sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

Tipos de gentileza (2024)


A crítica não gostou muito, mas eu sim...

E Segue o Yorgos Lanthimos no embalo de Pobres Criaturas com um filme meio desconcertante, não vai agradar a todos...

Antologia composta por três histórias distintas, todas sobre poder x submissão e como o título informa, tipos de "bondade". Para quem conhece, são os temas do dia a dia na academia...

A primeira história é sobre um homem que tenta controlar a própria vida mas não consegue escapar do seu chefe, na segunda um policial começa a perceber que sua esposa está agindo de maneira estranha, como se fosse uma pessoa completamente diferente e na terceira, na minha opinião a melhor, uma mulher está a procura de uma pessoa com uma habilidade especial, uma espécie de deusa reencarnada, a serviço de uma seita muito esquisita. Ela faz de tudo para chegar no seu objetivo e o final é surpreendente. 

A conexão entre as histórias é um personagem chamado R.M.F. que eu entendi como random mother fu***. Tem que prestar muita atenção inclusive nos créditos, para achar esse personagem.

O elenco é o mesmo nas três partes, interpretando personagens diferentes. Esse é um dos pontos que os críticos não gostaram muito, mas não vi problema nenhum.

Depois de uma dúzia de indicações no #Oscar2024 inclusive melhor filme e levar atriz, maquiagem,  design de produção e figurino pelo anterior, esse não é tão esquisitão e distópico como O Lagosta. Eu gostei muito do Sacrifício do Cervo Sagrado. 

No elenco principal, Emma Stone, Willem Dafoe e o Jesse Plemons, esse último se vc buscar aqui no blog vai ver que sou fã, por exemplo achei que ele foi a única atuação que prestou em Guerra Civil. A dancinha da Emma Stone é um dos pontos altos do filme.

Nota 8, recomendo.

Disponível Disney+.

Tipos de Gentileza (2024) - IMDb













quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

Ainda estou aqui (2024)



Contra o esquecimento, a memória. 

Contra a opressão, luta e resistência. 

Contra a dor, o amor. 

Contra o fascismo, tudo.

Tod@s ao cinema!!!

O experiente Walter Salles volta com uma obra prima centrada na  história da família Paiva durante a ditadura militar, mas o filme é bem mais que isso.

Frente ao cinismo mortal dos discursos de extrema direita que foram naturalizados no Brasil como se não fossem nojentos, é um filme necessário e que vem no momento certo, por muitas virtudes, mas especialmente por seu potencial educativo.

Junto com os filmes do Kleber Mendonça Filho vai para a lista dos melhores nacionais da última década, com mérito e louvor. Aqui no blog tem resenha do Retratos fantasmas e Aquarius.  

Aplauso de pé para Fernanda Torres indicada no #GoldenGlobe2025, Selton Mello e todo elenco, com destaque para a Fernanda Montenegro. 

Cabem também os adjetivos sensível e respeitoso. Talvez seja esse o maior mérito do diretor e do elenco - achar o tom certo para representar uma história real de uma família centrada na memória dos pais, ele assassinado pela ditadura e ela com uma vida inteira de luta e resistência, mas cujos filhos estão vivos.

Me chamou muito a atenção a escolha de não entrar nos arcos pessoais dos filhos, especialmente do Marcelo. A Fernanda Torres, se quisesse, poderia ter feito uma Eunice Paiva mais latina e passional e a violência da ditadura poderia também ter sido explorada explicitamente visualmente, por exemplo o depoimento da filha. Mas a escolha acertada da direção foi pela moderação e respeito o que é mais um mérito do filme.

Fico na enorme torcida pela indicação para o #Oscar2025.

Tomara e torço muito, mas assim como comento em muitos filmes aqui que para nós brasileiros às vezes falta uma experiência baseada na vivência para entender filmes estadunidenses com um teor político e de crítica social, esse e o caso reverso: se para nós esse filme é importantíssimo por colocar o elefante na sala e dizer desde o título que a ditadura não se anistia nem se esquece, para o americano médio pode ficar só como uma "amável autobiografia"...

