quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Valor sentimental (2025)

 


É gente... estou torcendo demais pelo Agente Secreto, o filme brasileiro é muito bom mas esse... é melhor.

Grand Prix em #Cannes2025, o segundo maior prêmio do evento - a Palma de Ouro foi para o Foi Apenas um Acidente.

O Agente Secreto levou diretor e ator no mesmo festival, e arrisca ganhar alguns #Oscar2026, mas esse é um forte concorrente com bastante mérito.

Além disso, recebeu oito indicações ao #GlobodeOuro2026, incluindo Melhor Filme de Drama, Melhor Direção, Melhor Atriz, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Roteiro.

Vai representar a Noruega no Oscar 2026 na categoria de Melhor Filme Internacional.

O diretor Joachim Trier volta ao território emocional que o consagrou como um dos cineastas mais sensíveis da atualidade. Trier revisita temas como memória, culpa, reconciliação e o impacto do tempo sobre os vínculos familiares. Drama íntimo, profundamente humano, fugindo do melodrama e apostando em camadas narrativas que se revelam aos poucos.

O forte do filme é a construção dos personagens e os diálogos, que já marcaram  A Pior Pessoa do Mundo  indicado a melhor filme estrangeiro e melhor roteiro original no #Oscar2022 e também a Palma de Ouro e levou Melhor Atriz em #Cannes2021. Eu também gostei de Armand.

O filme acompanha o reencontro de duas irmãs Nora e Agnes,  que, após a morte da mãe, precisam lidar com a volta repentina do pai ausente. Gustav é um cineasta renomado que resolve reaparecer, depois de anos afastado. Aí já rola o metacinema, o filme dentro do filme, pondo o dedo nas feridas familiares. 

Nora é uma atriz consagrada de teatro, marcada por inseguranças, crises de pânico e um relacionamento conturbado com o pai, do qual busca em vão o reconhecimento. Ele a convida para estrear o seu filme, após 15 anos sem filmar, mas ela recusa, desencadeando uma série de conflitos que expõem traumas antigos, ressentimentos e tentativas frustradas de reconciliação. 

O roteiro não explica muito e deixa que o espectador preencha as lacunas emocionais deixadas pelos personagens. Outra coisa bacana é que vai alternando os pontos de vista, ampliando a compreensão das motivações de cada membro da família e transformando experiências particulares em reflexões universais sobre abandono, manipulação, afeto e identidade.

O que mais me encantou no roteiro é que é possível entender que a narradora da história é a Casa da Família, isso mesmo, a Casa conta as histórias de quem mora e morou nela, sendo definitivamente um dos personagens mais importantes do roteiro.

Renate Reinsve, que está nos dois anteriores mencionados acima, entrega mais uma vez  uma performance intensa. Já o Stellan Skarsgård, também está muito bem, mas achei que faltou um tantinho de latinidade, entre a vaidade e vulnerabilidade pesou mais a primeira. Dava para complicar  um pouco mais o arco dele com a jovem atriz americana contratada para o papel, explorando o conflito entre daddy e sugar daddy.

Fora as influências claras de Ingmar Bergman, o filme conversa com muitos outros que abordam o abismo intransponível entre pais e filhos, além dos filmes do J. Trier, listo alguns comentados aqui no blog: A filha perdida, Meu pai, SterbenO vazio do domingo, As faces de Toni Eerdman, Nebraska, Laço materno, Falling, Sobre pais e filhos.

Nota 9.5, tomara que não ganhe, mas que merece, merece. Nos cinemas.

Valor Sentimental (2025) - IMDb

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

O agente secreto (2025)


Vá ao cinema!!! Filme do ano, neste bom momento que vive o cinema brasileiro.

Estou torcendo muito para que ganhe os três #GlobodeOuro2026 a que foi indicado (melhor ator, melhor filme e melhor filme em lingua não-inglesa) e arrebente no #Oscar2026.

Lembrando que ganhou melhor ator e diretor em #Cannes2026.

O problema é que aí fui para o cinema com a expectativa alta demais.

Um amigo especialista me falou que é a obra prima do Kleber Mendonça, que sou fã desde sempre, mas sinceramente gostei mais de Retratos Fantasmas.

