segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

O brutalista (2024)

Indicado a dez #Oscar2025: filme, direção, ator, atriz coadjuvante, ator coadjuvante, roteiro original, fotografia, montagem, design de produção, trilha sonora. 

Levou Globo de Ouro de melhor filme, diretor e ator, Leão de prata de diretor em #Veneza2025.

Dessas dez acho que mereceu mesmo só ator coadjuvante, fotografia, design de produção e principalmente a trilha sonora.

Chega como favorito e grande filme da temporada, mas na verdade é de uma duração sem noção: TRÊS HORAS E MEIA. Claro que não precisava disso tudo... por isso que não merece nem melhor filme e muito menos montagem.

Com relação a trilha, ainda não vi Robô selvagem, Emília Perez e Wicked não vou ver por puro preconceito contra musical, então comparando com a trilha de Conclave, essa é bem melhor e por mim leva o oscar. Composta por Daniel Blumberg,  mistura composições orquestrais e elementos eletrônicos, e faz jus ao aspecto monumental do filme (agora que reparei que essa palavra está no poster). 

Confiram a trilha no youtube: YouTube Music

Eu não conheço os filmes anteriores do diretor Brady Corbet, que também co-escreveu o roteiro com sua esposa Mona Fastvold. Meu adjetivo para ele é: ambicioso. 

Usando o jargão universitário, parece uma tese antes da defesa, mas aqui não tem jeito de revisar e colocar uns capítulos no apêndice...

O roteiro  parece uma cinebiografia, mas é ficcional, conta a história de László Tóth (Adrien Brody) um arquiteto húngaro que sobrevive ao Holocausto e emigra para os EUA  em busca do "sonho americano" (atualmente conhecido por MAGA)...

A cena de abertura é bem bacana, com ele saindo do porão do navio e vendo a imagem do poster ;)

A narrativa se desenrola ao longo de quase três décadas, explorando os desafios e triunfos de László enquanto ele tenta reconstruir sua vida e carreira. O roteiro tenta aprofundar as complexidades da imigração e da busca por identidade em um novo país. 

Após ser acolhido e expulso pelo primo, ele é contratado pelo industrial milionário Harrison Van Buren (Guy Pearce) para construir um edifício monumental.  No entanto, a relação entre László e Van Buren é marcada por contradições, abusos e revelações chocantes, amplificados pela conflituosa relação com a família do patrono, com a esposa e o vício em morfina.

Eu não sou viciado em morfina, não tenho patrono nem muitos conflitos com a esposa, mas no ser arquiteto não escapo da catarse.

Vale destacar que outro da temporada, o Megalopolis, que não teve nenhuma indicação no Oscar,  também bebe da mesma fonte.

O maior problema do roteiro é que mesmo com duração de dois filmes, deixa os arcos abertos, não vou falar muito para não dar spoiler, mas tanto o arco do patrono como o da esposa simplesmente não são finalizados!...

Brody ganhou o #Oscar2003 pelo Pianista e volta aqui novamente como vítima do Holocausto, essa repetição é um dos motivos por que não gostei muito do filme. O Guy Pearce mereceu a indicação de coadjuvante, o mesmo não digo da Felicity Jones...

Prejudicado por uma duração de arrebentar qualquer coluna e pescoço, a fotografia é uma virtude do filme, filmado em VistaVision, um formato widescreen com filme de 35 mm horizontal. As paisagens e cenários conseguem captar com competência os aspectos da arquitetura modernista que é central à narrativa do filme. Porém nessa catagoria o meu favorito é o Duna 2.

No final o personagem é homenageado na Bienal de Arquitetura de Veneza, e quem fez os projetos foram robôs de IA, veja abaixo o resultado...

Enfim, antes de ver esse, eu estava achando que Conclave ia ganhar, mas esse é do jeitinho que a Academia gosta...

Mas acredito que o de atriz e talvez até o de filme estrangeiro vem pro Brasil.

Nota 7, recomendo para quem está fazendo ou pensando em fazer uma obra e sabe que isso é um inferno - construa certo, contrate um arquiteto!

Nos cinemas.

O Brutalista (2024) - IMDb


















































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