A direção de arte e a fotografia do filme são impecáveis. A recriação dos anos 70 é detalhada e autêntica. A trilha sonora é simplesmente sensacional! Composta por músicas da época, além de uma trilha original que complementa perfeitamente o tom do filme.

Vamo que vamo, indicado a Leão de Ouro, vencedor do melhor roteiro, premio Signis e Drop  em #Veneza2024, indicado a melhor filme e atriz no #GoldenGlobe2025, dentre outros prêmios.

O filme está com nota 8,9 no imdb, com 54% de nota 10!!! Ainda Estou Aqui (2024) - Avaliações - IMDb

A minha é 9 - NÃO PERCA!!!



domingo, 8 de dezembro de 2024

A substância (2024)


Espelho espelho meu tem algum filme mais sangrento que o meu? 

Não curto muito o gênero de horror corporal #prontofalei.

O filme é bom o argumento casa perfeitamente com a escolha do elenco, com a Demi Moore demonstrando pelada a irracionalidade e impossibilidade da perseguição de uma juventude infinita.  Explora a obsessão da indústria midiática, especialmente Hollywood pela juventude e beleza. Lá embaixo das tripas no chão, é sobre o envelhecimento e a pressão para permanecer bonita e relevante e os sacrifícios pela eterna juventude.

Faz todo sentido esse filme na carreira da atriz que estrelou o Striptease há quase trinta anos atrás...


Especialmente a direção de arte e fotografia obsessivamente simétrica são os pontos altos do filme, talvez ela tome o #Oscar2025 da Fernanda Torres, mas melhor roteiro em #Cannes2024 aí já achei exagerado.

Vale lembrar que o Titane é do mesmo gênero e foi indicado para palma de ouro...

Mas como o Tudo em todo lugar ao mesmo tempo, foi multipremiado, não seria surpresa se esse cair nas graças da academia...

Vale a pena conferir sim, o problema é que numa metáfora exageradamente explicita da nossa finitude, assim como a beleza física vai fenecendo o filme inicia com a nudez arrebatadora das atrizes mais vai progressivamente aumentando a quantidade de pus, sangue e outros excrementos que vão aparecendo na tela, e para não dar spoiler vou dizer só que termina em uma estrondosa putrefação sangrenta...

A sinopse é uma atriz de tv apresentadora de programa matinal de ginástica em decadência, que se submete ao uso de uma substância milagrosa que promete criar uma versão melhorada de si mesma. A partir daí, surge uma doppelganger novinha e sarada, com a qual ela compartilha a mente e tem que trocar de lugar a cada sete dias.

Nesse ponto, já no início o roteiro inicia com um clima de ficção científica mas abandona rapidamente qualquer compromisso com a possibilidade real de acontecer e vai direto para o campo do realismo fantástico e bizarrão.

Obviamente não demora muito para a novinha achar desvantagem ter que voltar para o corpo da madura e as consequências vão sendo mostradas de forma grotesca, numa tensão crescente de insanidade.

O roteiro me remeteu ao clássico Crepúsculo dos Deuses, que já tratava dos mesmos temas há 70 anos atrás! 

Pensando bem essa história é mais antiga... a semente dela é o conto Branca de Neve dos Irmãos Green publicado no século XIX... a velha que tem inveja da nova, a substância é a maçã envenenada, boa parte das cenas é na frente do espelho e a própria tv como espelho...

Eu já tinha elogiado a Demi Moore pela atuação na série Admirável Mundo Novo e aqui ela realmente intensa e emocional, até que tem chance de ser indicada ao #Oscar2025. O elenco ainda conta com Margaret Qualley e Dennis Quaid com a maquiagem exagerada ficou igualzinho ao personagem Robbie Rotten da série infantil LazyTown. 

A  direção de arte  é um dos pontos altos do filme. O visual artificial, colorido e sintético é coerente com a narrativa satírica, projetando uma Hollywood onírica e distorcida. A ambientação em Los Angeles, com cenas emblemáticas na Calçada da Fama, reforça a crítica à indústria do entretenimento e à obsessão pela aparência.

