordagem mais humana, contemplativa e emocional, explorando a vida de um homem comum enquanto o mundo ao seu redor parece se dissolver.

Mistura de gêneros -  fantasia, ficção científica e drama existencial. 

Enquanto a realidade começa a se desfazer de maneira inexplicável, a trama mostra a trajetória de Charles Krantz de trás para frente. O filme apresenta diferentes momentos da vida de Chuck, desde os instantes mais íntimos de sua infância até os dias que antecedem o fim do mundo, mostrando como suas experiências, encontros e escolhas moldam a percepção do que significa existir. À medida que o enigma por trás do fapocalipse se entrelaça com sua história pessoal, a narrativa transforma o caos em uma reflexão sobre a importância dos vínculos humanos e sobre como gestos aparentemente pequenos podem carregar um peso imenso quando vistos em retrospecto.

No final do dia tem uma mensagem até bastante positiva, da vida comum e do cotidiano como dádivas para as quais temos que construir um sentido.

O texto explora conceitos de física quântica, espiritualidade e existencialismo.

A fotografia e a trilha sonora desempenham papéis fundamentais na construção da atmosfera contemplativa do filme. 

Parece bastante com Árvore da VidaBrilho eterno de uma nente sem lembranças e remete também ao Curioso caso de Benjamin Button. 

Nota 7, recomendo. 

Disponível nos streamings.

A Vida de Chuck (2024) - IMDb

Anaconda (2025)

Remake é igual reality show: ninguém admite que assiste, mas o investimento retorna.

Para ver o Selton Mello brilhando na carreira internacional, a gente releva qualquer coisa - a selva amazônica no Rio, o Brasil latino sem infraestrutura, ao som de flauta andina e pio de condor e daí para baixo...

Do mesmo diretor Tom Gormican de O peso do talento, relendo a resenha vejo que tive a mesma impressão neste...

Irreverente e artificial de propósito, o filme é uma sátira bem exagerada misturando ação, comédia e metalinguagem, acompanha os amigos Griff  (Paul Rudd), Doug (Jack Black), Kenny (Steve Zahn) e Claire (Tandiwe Newton) em uma jornada pela Amazônia para filmar um reboot do seu longa favorito (adivinha o nome), até que uma anaconda gigantesca transforma a aventura em caos real.

A fórmula, já bem batida em filmes como Deadpool e outros desvia a atenção do roteiro para justificar perseguições pirotécnicas... 

Pelo menos os personagens falam português e não tem piada com os indígenas, só com mal tratos a animais selvagens, mesmo... 

Nesse contexto estadunizado a performance do Selton Mello como Santiago, treinador de cobras, se destaca, ele está ótimo com as falas e tempo de tela reduzidos - assista as cenas pós créditos!!!

Tem um pouco a mesma vibe de Rebobine por favor, pois a trama gira em torno de uma paródia suecada e não autorizada do filme original.

Nota 6, recomendo no domingo após o almoço depois de umas cervejas.

Disponível nos streamings.

Anaconda (2025) - IMDb

O som da queda (2025)


Sensorial, denso, pesado, longo e difícil de entender, com certeza não é para "o grande público"...

Indicado a Palma de Ouro e vencedor do prêmio do júri em #Cannes2025, entrada da Alemanha para o #Oscar2026,  não foi indicado.

Desde Cloud Atlas aka A Viagem, que eu não achava um filme tão difícil de entender.

O filme tem um tom sombrio e fantasmagórico, totalmente sensorial e não-linear, nem no tempo nem nos cruzamentos das quatro histórias que estão dentro do roteiro. 

Pra ser sincero duas das histórias eu até achei que eram uma só, somente depois lendo sobre o filme que eu descobri que não...

O filme gira em torno da violência contra as mulheres e opressão patriarcal.

De uma maneira parecida com Valor Sentimental, o roteiro utiliza como elemento central uma fazenda,  que testemunha e aprisiona várias gerações de mulheres. 

Escrito e dirigido por Mascha Schilinski em parceria com Louise Peter, o roteiro acompanha quatro gerações de mulheres que habitam a fazenda ao longo de décadas, alternando entre épocas sem explicações explícitas ou transições convencionais, eu nem consegui diferenciar duas delas.

Não tem explicações, diálogos expositivos ou arcos tradicionais, as quatro histórias vão rolando ao mesmo tempo, misturadas e sem ordem, nem temporal, dentro de cada uma delas, deixando para o espectador o desafio - difícil - de concatenar o que está passando na tela.

