É gente... estou torcendo demais pelo Agente Secreto, o filme brasileiro é muito bom mas esse... é melhor.
Grand Prix em #Cannes2025, o segundo maior prêmio do evento - a Palma de Ouro foi para o Foi Apenas um Acidente.
O Agente Secreto levou diretor e ator no mesmo festival, e arrisca ganhar alguns #Oscar2026, mas esse é um forte concorrente com bastante mérito.
Além disso, recebeu oito indicações ao #GlobodeOuro2026, incluindo Melhor Filme de Drama, Melhor Direção, Melhor Atriz, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Roteiro.
Vai representar a Noruega no Oscar 2026 na categoria de Melhor Filme Internacional.
O diretor Joachim Trier volta ao território emocional que o consagrou como um dos cineastas mais sensíveis da atualidade. Trier revisita temas como memória, culpa, reconciliação e o impacto do tempo sobre os vínculos familiares. Drama íntimo, profundamente humano, fugindo do melodrama e apostando em camadas narrativas que se revelam aos poucos.
O forte do filme é a construção dos personagens e os diálogos, que já marcaram A Pior Pessoa do Mundo indicado a melhor filme estrangeiro e melhor roteiro original no #Oscar2022 e também a Palma de Ouro e levou Melhor Atriz em #Cannes2021. Eu também gostei de Armand.
O filme acompanha o reencontro de duas irmãs Nora e Agnes, que, após a morte da mãe, precisam lidar com a volta repentina do pai ausente. Gustav é um cineasta renomado que resolve reaparecer, depois de anos afastado. Aí já rola o metacinema, o filme dentro do filme, pondo o dedo nas feridas familiares.
Nora é uma atriz consagrada de teatro, marcada por inseguranças, crises de pânico e um relacionamento conturbado com o pai, do qual busca em vão o reconhecimento. Ele a convida para estrear o seu filme, após 15 anos sem filmar, mas ela recusa, desencadeando uma série de conflitos que expõem traumas antigos, ressentimentos e tentativas frustradas de reconciliação.
O roteiro não explica muito e deixa que o espectador preencha as lacunas emocionais deixadas pelos personagens. Outra coisa bacana é que vai alternando os pontos de vista, ampliando a compreensão das motivações de cada membro da família e transformando experiências particulares em reflexões universais sobre abandono, manipulação, afeto e identidade.
O que mais me encantou no roteiro é que é possível entender que a narradora da história é a Casa da Família, isso mesmo, a Casa conta as histórias de quem mora e morou nela, sendo definitivamente um dos personagens mais importantes do roteiro.
Renate Reinsve, que está nos dois anteriores mencionados acima, entrega mais uma vez uma performance intensa. Já o Stellan Skarsgård, também está muito bem, mas achei que faltou um tantinho de latinidade, entre a vaidade e vulnerabilidade pesou mais a primeira. Dava para complicar um pouco mais o arco dele com a jovem atriz americana contratada para o papel, explorando o conflito entre daddy e sugar daddy.
Fora as influências claras de Ingmar Bergman, o filme conversa com muitos outros que abordam o abismo intransponível entre pais e filhos, além dos filmes do J. Trier, listo alguns comentados aqui no blog: A filha perdida, Meu pai, Sterben, O vazio do domingo, As faces de Toni Eerdman, Nebraska, Laço materno, Falling, Sobre pais e filhos.
Nota 9.5, tomara que não ganhe, mas que merece, merece. Nos cinemas.





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