Nesse aspecto me remete também aos filmes do David Lynch que sou fã de carteirinha, e sempre comento aqui no blog. Alguns filmes de Lynch, como Cidade dos Sonhos e Inland Empire, expõem a face sombria e corrupta de Hollywood, revelando a manipulação, exploração e alienação dos artistas pelos produtores e executivos, além de questionarem os limites entre realidade e ficção e como o cinema pode distorcer a percepção das pessoas. Em Eraserhead e A Estrada Perdida também há elementos de metacinema e crítica à indústria do entretenimento.

A forma como a direção de arte trata as palmeiras de Beverly Hills é referência direta para Cidade dos Sonhos.

Mas a grande referência mesmo é para O homem elefante, que aparece explicitamente no final. 

A cena final é tirada do Carrie a estranha, misturado com Videodrome  e Uma noite alucinante. A influência de Quentin Tarantino também é evidente nas cenas de luta estilo kung fu voador.

Enfim a virtude do filme é a narrativa simples com uma crítica social profunda, mas ao preço de algumas bundas, peitos e pélvis à mostra e muito, muuuito sangue e tripa espalhada.

Nota 7, quem não gosta de ver sangue jorrando pela mangueira, não assista.

E se a Fernanda Torres perder para a Demi Moore será a consagração do sexismo no Oscar, o que nem me surpreenderia...

Disponível Amazon Prime e Apple TV.






















Grandes diretores

 Copiado do facebook.














domingo, 24 de novembro de 2024

Alien Romulus (2024)

 


Com o noticiário político-policial que temos no Brasil, esses xenomorfos não assustam ninguém. É tenso, mas é ruim.

Depois de 45 anos assistindo esse bicho do Giger entrando e saindo de dentro das coisas desde criança, não dá para esperar grandes novidades né.

A crítica gostou muito desse capítulo, estão dizendo que retoma a essência do gênero de horror espacial da franquia e tal, não me agradou nem convenceu.

Eu já sou nostálgico pela data de nascimento então não me desceu o saudosismo que os parasitoides tentam enfiar pela garganta.

Em termos de abordagem vintage, a série da Apple Ruptura essa sim, manda bem. (Stranger Things tb não curti muito...)

Nem o Ridley Scott que dirigiu o primeiro em 1979 fez isso com os anteriores Prometheus e Covenant, que deram uma refrescada filosófica na franquia e sinceramente são melhores que esse, mas essa opinião vai na contramão do público e da crítica...

Tirando alguns aspectos interessantes na construção do personagem andróide e da sua relação com a órfã personagem principal, o roteiro se resume a uma colagem meio chata de planos e gadgets dos capítulos anteriores, piorado pelo fato dos personagens serem todos adolescentes com somente uma exceção: o androide que faz a ligação com o primeiro filme da franquia.

E também achei péssima a ressurreição digital por IA do ator Ian Holm, falecido em 2020, mais conhecido pelo papel de Bilbo Bolseiro na franquia Senhor dos Anéis. 

O único adulto na trama está literalmente morto...

E o final, se vc for fã da franquia vai xingar a mãe do diretor.

Nota 5, recomendo só para quem acha que o Arnold Schwarzenegger atuou nessa franquia.





domingo, 15 de setembro de 2024

Matéria escura (2024~)

 


Mais uma boa série de FC da Apple, totalmente baseada na interpretação de muitos mundos da Física Quântica. 

Aliás fui pegar isso na wikipedia e gastei mais de uma hora lendo os tópicos, a série é exatamente sobre isso, vc entra em uma caixinha e nunca mais consegue voltar...

Adaptação do best-seller homônimo de Blake Crouch. Não confundir com a série homônima de 2015 que também era bem legal. 

A trama gira em torno de Jason Dessen (Joel Edgerton), um físico e professor que vive sua vida de classe média em Chicago com sua esposa Daniela (Jennifer Connelly) e seu filho Charlie (Oakes Fegley). 