Vide as outras resenhas aqui no blog: O som ao redorAquarius

E também o canal do diretor no Vimeo: https://vimeo.com/klebermendoncafilho 

Kleber Mendonça Filho, consolida o cineasta como um dos nomes mais influentes do cinema brasileiro contemporâneo. 

Reafirma a capacidade de Kleber de captar a alma do Brasil e construir narrativas politicamente densas, esteticamente sofisticadas e profundamente conectadas à memória histórica do país. 

Aqui ele volta ao terreno da tensão urbana e da paranoia política, mas com uma abordagem ainda mais  atmosférica. A trama acompanha Marcelo, um professor universitário que retorna a Recife em 1977, fugindo da perseguição da ditadura. 

A maior virtude do filme é que ele não se explica muito, nem conclui explicitamente os arcos, saímos do do cinema debatendo várias hipóteses para diversos arcos do roteiro que ficam em aberto. O próprio título se encaixa aí e é uma metáfora com muitos significados possíveis. A história de Marcelo (que é Armando) não é entregue  de forma direta; ao contrário, o filme se recusa a explicar muito quem ele é ou o que fez, reforçando a sensação de  incerteza. 

Essa escolha narrativa é que justifica os prêmios que já ganhou e vai ganhar... a coragem do filme em não subestimar o público. Longe de seguir a estrutura clássica dos thrillers de espionagem, o filme opta por uma narrativa que se constrói a partir de detalhes. 

Assim como nos anteriores, o diretor constrói a atmosfera do filme infiltrada nos silêncios, nos olhares e na arquitetura da cidade, criando uma experiência que exige atenção do espectador, mesmo nas cenas mais lentas, que se equilibram com as mais tensas - as minhas favoritas foram a do carnaval de rua e a cena do climax final ao som da banda de pífanos.

A trilha sonora foi premiada no Festival Internacional do Novo Cinema Latino-Americano, em Havana, onde o filme venceu cinco categorias, incluindo Música Original.

Ao mesmo tempo, o roteiro equilibra momentos de humor , especialmente nas cenas com Dona Sebastiana, interpretada por Tânia Maria, cuja presença carismática é um dos destaques do elenco. 

Wagner Moura lidera o ótimo elenco, todos estão muito bem misturando atores famosos e pouco conhecidos, só o casting já mereceria prêmios. Destaque para Alice Carvalho que eu adorei na série Cangaço Novo e Thomás Aquino.

Muitos diretores tem atores preferidos, e Kleber Mendonça não é diferente, mas a sua figurinha mais carimbada é o apartamento da família em Recife, que aparece em quase todos os filmes e o mais incrível é que em cada um deles o mesmo lugar é um lugar diferente.

Minha nota é 9, mas no imdb votei 10!! Vote também no link abaixo!!

https://www.imdb.com/pt/title/tt27847051/


segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Eddington (2025)

 


Ótimo filme! A24 + Ari Aster só podia dar bom... Indicado a Palma de Ouro em #Cannes2025.

Ainda não vi Beau tem medo, mas os dois anteriores desse diretor, Midsommar e Hereditário são ótimos para quem gosta de um bom roteiro.

Aqui ele sai um pouco do terror tradicional, mas sem abrir mão do humor ácido, incômodo e claustrofobia que estão nos outros filmes

Faroeste contemporâneo ambientado em maio de 2020, no auge da pandemia de Covid-19, em uma pequena cidade do Novo México. Aster utiliza esse cenário para explorar sátira política, paranoia coletiva,  desinformação e deterioração das relações sociais, transformando a cidadezinha fictícia de Eddington em um microcosmo da crise ideológica dos Estados Unidos (e outros países também...)

O filme tem a mesma vibe de Bacurau e lembra também Não olhe para cima.

Outras refereências são os do Tarantino e A última parada no condado de Yuma.

A narrativa que parte de um conflito aparentemente simples, a rivalidade entre o xerife Joe Cross republicano radical (Joaquin Phoenix) e o prefeito democrata Ted Garcia (Pedro Pascal) e o transforma em um barril de pólvora que envolve toda a cidade. A trama é alimentada por fake news, vídeos virais, discursos inflamados e tensões raciais - te lembra algum lugar?...