Essa escolha reforça a atmosfera de mistério e desconforto, que também exige do espectador uma postura ativa, interpretativa e paciente. O resultado é um filme que se recusa a ser facilmente decifrado, apostando em simbolismos, metáforas visuais e na força do que não é dito. 

A fotografia é central na proposta do filme, a câmera, frequentemente se comporta como um fantasma observando a cena, como se algo invisível acompanhasse as personagens. 

Nesse sentido lembra muito Os Outros, a estética do filme aproxima muito de um filme de terror, mas não é isso... trata-se de um drama cru e visceral.

Essa proposta visual não apenas embeleza o filme, mas também intensifica sua temática, transformando a casa e o campo em espaços carregados de memória, dor e silêncio. Talvez seja a grande virtude do filme e para ela dar certo, grande parte se deve também ao design de som, fundamental na construção da atmosfera opressiva do filme - inclusive acho que daqui que saiu o título.

Me remeteu também um pouco ao ótimo Sombras da Vida, que mesmo sendo também muito não-linear, é mais palatável... lembra também o Dogville e Manderlay

Nota 7, recomendo para quem consegue assistir em alemão sem legendas.

O Som da Queda (2025) - IMDb


domingo, 8 de março de 2026

O cavaleiro dos sete reinos (2026~)

Eu sou do grupo de fãs que odiou a última temporada de GOT, mas continua gostando do conjunto da obra.

A Casa do Dragão também está ajudando na contenção de danos.

Mas essa... não.

Bela xaropada medievalesca.

Os episódios mais curtos e o tom mais bem humorado do personagem são pontos positivos mas não revertem o melodrama agridoce, mesmo com nudez frontal, sangue espirrando e cabeça quebrada.

Muita conversa e pouca treta, não faz jus à franquia. 

O ator mirim se sai melhor que o principal.

Nota 5, não recomendo. Só pode ser robô votando no imdb para chegar em 8,8.

Série HBO.



Tron ares (2025)

 


Tudo que vende sempre pode vender mais um pouco, sem sair da zona de conforto.

Quando eu era adolescente eu gostava de desenhar as naves do primeiro filme que em 1982 era pura inovação.

Dirigido por Joachim Ronning, que já trabalhou na franquia Piratas do Caribe.

Passados 12 anos da sequencia Tron o Legado, esse desloca o foco do Grid para o mundo real, explorando o impacto do encontro entre humanidade e inteligências artificiais avançadas, argumento já bem batido...

 O roteiro tenta equilibrar nostalgia e atualização temática, sem muito sucesso. A trama envolve a chegada de Ares, um programa altamente sofisticado, ao mundo real, inaugurando o primeiro contato entre humanos e uma IA plenamente consciente. 

Segue a cartilhinha de filme de ação + ficção sem desviar nem um milímetro.

Confira a listinha que deixei na resenha de A resistênciaMetropolis, 2001, Inteligência Artificial do Spielberg,  Blade Runner e a sua continuação de 2049, Matrix com destaque para Animatrix, os recentes Ela e Ex Machina, O Homem Bicentenário, Eu Robô, alguns episódios de Black Mirror... 

Aqui no blog já resenhei alguns desse tema: Robot & Frank, A garota artificial, I'm your man, Archive, After Yang

Destaque para o  Jared Leto e a Gillian Anderson merecia mais tempo de tela. Já o Jeff Bridges ficou meio protocolar. 

Com o roteiro mais ou menos, quem segura são os efeitos visuais e a trilha, composta pelo Nine Inch Nails. 

Nota 7, recomendo para quem gosta de pipoca sem sal e vai entender tudo mesmo se dormir no meio do filme.

Disponivel prime e disney.

Tron: Ares (2025) - IMDb


For all mankind (2019 ~)


Desisti dessa série no meio da terceira temporada.

Ponto fora da curva da Apple TV, cujas séries não me canso de elogiar aqui no blog.

Os efeitos até que valem a pena conferir, mas o roteiro é um novelão bizarro.

O foco acaba recaindo nas tretas emocionais e comportamentais dos personagens e o argumento até interessante inicialmente, de que a corrida espacial foi vencida pelos russos e não acabou, vai literalmente para o espaço.

Todo santo episódio tem um defeito com luz vermelha piscando e no final algum heróis salva os que não morreram...

A série começa nos anos 60 e vai seguindo com os mesmos personagens, na terceira temporada tem astronauta com mais de 60 anos... até o capitão Kirk se aposentou um dia!...

Alguém me avise se a 4a temporada presta e os assinantes estão pagando, pois já vai estrear a 5a...