O roteiro já complica no início quando ele é sequestrado... por ele mesmo e levado para um universo paralelo (agora entendeu o nome do site né, talvez o título devesse ser esse) do qual não consegue escapar. 

A série explora temas filosóficos complexos derivados da interpretação de muitos mundos, como consciência,  identidade, livre arbítrio, escolhas e as infinitas possibilidades do multiverso.

A narrativa é bem construída, mantendo o espectador constantemente envolvido c/ cliffhanger em todos os episódios que vão revelando novas camadas da história, com um rigor científico bem razoável para uma produção de TV e uma dose equilibrada de drama.

Adicionaram um efeito sonoro só para você não se confundir em qual linha do tempo está em cada cena... A metáfora com o experimento de Schrodinger é literal, o final é meio xoxo... mas a série foi renovada para a 2a temporada.

Jennifer Connelly está espetacular no papel e tem a Alice Braga que marca um golaço na carreira internacional.

Remete a filmes como Primer, Coerência e a série Dark. 

Nota 8, recomendo.

Matéria Escura (Série de TV 2024– ) - IMDb


quinta-feira, 12 de setembro de 2024

Folhas de outono (2023)


Não me lembro de ter visto outro filme mais frio que esse. Comecei a ficar incomodado e contei, tem três sorrisos.

Vencedor do prêmio do juri e indicado para palma de ouro em #Cannes2023, indicação da Finlândia para o #Oscar2024, eleito melhor do ano pela Time...  não achei isso tudo...

O ponto alto do filme é a fotografia com as cores muito bem estudadas, tanto do figurino como do cenário. A estética visual do filme é marcada por uma paleta de cores saturadas e composições simétricas, criando uma atmosfera de nostalgia e melancolia. 

Os planos de cena lembram muito os do Wes Anderson.

Por outro lado, quase parece uma apresentação de power point ou um stop motion sem o motion...

Lento mais que lento parado mesmo. A câmera pouco se mexe e quando se mexe é só uma rotação para o lado em cima do tripé.

Eu não conheço bem esse diretor, pelo que li ele costuma usar um estilo minimalista e personagens melancólicos e marginalizados que, apesar das adversidades, encontram momentos de esperança e humanidade. 

O roteiro é uma crônica delicada sobre um casal de solitários que se encontram por acaso em um bar de karaokê em Helsinki. Ela , uma estoquista de supermercado, e ele, um alcoólatra. A narrativa se desenrola com uma série de encontros e desencontros, onde pequenos gestos e mal-entendidos moldam o destino dos protagonistas. 

A trilha sonora inclui desde clássicos do rock até canções tradicionais finlandesas, que são as melhores.

Eu dou nota 6 e acho que a maioria dos brasileiros iria odiar esse filme, apesar de ele explorar bem a condição humana... no frio da Finlândia.

https://www.imdb.com/name/nm0442454/

Disponível Prime, google play, Mubi e apple.










domingo, 8 de setembro de 2024

Fargo, o filme (1996) e a série (2014~)


Obra-Prima dos irmãos Coen, cuja  filmografia está marcada aqui no blog com #maratonacoen (coloque na caixa de busca),  é um dos filmes mais emblemáticos dos irmãos Joel e Ethan. 

Este clássico moderno solidificou a reputação dos Coen como mestres do cinema com sua narrativa típica, com violência e contrastando um humor irônico e ácido com a frieza do cenário rural americano. 

O roteiro é uma joia de concisão e impacto, oferecendo uma trama que é, ao mesmo tempo, simples e profundamente complexa. 

Fargo segue sendo sucesso de crítica e público recebeu sete indicações ao #Oscar1997, incluindo Filme, Diretor e Ator , ganhou Melhor Atriz e principalmente Melhor Roteiro Original. 

A história gira em torno de Jerry Lundegaard (William Macy), um vendedor de carros fracassado que planeja o sequestro de sua própria esposa para extorquir dinheiro de seu sogro rico. Para executar o plano, ele contrata dois criminosos, Carl Showalter (Steve Buscemi) e Gaear Grimsrud (Peter Stormare). O que deveria ser uma operação simples rapidamente se transforma naquela tragédia gostosa que é o meu estilo favorito.