Além dos dois principais, Emma Stone e Austin Butler reforçam o ótimo elenco. P

Lembrando muito Breaking Bad e Better Call Saul e os filmes dos irmãos Coen (busque #maratonacoen aqui no blog) a fotografia  reforça a atmosfera de paranoia e tensão na paisagem árida do Novo México cvocando o faroeste clássico. A montagem incorpora elementos de lives, transmissões e vídeos amadores, reforçando a crítica à cultura digital e à banalização de conflitos na internet. O resultado é uma estética híbrida que combina o velho oeste com a linguagem fragmentada das redes sociais.

A nota no imdb 6,6 mostra que muita gente não gostou, mas não é o meu caso, minha nota é 9.

Disponível em vários streamings.

https://www.imdb.com/pt/title/tt31176520/


Pecadores (2025)

 



Não curto muito franquias de super heróis, então não dei muita bola para os anteriores desse diretor Ryan Coogler  Pantera Negra e Wakanda for ever. 

Também não me impressionei muito com esse... aqui no blog tem alguns de vampiro mencionados / resenhados:

Os meus favoritos são o Daybreakers, pelo argumento. e  Fome de viver, pelo elenco!

 O Conde ganhou melhor fotografia no #Oscar2024.

E não me canso de dar nota 10 para o longa e a série O que fazemos nas sombras. 

O filme até que tenta fazer uma crítica social com drama histórico, mas não acho que ;e bem sucedido... 

Pra falar a verdade acho que não tenho repertório suficiente nem vivência para pensar o cinema estadunidense dentro do racismo estrutural estadunidense, sempre achei meio estranho esse tipo de cinema, mas tem dezenas de filmes  comentados aqui no blog...

O roteiro não é exatamente inovador ao tentar misturar denúncia com terror, hajam visto os filmes do Jordan Peele (Não olheNósCorra!)

A trama segue os irmãos gêmeos Smoke e Stack, veteranos da Primeira Guerra Mundial que retornam ao Mississippi após anos trabalhando para a máfia de Chicago. Com dinheiro roubado, eles compram uma serraria e abrem um bar com música ao vivo voltado para a comunidade negra local. A narrativa se aprofunda em tensões raciais, conflitos familiares, lendas sobrenaturais e a presença de uma força maligna que ameaça a cidade. 

Michael B. Jordan preferido do diretor, em  faz o papel duplo melhorado pelo estado da arte tecnológico. Destaque para o Delroy Lindo no elenco coadjuvante. 

A tecnologia ajuda bem na fotografia também.

A trilha sonora sem dúvida salva o filme, pois é Blues na veia - confira a trilha de canções selecionadas (soundtrack)  nesse LINK

E a trilha sonora original voce pode conferir AQUI

Nota 7,5.

Disponível em vários streamings.



domingo, 28 de dezembro de 2025

Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out (2025)


Essa franquia é como a música brega, quanto mais exagerada, melhor.

Dos trës, esse é melhorzinho em termos de roteiro. Confira as mini resenhas do primeiro, Entre Facas e Segredos  e Glass Onion.

Bom entretenimento, segue a cartilha e estrutura tradicional do gênero quem matou com pistas falsas, múltiplos suspeitos e plot twists. mas este terceiro capítulo mergulha em temas mais densos, como fé, manipulação e crise existencial. 

Suspense mais introspectivo pelo menos tenta ir além do quebra-cabeça do mistério e traz até o tema da  instrumentalização da fé e a fragilidade humana diante de líderes carismáticos e manipuladores - mas acho que os crentes (de todas as crenças) não vão  perceber isso...

 A trama gira em torno do padre novato Jud, que é desgnado para trabalhar na igreja do Monsenhor Jefferson Wicks, que só oprime seus fiéis, onde ocorre um crime aparentemente impossível, por causa de uma herança. 

A investigação conduzida pelo detetive Benoit Blanc se entrelaça com a crise espiritual de Jud, criando um contraste entre lógica e fé, razão e dúvida. 