Nota 5, não recomendo, ou melhor recomendo para quem gosta de Star Trek e de novela mexicana dublada em inglês.

https://www.imdb.com/pt/title/tt7772588/

Andor (2022-2025)


Eu me lembro bem da primeira vez que eu vi o Luke Skywalker.

Nos final dos anos 1970 a minha mãe era massagista e atendia a domicílio, às vezes ela me levava junto quando não tinha com quem me deixar.

Numa dessas casas havia um conjunto de miniaturas action figures importadas dos EUA, com todos os personagens da saga Star Wars.

Mas acho que o primeiro filme que vi no cinema foi O retorno de Jedi em 1983...

Até hoje eu continuo xingando o George Lucas por ter vendido a franquia para a Disney em 2012. Ele ganhou tanto dinheiro, mas tanto que ficou com preguiça de ganhar mais, o que no fundo é até sabedoria.

CAIXA DE PANDEIRO: George Lucas, seu vendido...

Enfim lá se vai mais de uma década de enxadadas e enquanto existir a Disney os produtos dessa franquia vão continuar vendendo.

Tinha muito tempo que essa série estava na fila, pois depois de tanto filme insosso e série infantil de CGI a expectativa era ruim.

No imdb está com nota 8,6 altíssima para a média do site.

Eu dou um 7 e concordo com os fãs que está acima da média do que a Disney tem feito nessa franquia.

Recomendo para quem tiver som externo com subwoofer e surround... 

Fiquei até espantado com a lista que já acrescentaram na dupla trilogia original, veja abaixo.

Chronological Order

  • The Acolyte (2024)
  • Star Wars: The Phantom Menace (Episode I) (1999)
  • Star Wars: Attack of the Clones (Episode II) (2002)
  • Star Wars: The Clone Wars (movie, 2008)
  • Star Wars: The Clone Wars (series, 2008)
  • Star Wars: Tales of the Jedi (2022)*
  • Star Wars: Revenge of the Sith (Episode III) (2005)
  • Star Wars: Tales of the Empire (2024)*
  • Star Wars: Tales of the Underworld (2025)*
  • Star Wars: The Bad Batch (2021)
  • Solo: A Star Wars Story (2018)
  • Obi-Wan Kenobi (2022)
  • Andor (2022)**
  • Star Wars Rebels (2014)**
  • Rogue One: A Star Wars Story (2016)
  • Star Wars: A New Hope (Episode IV) (1977)
  • Star Wars: The Empire Strikes Back (Episode V) (1980)
  • Star Wars: Return of the Jedi (Episode VI) (1983)
  • The Mandalorian (2019)
  • The Book of Boba Fett (2021)
  • Ahsoka (2023)
  • Skeleton Crew (2024)
  • Star Wars Resistance (2018)***
  • Star Wars: The Force Awakens (Episode VII) (2015)
  • Star Wars: The Last Jedi (Episode VIII) (2017)
  • Star Wars: The Rise of Skywalker (Episode IX) (2019)


sábado, 7 de março de 2026

Kokuho - o preço da perfeição (2025)


Eu tenho muita birra de quem fica inventando esses subtítulos nas distribuidoras.

Bom filme, indicação merecida de cabelo e maquiagem no #Oscar2026, meio de consolação por ter ficado de fora da indicação de filme estrangeiro.

Ambientado no Japão do pós‑guerra, acompanha a jornada de Kikuo Tachibana, um jovem marcado pela morte precoce do pai, chefe da Yakuza, acolhido por uma tradicional família de atores de Teatro kabuki.

Sob a tutela rigorosa do mestre Hanjiro Hanai, Kikuo mergulha em um universo artístico dominado por disciplina extrema, hierarquias rígidas e uma devoção quase religiosa ao palco. Ali, ele desenvolve uma relação intensa e complexa com Shunsuke Ogaki, herdeiro legítimo da linhagem Hanai, cuja falta de talento contrasta dolorosamente com o brilho natural de Kikuo. 

À medida que ambos crescem, treinam e competem, suas vidas se entrelaçam em um ciclo de admiração, rivalidade, amor, ressentimento e sacrifício. O filme acompanha décadas de suas trajetórias, revelando como cada apresentação, cada personagem e cada escolha moldam não apenas suas carreiras, mas também suas identidades e destinos. 

Eles são onnagata, atores de kabuki especializados em interpretar papéis femininos, uma tradição que exige técnica refinada, controle corporal extremo e uma estética que transcende o gênero. 

Entre saltos temporais, performances arrebatadoras e conflitos silenciosos, Kikuo ascende ao status de Tesouro Nacional (essa que é a tradução do título) símbolo  da glória máxima para uma vida dedicada à perfeição artística. 