A trama  está repleta de diálogos afiados e situações absurdas que revelam a ironia intrínseca à condição humana. A decisão dos Coen de apresentar a história como "baseada em fatos reais" adiciona uma camada extra de subversão, pois esse detalhe fictício força o espectador a confrontar a linha tênue entre a realidade e a ficção.

O elenco é um dos elementos que mais contribuem para que o filme tenha se tornado um verdadeiro clássico. 

A vencedora do Oscar Frances McDormand, esposa de Joel Coen e colaboradora frequente dos irmãos, brilha no papel da chefe de polícia Marge Gunderson. Sua interpretação de Marge, uma mulher grávida e de temperamento calmo, mas absolutamente implacável na busca pela justiça, é considerada um dos maiores desempenhos de sua carreira. 

William Macy também está sensacional, retratando a desesperança e a mediocridade de um homem que se vê afundando cada vez mais em seus próprios erros. Steve Buscemi e Peter Stormare,formam a dupla entre o bandido nervoso e tagarela com o silencioso malvadão.

A fotografia é essencial para a atmosfera do filme, capturando a vastidão e o vazio das paisagens cobertas de neve de Minnesota e Dakota do Norte com uma precisão visual que se tornou marca registrada do filme. A neve, onipresente nas cenas não é apenas um elemento estético, mas também uma metáfora para o isolamento e a frieza moral dos personagens. As tomadas longas em espaços abertos contribuem para criar um senso de desolação e inevitabilidade. 

Fargo permanece relevante não apenas como um exemplo brilhante de cinema, mas também como uma exploração profunda da moralidade e do destino, envolta na paisagem congelada e inóspita do meio-oeste americano.

Em 2014, a história foi adaptada para uma série de televisão que também é sucesso. 

A série é antológica e é fiel ao estilo do filme e mistura elementos de tragédia e comédia, ao mesmo tempo em que constrói narrativas complexas e visualmente marcantes.

Cada temporada apresenta uma história autônoma, com grande elenco, personagens e tramas distintas, mas unidas pelo mesmo tom peculiar que caracteriza o universo criado pelos Coen, nas paisagens geladas do meio oeste caipiríssimo estadunidense. A série expande o universo narrativo do longa com novas histórias que, embora fictícias, são apresentadas ironicamente como "baseadas em fatos reais".

A trilha sonora da série utiliza de forma marcante a percussão de fanfarra americana, especialmente nas temporadas mais recentes, o que traz um toque distintivo à série. As músicas evocam desfiles militares e celebrações patrióticas e  contrastam com o clima sombrio e violento da narrativa. Esses ritmos rítmicos e regimentais oferecem uma camada de ironia, já que a série aborda o caos e a violência em ambientes rurais aparentemente pacíficos. A escolha de instrumentos de fanfarra também reforça a crítica social, conectando a música ao tema de controle e autoridade.

Temporada 1 - Lester Nygaard (Martin Freeman)  um vendedor de seguros cuja vida pacata é completamente desestabilizada após conhecer o assassino Lorne Malvo (Billy Bob Thornton). A trama se desenrola como uma espiral de violência e desespero, com Lester gradualmente se transformando de uma vítima em um anti-herói frio e calculista. As decisões aparentemente pequenas acabam levando a consequências catastróficas. 

Temporada 2 - Retrocede para 1979 mostra as raízes do crime organizado e nas disputas de poder no meio-oeste. Centrada na tensão entre famílias mafiosas destaque para o casal Kirsten Dunst e Jesse Plemons que se envolvem acidentalmente em uma conspiração mortal, colocando-os em um caminho de violência inescapável. Estilo visual retrô  muito bacana. 