Bom elenco (é o padrão Netflix), com destaque para Glenn Close, o detetive é interpretado pelo Daniel Craig e reunindo nomes como Josh Brolin, Josh O’Connor,  Jeremy Renner e até uma ponta do Jefffrey Wright. 

A fotografia é bacana, dá o clima gótico e opressivo que permeia toda a narrativa. 

Obvio que o Benoit Blanc surfa na onda do Hercule Poirot da Agatha Christie (Assassinato no Expresso Oriente,  Morte no Nilo e A noite das bruxas).

Nota 7, vale a pipoca.

Confira Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out | Site oficial da Netflix


No other choice / A única saída (2025)

 


Indicado a Leão de Ouro em #Veneza2025 e 3 #GlobodeOuro2026 - melhor filme, melhor filme estrangeiro e ator, mas não achei isso tudo...

Talvez meu problema é com o diretor pois o anterior Decisão de partir eu já não tinha curtido... Achei longo e lento.

Vai na crítica da automação e da ansiedade trabalhista, explorando o medo crescente da substituição humana pela inteligência artificial, com ironia e humor ácido.

Mas não é bom como Parasita

A trama acompanha Man-su, um gerente de fábrica de papel que, depois de 25 anos de dedicação, é demitido sem cerimônia. Desesperado diante de um mercado de trabalho devastado pela automação, ele decide matar seus concorrentes para garantir o único cargo humano restante no setor. 

 O filme articula temas como masculinidade fraturada, precarização do trabalho, paranoia conjugal e o colapso emocional e doméstico causado pela insegurança econômica. 

Pra ser bem sincero os do Ken Loach com esses temas são melhores... por exemplo Você Não Estava Aqui. 

Mas vá lá...  o roteiro equilibra sátira e tragédia com inteligência, oferecendo uma reflexão contundente sobre o desespero humano em tempos de crise.

O ator principal  Lee Byung-hun (Squid Game) dá uma segurada no filme, indicação merecida para o Globo de Ouro. 

A trilha sonora demonstra que a música brega é universal... 


Nota 7 - recomendo se vc como eu gosta de se antecipar ao Oscar.

https://www.imdb.com/pt/title/tt1527793/

Highest 2 lowest / Luta de Classes (2025)

 


Bom filme, Spike Lee volta com um  thriller criminal reinterpretando High and Low de Akira Kurosawa na Big Apple, com os temas típicos de desigualdade, responsabilidade e poder.

Produção A24 e Apple.

A trama acompanha David King, um magnata da música que se vê diante de um dilema moral quando o filho de seu motorista é sequestrado por engano e o criminoso exige um resgate milionário. O texto explora com profundidade a tensão entre responsabilidade pessoal e interesses corporativos, confrontando o protagonista com egoísmo, culpa e privilégio. 

Denzel Washington está muito bem no papel principal dividindo a cena com Jeffrey Wright. E Nova Iorque é sempre mais um personagem.

Sendo a história sobre dono de gravadora, a trilha ganha peso, combinando elementos de jazz contemporâneo, batidas urbanas, eletrônicas e hip hop. 

No gênero, não chega aos pés de Cidade de Deus ou até mesmo Tropa de Elite.

Lembra um pouco o Uncut Gems

Não é o melhor do diretor mas vale conferir. Nota 5,5 no imdb, dou 7. Releitura é sempre difícil...

Luta de Classes (2025) - IMDb

sábado, 27 de dezembro de 2025

Uma batalha após a outra (2025)


Bom filme, Leonardo di Caprio muito bem, merecido se ganhar o #Oscar2026 e o de coadjuvante fica até difícil pois o Benicio del Toro, rouba a cena, está melhor ainda que o principal.

E no caso do Sean Penn como machão escravo sexual é simplesmente o melhor papel da carreira -se ganhar, merece demais.

Paul Thomas Anderson está meu time de favoritos, principalmente por Magnólia e Boogie Nights, mas Licoricce Pizza e A trama fantasma não curti muito.

Aqui ele retorna com um roteiro adaptado e aquela típica energia criativa que mistura caos, sátira política, ação frenética e um humor ácido que surpreende até os admiradores.