Compriiiido... quase 3h, o que é um problema filosófico de montagem, pois muitas cenas são repetidas por causa do roteiro, para mostrar detalhes na atuação dos dois personagens.

Enfim, um mergulho na cultura kabuki, com boas atuações e bela fotografia. 

Pensando em outros filmes que falam de sacrifício pela arte, dialoga com Cisne Negro, Os filmes japoneses que estão resenhados aqui no blog não vão muito nessa direção.

Nota 7, recomendo para quem topa 3h de filme bonito.

Nos cinemas.

Kokuho - O Preço da Perfeição (2025) - IMDb

sexta-feira, 6 de março de 2026

Redux redux (2025)


Muito bom, cinema indie da melhor qualidade! Adoro filme de baixo orçamento com bom roteiro.

Dirigido pelos irmãos Kevin McManus e Matthew McManus, que eu não conhecia, coloquei o anterior O mistério de Block Island aqui na minha fila.

Continuo achando que depois de Primer nenhum filme de viagem no tempo se iguala, mas este vale a pipoca! Aqui no blog tem muitos resenhados, procure pela caixa de busca.

Diferentemente das superproduções que exploram realidades paralelas com efeitos grandiosos e narrativas expansivas, aqui vem uma narrativa mais intimista e ao mesmo tempo, tensa equilibrando ficção, ação e drama.

A sinopse básica é uma uma mãe que viaja por universos paralelos para matar repetidamente o assassino da sua filha, e em um deles acaba impedindo o assassinato de outra adolescente.  Em vez de focar em tecnicismos sobre viagens dimensionais, o filme utiliza o multiverso como metáfora para a repetição do luto e para a busca desesperada por um desfecho diferente, mesmo que impossível. 

O filme é estrelado pela irmã dos diretores, Michaela McManus que está muito bem, geralmente eu curto atores e atrizes desconhecidos, mas aqui achei que o roteiro merecia mais experiência, particularmente a outra atriz coadjuvante.

O design de som é um personagem à parte. 

Nota 9, disponível prime video (com VPN).



Palestina 36 (2025)


Lindo filme!!!

Mais que necessário neste momento de guerra e genocídio...

Entrada da Palestina para o #Oscar2026 de filme em lingua não inglesa, mas não ficou na lista final.

Dirigido por Annemarie Jacir, reconstrói a revolta palestina de 1936 contra o império Britânico. Um filme  sobre a questão Palestina, sob o ponto de vista palestino, talvez merecesse mais tempo em formato de minissérie. Retrata a escalada do movimento inicialmente pacífico até se tornar um marco de resistência contra o colonialismo britânico e sionista, jogando luz sobre o capítulo histórico que moldou as dinâmicas geopolíticas da região

A narrativa acompanha Yusuf, um jovem que transita entre Jerusalém e sua aldeia rural enquanto o país mergulha em um levante que redefiniria não apenas a Palestina, mas também os rumos do próprio Império Britânico. 

Esteticamente belo, linda fotografia, combinando as paisagens áridas, o contraste entre o campo e a  cidade e  entre os interiores domésticos ricos e pobres. O design de produção também ficou muito lindo e fiel à época retratada.

Certamente dialoga com A voz de Hind Rajab que concorre ao #Oscar2026, Sem chão, que ganhou o #oscar2025, o belíssimo It Mast Be Heaven e O presenteindicado ao #Oscar2021.

Nota 9, adorei.

Disponível Apple TV. 


domingo, 1 de março de 2026

Um amigo de Dorothy (2025)



No momento que escrevo Teerã está sob ataque injustificável de ianques bregas e expan sionistas, o que me faz desanimar bastante com a ideia e tudo que representa o Oscar, mas gosto de cinema, então antes de mais nada #stopwar.

Curta metragem indicado ao #oscar2026.

Pelo menos para mim o título não soa metaforicamente... sugar baby e sugar daddy eu escuto sempre, mas "amigo de Dorothy" confesso que não conhecia.

Pelo que li, é um  termo historicamente utilizado como código entre homens gays desde meados do século XX. Embora o filme não explore profundamente a origem do termo, navega pela temática queer.

A narrativa é centrada na vida de uma viúva solitária cuja rotina é interrompida quando um adolescente acidentalmente chuta sua bola de futebol para dentro de seu jardim e entra em temas como  solidão, acolhimento e descoberta, com a profundidade possível para um curta...

Eu não curti muito, o filme é bem linear, não me tocou, apesar da boa atuação da Miriam Margolyes. 