Temporada 3 - Situada em 2010,  explora o conflito entre irmãos gêmeos interpretados por Ewan McGregor: Emmit, um magnata imobiliário, e Ray, um oficial de condicional ressentido. A rivalidade entre eles desencadeia uma série de eventos que envolvem crime, corrupção e uma cadeia de enganos cada vez mais letal. Esta temporada também introduz V.M. Varga (David Thewlis), um assassino sinistro, que manipula e explora as fraquezas dos outros.

Temporada 4 - Kansas City nos anos 1950, onde duas famílias criminosas, uma liderada por afro-americanos e outra por imigrantes italianos, competem pelo controle do submundo da cidade. No centro da trama está Loy Cannon (Chris Rock), chefe da família afro-americana, que tenta consolidar seu poder em um ambiente marcado por preconceito e violência. Esta temporada examina temas como racismo, imigração e o sonho americano, oferecendo uma análise crítica da história social dos Estados Unidos através da lente do crime organizado. 

Temporada 5 - Retorna às raízes da série, resgatando os temas centrais dos filmes dos irmãos Coen, mas ajustando-os para o contexto contemporâneo. Ambientada em 2019, explora temas contemporâneos da polarização sócio política dos Estados Unidos, focando em personagens como Dot Lyon (Juno Temple), uma mulher que se vê envolvida em uma rede de mentiras e violência, e Roy Tillman (Jon Hamm), um xerife criminoso e autoritário que controla milícias locais. A trama destacando o controle e poder que os personagens exercem sobre os outros. 

Somente a 4a temporada que não merece nota 10, as outras todas sim, igualmente o longa.

 

  



  

 

  













O problema dos 3 corpos (2024~)


Não li o livro que deu origem a adaptação, então já limita um pouco, boa série, mas não achei que merece a badalação toda que teve na internet.

Mesmos produtores de Game of Thrones, e já que não faltou dinheiro, poderia ter dado um resultado melhor... 

Eu tenho ranço da netflix, sempre acho que investe no elenco e deixa o roteiro prá lá. Em termos de séries de ficção científica estou começando a ter certeza que as da Apple são MUITO melhores, comparando por exemplo com Ruptura, Fundação, Silo.

 O enredo segue Ye Wenjie, uma astrofísica que, após testemunhar a morte brutal de seu pai por radicais revolucionários chineses, se envolve em um projeto secreto de comunicação com alienígenas. Em paralelo, a história também explora o grupo nerd conhecido como Oxford Five, uma equipe de físicos que percebe estranhas mudanças nas leis da física, culminando em um conflito interplanetário iminente com uma civilização extraterrestre avançada.

É isso mesmo, muita história para pouco episódio, o argumento é bom mas tem cara de enlatado e as grandes questões filosóficas que levanta são rasamente tratadas.

Atualizando em abril de 2025: alguns canais do youtube exploram as ideias dos livros, que realmente são bem mais amplas do que a série da conta:

Alien Superweapons: Why RKVs are Unstoppable | 3 Body Problem

https://www.youtube.com/@QuinnsIdeas/ 

O elenco tem alguns medalhões como o Jonathan Pryce.

Visualmente, é onde a netflix gastou, a série impressiona pela ambição de retratar tanto os cenários desoladores da Revolução Cultural Chinesa quanto as vastas paisagens cósmicas e ambientes alienígenas. 

Nota 6, só para amantes de Sci Fi.

Vale mais a ver vídeos de física quântica pelo youtube...
















sábado, 7 de setembro de 2024

Trap / Armadilha (2024)


Eu sou fã do Shyamalan, mas esse é talvez o pior da carreira dele, que vai ficando marcada por altos e baixos...

Eu gostei dos últimos Old, que já foi na zona de conforto, adorei o Split que ele mesmo estragou depois em Glass, 

A Visita recuperou o melhor desde A Vila. 

Mas esse roteiro, pelamordedeus, ruim com força.

O filme gira em torno de Cooper (Josh Hartnett) e sua filha Riley (Ariel Donoghue), que participam de um show da popstar Lady Raven (Saleka Shyamalan - filha do Diretor). 

A premissa tenta, mas não consegue, um thriller psicológico em que Cooper, já nas primeiras cenas se revela o serial killer conhecido como "The Butcher" e tenta escapar de uma armadilha montada pela polícia. 