O roteiro segue o antiherói Bob (DiCaprio), um ex-revolucionário desastrado. A trama mistura ação política, sátira social e humor desconfortável, criando um universo onde revolução, autoritarismo e violência se entrelaçam com relações familiares e traumas pessoais. Por outro lado fica naquele limite que corre o risco de reforçar o que pretendia denunciar...

Não é nenhuma Brastemp, mas quem faz o trabalho bem feito também ganha Oscar.

Nota 7.5, disponível em vários streamings.

https://www.imdb.com/pt/title/tt30144839/ 

Foi apenas um acidente (2025)


 Palma de ouro em #Cannes2025, junto com Valor Sentimental talvez seja o maior concorrente do Agente Secreto para o #Oscar2026.

Ainda não vi Sem Ursos, mas gostei mais de 3 Faces do que desse.

Dirigido pelo consagrado cineasta iraniano Jafar Panahi, frequentemente perseguido e censurado pelo regime iraniano, condição comum de outros diretores, p. ex. o premiado Asghar Farhadi ( A semente do fruto sagrado indicado ao #Oscar 2025, A Separação - #Oscar 2012, Um herói e O passado)

Como outros anteriores traz experiências pessoais do diretor, que passou meses encarcerado e chegou a realizar greve de fome para denunciar abusos. 

A força autoral de Panahi se manifesta tanto na coragem de abordar temas sensíveis quanto na habilidade de transformar dor em cinema político de altíssima potência. Ele é um cineasta que filma não apenas por vocação, mas por necessidade.  — e isso reverbera em cada minuto do longa.

O roteiro, escrito pelo próprio Panahi, acompanha um grupo de ex-prisioneiros políticos que reencontra um homem que acreditam ser seu antigo torturador. A partir daí, o filme se transforma em um estudo profundo sobre trauma, memória e responsabilidade individual dentro de sistemas autoritários. 

Diálogos densos, carregados de tensão e ambiguidade, nos quais cada personagem revela sua dor e contradições .

O roteiro também levanta questões éticas complexas - até que ponto um indivíduo deve ser responsabilizado por crimes cometidos sob ordens superiores? A vingança é capaz de reparar um trauma coletivo? E o que significa perdoar quando as feridas ainda estão abertas?

Apesar da distância cultural, o espectador brasileiro se sente familiarizado com essas temáticas, que também aparecem em muitos filmes por aqui, tanto os nacionais quanto latino americanos, p. ex. O que é isso companheiro? Batismo de sangue, Ainda estou aqui,  Argentina 1985, O olvido que seremos, entre outros (vide a lista da Carta Capital).

Com atores e não-atores, as performances são marcadas pela autenticidade, resultado tanto da direção de Panahi quanto da proximidade dos intérpretes com a realidade retratada. Bons diálogos e monólogos dão ao filme um tom de documentário.

Fotografia bacana, com destaque para um plano-sequência todo vermelho no final, que é um dos mais potentes dos últimos tempos, pensando neste tipo de filme.

Nota 7, acho que não bate o Kleber Mendonça, #natorcida.

Nos cinemas.

Foi Apenas um Acidente (2025) - IMDb

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Plur1bus (2025)


Aêêê... as melhores séries são as da Apple, e ponto final.

Criada por Vince Gilligan, diretor e roteirista consagrado por Breaking Bad e Better Call Saul, melhor série já feita e melhor série já feita de novo, simples assim.

Depois de 15 anos de drama criminal, aqui o diretor vem com ficção científica, humor ácido, drama psicológico e reflexões filosóficas sobre individualidade e coletividade.

A verdade simples é que para contar uma boa história é necessário somente a boa história.

Estreou em novembro, o sucesso de crítica e público (já bateu o recorde de Ruptura) mostram que o risco valeu a pena!

O genial aqui é que parte do argumento mais batido de todos na ficção - invasão alienígena - e consegue ser original, o que é muuuito raro hoje em dia.

A narrativa gira em torno de Carol Sturka,  uma autora de romances que se vê como uma das poucas pessoas imunes a um evento global em que a maior parte da humanidade é assimilada por uma mente coletiva antropomórfica. 

Parte da genialidade do roteiro está na ironia de que a invasão torna os humanos mais felizes, mais democráticos, sem preconceitos, sem crimes, sem guerras e a protagonista a quem resta a tarefa de salvar o mundo é a mais controversa, ansiosa e mal humorada humana da Terra.

No fundo também tem uma crítica ao atual estado de coisas com a IA, pois a humanidade invadida compartilha uma espécie de conexão pisíquica em colmeia, em que todos acessam o conhecimento, pensamento e sentimentos dos outros, então todo mundo sabe "tudo". Nesse sentido remete um pouco a Black Mirror

A atriz Rhea Seehorn consagrada em Better Call Saul retorna com uma performance complexa, vulnerável e profundamente humana, sendo indicada ao Critics Choice e ao Globo de Ouro por esse papel.

Mas se vc não gostar de série inteligente, lenta e estranha, sobre ética, moralidade e sentido da vida, como Twilight Zone,  deixe para lá...

A trilha sonora, assim como nas séries anteriores do Gilligan, pega o melhor do jazz (inclusive com bossa nova) e da música americana que não aparece muito no mainstream.

Confira a trilha selecionada nesse link.


Já trilha original orquestrada você pode conferir nesse link

As críticas positivas à série concentram-se sobretudo em sua originalidade e ambição temática. Vários críticos celebram a escrita de Gilligan por sua capacidade de articular um universo que desafia convenções narrativas tradicionais e favorece uma experiência de observação ativa, em que o espectador é convidado a refletir sobre os dilemas levantados em vez de receber respostas prontas. 

Nota 8, recomendo!

No imdb está com nota 8,3 quem acompanha as notas por lá sabe que essa é bem alta...

Pluribus (Série de TV 2025– ) - IMDb

A Avaliacao (2025)


Boa ficcão científica, drama psicológico estreia da cineasta Fleur Fortuné em longa-metragem, apresenta uma sociedade pos apocaliptica distópica, na qual o Estado controla completamente a reprodução humana. 

Remete  ao Big Brother e Admirável Mundo Novo, que rendeu uma série que comentei aqui recentemente, mas sem a monumentalidade dessas referências. 

A narrativa se passa em um mundo devastado pelas mudanças climáticas, onde os recursos são escassos e cada decisão sobre a formação de uma família depende de um processo governamental altamente criterioso.

O casal protagonista, Mia e Aaryan, atravessa um teste de caráter íntimo e político, que ultrapassa os limites de várias formas.

De certa forma é uma metáfora sobre o que estamos dispostos a abrir mão na nossa condição humana para sermos aceitos pelos outros e viver em sociedade.

Uma coisa boa do roteiro é que não fica explicando muto, consegue o equilíbrio entre o que é mostrado e o que permanece subentendido, nesse aspecto até derrapa um pouco ao expor demais os bastidores do sistema no final, dava para ter terminado o filme quando a avaliação termina...

Thriller mais intimista, centrado nas tensões emocionais e dinâmicas de poder entre os personagens e nos limites éticos da sociedade autoritária,  perpassando conflitos internos, dilemas de maternidade, e questionamentos sobre identidade e liberdade individual.

Destaque para a performance das atrizes Alicia Vikander e Elizabeth Olsen (a das irmãs) que junto com e Himesh Patel formam um triangulo intenso que segura o filme. Vikander interpreta Virginia, a avaliadora enigmática e implacável, com uma frieza calculada que contrasta com os momentos de vulnerabilidade dos protagonistas. Olsen, por sua vez, dá vida a Mia, uma bióloga que enfrenta não apenas os testes impostos pelo governo, mas também os dilemas internos sobre sua própria capacidade de ser mãe. Patel completa o trio com uma atuação contida e emocionalmente carregada, representando Aaryan, especialista em inteligência artificial. A química entre os atores sustenta a tensão dramática do filme, e suas expressões faciais e reações sutis contribuem para a construção de um ambiente opressivo e emocionalmente denso.

Nota 7,5. Disponível Prime Video.

https://www.imdb.com/pt/title/tt32768323/