Mais ou menos nessa vibe, não da temática queer mas sobre o amor na terceira idade, recomendo o ótimo Meu bolo favorito

Nota 6. 

O filme está disponível no youtube! Assista e comente o que achou:

Atualização 6-3 - tiraram o link... se achar outro coloco aqui...




O Drama Menstrual de Jane Austen (2024)

No momento que escrevo Teerã está sob ataque injustificável de ianques bregas e expan sionistas, o que me faz desanimar bastante com a ideia e tudo que representa o Oscar, mas gosto de cinema, então antes de mais nada #stopwar.

Ótimo e muito bem humorado curta indicado ao #oscar 2026.

Eu mesmo não sou muito versado em literatura inglesa então vale a pena explicar que Jane Austen foi uma das autoras mais influentes, reconhecida por sua habilidade singular em retratar, com ironia refinada e observação social precisa, a vida cotidiana da aristocracia rural britânica do final do século XVIII e início do XIX.  Sua obra é considerada um marco da literatura mundial, especialmente por explorar temas como casamento, moralidade, independência feminina e as sutilezas das relações sociais.

Austen escrevia em um período em que as mulheres tinham pouco espaço no mercado editorial, mas sua prosa espirituosa, sua crítica social afiada e sua capacidade de construir personagens complexos garantiram que seus livros atravessassem séculos. Obras como Orgulho e Preconceito, Razão e Sensibilidade e Emma continuam sendo adaptadas para cinema, TV e teatro. 

Escrito e dirigido por Julia Aks (que também atua) e Steve Pinder, traz uma abordagem ousada: transformar um momento íntimo e biologicamente natural, a menstruação, em catalisador de uma sátira social na Inglaterra do séc. XIX. 

O melhor do filme são os nomes dos personagens.

A premissa é simples e provocativa: durante um aguardado pedido de casamento, a protagonista Estrogenia Talbot menstrua, gerando uma reação desastrosa de seu pretendente, o Sr. Dickley. 

A partir desse incidente, o curta desmonta com muito  humor ácido, códigos sociais e faz uma crítica aos tabus contemporâneos que ainda cercam o corpo feminino e a absoluta ignorância patriarcal a respeito. 

Nas entrevistas que estão no youtube, a própria autora diz que a ideia inicial era uma esquete de três minutos que virou um roteiro de 76 páginas, então não se propõe a ser um filme de protesto ou algo do tipo, pelo contrário.

Tem o mesmo tom dos recentes EmmaEnola Holmes e Enola Holmes 2.

Nota 8, recomendo.

Está disponível no youtube! Assista e comente:





Duas pessoas trocando saliva (2024)

No momento que escrevo Teerã está sob ataque injustificável de ianques bregas e expan sionistas, o que me faz desanimar bastante com a ideia e tudo que representa o Oscar, mas gosto de cinema, então antes de mais nada #stopwar.

Bom filme, curta indicado merecidamente ao #Oscar2026, muuucho loko.

Dirigido por Natalie Musteata e Alexandre Singh, constrói uma narrativa que se apoia fortemente na crítica social em uma Paris  distópica e consumista, onde é proibido beijar (aparentemente fazer sexo também), as pessoas cultivam o mal hálito e tudo se paga com tapas na cara.

Uma metáfora sobre controle social, consumo e vigilância. Critica como o Estado e o mercado moldam corpos, desejos e comportamentos usando uma estética que mistura teatralidade, estranhamento e humor ácido.

O filme é em preto e branco e é bem sensorial e bizarro,  provoca aflição desde a primeira cena. De certa forma combina com o Se eu tivesse pernas te chutaria, que também se destacou na temporada.

O roteiro acompanha uma jovem vendedora de uma loja de departamentos exclusiva e de luxo, que se envolve com uma cliente, despertando suspeitas e ciúmes de uma colega. 

A narrativa utiliza a proibição do beijo como símbolo de um mundo onde a intimidade é mercantilizada e rigidamente controlada, e onde o afeto é mediado pela compra de produtos e pela violência. 

Uma nuance que eu gostei é que o filme explora a estilização visual sofisticada com um tom de ostentação mas que tem por trás o enorme vazio da vida sem sentido das personagens. 

Lembra um pouco os filmes do Yorgos Lanthimos (veja aqui no blog as resenhas de Pobres Criaturas, Tipos de Gentileza e Bugonia - esse último concorre a melhor filme no #oscar2026), especialmente O Lagosta

Igualmente os do Shane Carruth, p. ex. Upstream Color .

Nota 7, recomendo.

O filme está disponível no youtube! Assista e comente o que achou: