domingo, 8 de fevereiro de 2026

Depois da caçada (2025)


Filme passado na universidade com as tretas dos professores arruinando as carreiras uns dos outros e saindo no tapa com os alunos? Vou gostar disso??? Que isso...

Esnobado no #oscar2026 e pela crítica em geral, indicação merecida da Julia Roberts no #Globodeouro2026, fui assistir dando nada pelo filme é depois de ver quase todos chego a conclusão que era um dos melhores...

Ótimo ver a atriz num papel que foge do lugar comum. Igualmente o Andrew Garfield. Michael Stuhlbarg está muito bem de coadjuvante.

Não gostei da atuação da Ayo Edebiri, achei que não deu conta do papel, que é central na trama, acaba ancorando o filme.

Eu não gostei muito do anterior do diretor  Luca Guadagnino, Me chame pelo seu nome, mas esse tenho que elogiar.

Sem preocupação de entreter, mas sim de incomodar, drama psicológico transitando entre suspense moral e crítica social, muito bem filmado, gostei muito dos planos focados em partes do corpo, p. ex. nas mãos, movimentos da câmera e a trilha sonora distorcida e dissonante gera um clima de Hitchcock - teve crítico que achou um desastre, eu adorei o som do filme.

O roteiro acompanha Alma, uma professora de Yale que se vê no centro de uma crise institucional quando uma aluna medíocre e rica, cuja família é patrocinadora da instituição, acusa um colega professor de abuso sexual, e ameaça revelar um segredo obscuro do passado da própria protagonista. 

A trama se desenvolve com ambiguidades morais, tensões e motivações conflitantes, abordando a vida feliz acadêmica com a sua rotina de manipulação, abuso de poder e falta de ética. 

A nota do filme no imd está baixa (5,7) pois só quem vive isso na pele vai sentir a catarse. Acho que o espectador médio também vai estranhar a atmosfera fria e opressiva, mas extremamente realista, dos espaços universitários.

Aqui no blog tem vários parecidos que exploram dilemas éticos entre intelectuais, listo alguns: Compartimento #6, Competência oficial, Armand, A sala dos professores, DrukO professor substitutoBad Luck Banging or Loony Porn, A sala dos professoresClub ZeroOs rejeitados...

Nota 9, recomendo, para quem sabe que a universidade não é um templo onde se desenvolve as altas virtudes do espírito...

Disponivel prime - Prime Video: Depois da Caçada

Mr. nobody against putin (2025)

 


Documentário indicado ao #oscar2026, numa temporada em que a guerra da Ucrânia continua em cartaz (vide 2000 metros para Andriivka e Armado somente com uma câmera)

Por coincidëncia assisti na mesma semana que viralizaram as fotos dos brucutus monitores dando aula em escola cívico-militar sem saber escrever.

Realizado por Pavel Talankin, um jovem russo que além de co-dirigir, atua como protagonista e registra o cotidiano de uma escola primária em Karabash, uma cidade mineradora pobre próxima aos Montes Urais, famosa pelo meio ambiente pouido, uma espécie de Cubatão russa.

O filme revela como instituições educacionais russas foram transformadas em centros de doutrinação e recrutamento militar durante a invasão da Ucrânia, expondo a máquina de propaganda estatal e o impacto direto sobre professores e crianças, a pressão ideológica imposta pelo governo russo. 

Merece a indicação pelo olhar particular sobre o contexto. Feito de uma maneira naturalmente amadora e bem pessoal, talvez a maior virtude do filme é conseguir vazar uma impressão autêntica de um cidadão russo que não apoia o regime, e que causa incômodo inclusive pelo tom leve e alto astral que trata a guerra, inclusive as baixas do lado russo.

A indiferença dos cidadãos de Karabash com a guerra me deixou pensando em como as cidades próximas dos campos de concentração nazistas também ignoravam o que acontecia lá (vide Zona de Interesse e nessa temporada resenhei aqui o Nuremberg).

Fascismo na escola já rendeu ótimos filmes como A OndaClube Zero e outros.

Talankin, ao assumir simultaneamente as funções de professor, cinegrafista e protagonista, torna-se o eixo emocional da narrativa. Sua presença em cena transmite vulnerabilidade e determinação, especialmente quando confrontado com diretrizes governamentais que transformam a escola em um braço da máquina militar. Os alunos, por sua vez, aparecem como vítimas silenciosas de um processo de doutrinação que molda sua visão de mundo desde a infância. A interação entre professores e estudantes, captada de maneira espontânea, revela tensões, medos e momentos de resistência discreta. Essa dimensão humana, reforçada pela ausência de dramatizações artificiais, contribui para que o documentário alcance um impacto emocional diferenciado.

Gostei, mas como documentário denúncia, o vencedor do #oscar Navalny, é muito melhor. 

Nota 7, recomendo, vale assistir  para apoiar a coragem do realizador.

Uma demonstração de que fascismo não se discute, somente se combate.

Disponível App;le TV.

‎Mr. Nobody Against Putin - Apple TV

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Armed only with a camera - vida e morte de Brent Renaud (2025)

 


Documentário indicado ao #oscar2026.

Tributo ao trabalho do jornalista estadunidense que dedicou a vida a registrar conflitos ao redor do mundo, sempre guiado por uma ética de proximidade e vulnerabilidade. 

Nessa terceira temporada em que o mundo assiste a guerra da Ucrânia e o rearranjo da geopolítica mundial sem a ONU, é um importante testemunho histórico.

Brent foi morto por soldados russos enquanto cobria o conflito. 

O irmão Craig faz uma homenagem e completa sua última reportagem, transformando o filme em um gesto de continuidade e resistência. O resultado é um documentário que se equilibra entre a crueza do front e a delicadeza do afeto, construindo uma narrativa que transcende o registro jornalístico.

O documentário também apresenta trechos e memórias de outros conflitos que Brent documentou ao longo dos anos: inclui coberturas no Iraque, Afeganistão, Haiti, Egito, Líbia, Síria e a crise de refugiados na América Central. Esses conflitos aparecem no documentário por meio de imagens de arquivo e relatos de colegas, compondo o mosaico da carreira dele.

Entre os pontos mais destacados pela crítica está a capacidade do documentário de contextualizar a trajetória do cineasta sem perder de vista a dimensão política e histórica de sua morte.

Gostei mais que do 2000 metros para Andriivka. 

A academia sempre escolhe documentários com essa temática, como por exemplo For Sama e The Cave

Nota 8, recomendo!

Disponivel HBO MAX e Amazon Prime Video: Prime Video: Armado com uma Câmera: Vida e Morte de Brent Renaud

Blue moon (2025)



Indicação merecida de melhor ator para o Ethan Hawke no #oscar2026 e #Globodeouro2026, mas que filme chato...

Dificílimo para o público brasileiro, concentra em uma única noite da vida do letrista Lorenz Hart, que não tenho ideia de quem é, imagino que pouca gente no Brasil saiba...

São praticamente  duas horas com ele sentado no bar conversando com os demais personagens.

Me lembrou um pouco Uma noite em Miami que também não curti muito. 

Tem também um pouco da vibe de Amsterdam, que é bem melhor... 

Nota 4, recomendo só para os fãs do Ethan Hawke.

Disponível nos streamings. 

https://www.imdb.com/title/tt32536315/

Hamnet (2025)


Indicado a melhor filme no #oscar2026 - veja os outros aqui no blog buscando essa hash e vencedor do #GlobodeOuro2026.

Mais 7 indicações: elenco, canção, direção, roteiro adaptado, design de produção, figurino e claro, atriz, que vai ganhar...

Eu gostei muito de Nomadland, da mesma diretora, esse também é muito bom, mas fica atrás de o Agente Secreto, Valor Sentimental, Bugonia e Uma Batalha Após a Outra.

Roteiro adaptado do romance de 2020 de Maggie O’Farrell, uma obra que reimagina a vida doméstica de William Shakespeare e a tragédia que teria inspirado a criação de Hamlet. O filme articula a tragédia pessoal com a gênese de uma das obras mais influentes da literatura mundial. Acompanha a rotina da família Shakespeare, suas alegrias e tristezas, e o impacto devastador da peste que leva o jovem Hamnet à morte.

Zhao volta na vibe de Nomadland com uma narrativa que explora a vulnerabilidade humana, o silêncio emocional e a força dos vínculos familiares. 

O roteiro traz personagens reais, mas preenche lacunas históricas com habilidade literária e imaginação dramática. A abordagem combina rigor histórico com liberdade poética, criando um filme que não pretende ser um registro factual, mas sim uma interpretação emocional daquilo que poderia ter acontecido na casa de Shakespeare. 

A narrativa se concentra especialmente na figura de Agnes Shakespeare, interpretada por Jessie Buckley, retratada como uma mulher intuitiva, conectada à natureza e profundamente marcada pela perda do filho. 

O roteiro evita transformar Shakespeare em protagonista absoluto; ao contrário, ele surge como parte de um núcleo familiar complexo, dividido entre a vida doméstica e as pressões do teatro londrino. A morte de Hamnet funciona como ponto de ruptura emocional e criativo, levando o dramaturgo a canalizar sua dor na escrita de Hamlet

Achei um pouco lento e contemplativo, eu teria feito um filme mais latino, investindo mais no perfil de bruxa e médium, a la Neil Gaiman. Mas a cena final compensa.

Ótimo elenco, com boa química, Jessie Buckley arrebenta, já pode carimbar o Oscar para ela, as concorrentes estão muito bem, mas ela leva. 

Eu sou fã demais desde o sensacional Estou pensando em acabar com tudo, aqui no blog tem resenha da A filha perdida e Men

Já o Paul Mescal não é o melhor Shakespeare do mundo mas consegue entregar boa intensidade emocional como fez em Aftersun

Destaque também para  Emily Watson a madre superiora vilã de Duna a Profecia como mãe de Shakespeare. 

Enfim Shakespeare é fonte inesgotável para as artes cênicas, confira outros resenhados aqui no blog.

Nota 7, sou mais o Agente Secreto.

Nos cinemas.