Nem a dupla do Arquivo X faria uma caricatura mais pouco crível do FBI...

Shyamalan é conhecido por seus roteiros cheios de reviravoltas, mas Armadilha falha em reproduzir a maestria de O Sexto Sentido ou Corpo Fechado, onde os plots twists são bem fundamentados no enredo.  O uso de temas como medo e paranoia, presente de maneira eficaz em Sinais, é também mal explorado nesse. 

A construção do suspense, um ponto forte nos primeiros filmes dele aqui se desintegra em um amontoado de eventos improváveis e mal justificados. A construção de uma atmosfera sombria e estranha que também é um ponto forte do diretor, aqui é extremamente preguiçosa e desleixada... Outro problema  é a falta de coerência nas ações dos personagens.  O vilão, é retratado de maneira ambígua, misturando pessimamente o pai amoroso com um suposto assassino implacável, e diga-se de passagem, bem incompetente. 

O ator principal  até que faz o seu trabalho, mas é prejudicado pelo roteiro. E o principal ficando mais ou menos já atrapalha os coadjuvantes. 

A fotografia também tenta navegar entre palhetas azuis e vermelhas, mas tb não dá muito certo. Nem a trilha sonora funciona, resvalando para um merchant forçado e descarado da carreira da filha.

Eu sempre digo que tudo que vende pode vender mais um pouco mas hoje não, Shyamalan. 

Nota 4. Não recomendo.

Nos cinemas.

domingo, 1 de setembro de 2024

O sabor da vida (2024)

 


Indicado para Palma de Ouro e vencedor de melhor direção em #Cannes2023. E vem papando prêmios em diversos festivais.

A veterana Juliette Binoche está sensacional no filme e ofusca todo o elenco.

Originalmente intitulado La Passion de Dodin Bouffant, dirigido por Tran Anh Hung, diretor que eu nem conhecia e já gostei...

O filme mostra o mundo da alta gastronomia como pano de fundo para uma história de amor delicada, ambientada na França do século XIX. 

Destaca pela direção cuidadosa e pela profundidade narrativa, com uma atenção meticulosa aos detalhes na preparação dos alimentos.

Para lembrar alguns nessa linha, vale citar A festa de Babette,  O Cozinheiro, o Ladrão, Sua Mulher e o Amante, Delikatessen e com a própia Juliette Binoche o Chocolate.

Mas para quem captar o verdadeiro gosto do filme a indicação é a série Midnight Dinner. 

Roteiro adaptado baseado no romance de 1924 de Marcel Rouff, narra a relação entre o chef Dodin-Bouffant (Benoît Magimel) e sua cozinheira Eugénie.

Dodin é um apaixonado pela arte culinária e pela perfeição nos pratos que cria. Ela trabalha com ele há vinte anos e é a executora das criações na cozinha. Embora já haja uma química evidente entre os dois, Eugénie reluta em aceitar se casar com ele.

O filme é basicamente sobre preparar a comida, comer e beber (vinho é claro) com muito prazer.

A fotografia é bem romântica e muito competente para mostrar a preparação dos pratos com um nível de detalhe que celebra a gastronomia e vai desenrolando como cenário para o desenvolvimento emocional dos personagens. Muito interessante a cena em que ela argumenta que ela fala pelos pratos que vão à mesa.

*O Sabor das Coisas* é mais do que um filme sobre culinária; é uma meditação sobre o amor, o tempo e as pequenas coisas que dão sabor à vida. É uma obra que merece ser degustada lentamente, apreciada em cada detalhe, tal como uma refeição perfeitamente preparada.

O filme deixa a gente com água na boca e pensando como é que num país como o nosso que tem uma culinária riquíssima pode ter gente que passa fome, pois esse é sobre alta gastronomia mas também sobre um sentido mais profundo sobre saber saborear a vida, um dia por vez.

Nota 8, recomendo, eu assisti comendo Espaguete Carbonara!

Disponível em vários streamings.