Indicado a dez #Oscar2025: filme, direção, ator, atriz coadjuvante, ator coadjuvante, roteiro original, fotografia, montagem, design de produção, trilha sonora.
Levou Globo de Ouro de melhor filme, diretor e ator, Leão de prata de diretor em #Veneza2025.
Dessas dez acho que mereceu mesmo só ator coadjuvante, fotografia, design de produção e principalmente a trilha sonora.
Chega como favorito e grande filme da temporada, mas na verdade é de uma duração sem noção: TRÊS HORAS E MEIA. Claro que não precisava disso tudo... por isso que não merece nem melhor filme e muito menos montagem.
Com relação a trilha, ainda não vi Robô selvagem, Emília Perez e Wicked não vou ver por puro preconceito contra musical, então comparando com a trilha de Conclave, essa é bem melhor e por mim leva o oscar. Composta por Daniel Blumberg, mistura composições orquestrais e elementos eletrônicos, e faz jus ao aspecto monumental do filme (agora que reparei que essa palavra está no poster).
Confiram a trilha no youtube: YouTube Music
Eu não conheço os filmes anteriores do diretor Brady Corbet, que também co-escreveu o roteiro com sua esposa Mona Fastvold. Meu adjetivo para ele é: ambicioso.
Usando o jargão universitário, parece uma tese antes da defesa, mas aqui não tem jeito de revisar e colocar uns capítulos no apêndice...
O roteiro parece uma cinebiografia, mas é ficcional, conta a história de László Tóth (Adrien Brody) um arquiteto húngaro que sobrevive ao Holocausto e emigra para os EUA em busca do "sonho americano" (atualmente conhecido por MAGA)...
A cena de abertura é bem bacana, com ele saindo do porão do navio e vendo a imagem do poster ;)
A narrativa se desenrola ao longo de quase três décadas, explorando os desafios e triunfos de László enquanto ele tenta reconstruir sua vida e carreira. O roteiro tenta aprofundar as complexidades da imigração e da busca por identidade em um novo país.
Após ser acolhido e expulso pelo primo, ele é contratado pelo industrial milionário Harrison Van Buren (Guy Pearce) para construir um edifício monumental. No entanto, a relação entre László e Van Buren é marcada por contradições, abusos e revelações chocantes, amplificados pela conflituosa relação com a família do patrono, com a esposa e o vício em morfina.
Eu não sou viciado em morfina, não tenho patrono nem muitos conflitos com a esposa, mas no ser arquiteto não escapo da catarse.
Vale destacar que outro da temporada, o Megalopolis, que não teve nenhuma indicação no Oscar, também bebe da mesma fonte.
O maior problema do roteiro é que mesmo com duração de dois filmes, deixa os arcos abertos, não vou falar muito para não dar spoiler, mas tanto o arco do patrono como o da esposa simplesmente não são finalizados!...
Brody ganhou o #Oscar2003 pelo Pianista e volta aqui novamente como vítima do Holocausto, essa repetição é um dos motivos por que não gostei muito do filme. O Guy Pearce mereceu a indicação de coadjuvante, o mesmo não digo da Felicity Jones...
Prejudicado por uma duração de arrebentar qualquer coluna e pescoço, a fotografia é uma virtude do filme, filmado em VistaVision, um formato widescreen com filme de 35 mm horizontal. As paisagens e cenários conseguem captar com competência os aspectos da arquitetura modernista que é central à narrativa do filme. Porém nessa catagoria o meu favorito é o Duna 2.
No final o personagem é homenageado na Bienal de Arquitetura de Veneza, e quem fez os projetos foram robôs de IA, veja abaixo o resultado...
Enfim, antes de ver esse, eu estava achando que Conclave ia ganhar, mas esse é do jeitinho que a Academia gosta...
Mas acredito que o de atriz e talvez até o de filme estrangeiro vem pro Brasil.
Nota 7, recomendo para quem está fazendo ou pensando em fazer uma obra e sabe que isso é um inferno - construa certo, contrate um arquiteto!
Nos cinemas.
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